O mundo vive uma pandemia desastrosa. O Brasil consciente vive trágica hecatombe humana! O desastre em nosso país poderia ser atenuado se tivesse tido comando equilibrado não o fundamen­talismo negacionista. Isso nos leva a refletir sobre a importância do equilíbrio entre racionalidade e emoção, fé e razão.

No geral aplaudimos e aprovamos o que a nossa emotividade acha bom e rejeitamos o que não for de acordo com nossa ideologia. Muitas vezes somos incapazes de nos distanciarmos dos sentimentos e chegamos até fechar os olhos frente à evidencia dos fatos e abdica­mos do bom senso.

Fé e razão, mente e coração, devem caminhar juntos sem se so­brepor uma a outra. A história da humanidade sempre foi marcada por avanços e recuos no processo civilizatório. Muitas vezes julga­mos eventos históricos conforme nossa visão particular condiciona­da da emotividade, movida pela ideologia. Giosué Carducci, Nobel da literatura, na sua ode bárbara, ajoelha-se frente às ruínas do foro em louvor da deusa Roma.

Nestas ruínas enxerga a glória do Império e não o obscurantismo da turba do vizinho Coliseu em que se aplaude as matanças espor­tivas. A Idade Média é tachada como idade das trevas, onde tudo é atraso sem considerar no legado das catedrais, das obras filosóficas e teológicas de Agostino, Tomás, da poética de Dante Alighieri, do canto gregoriano e da transmissão da cultura grega, do trabalho agrícola dos monges. Exalta-se a renascença e humanismo sem reco­nhecer que tudo foi gestado naquela “idade das trevas”.

Burguesia e maçonaria, na França fomentam ideais libertadores, e o deismo contra a religião cristã, assim preparam a revolução francesa com o lema da liberdade, igualdade, fraternidade, conceitos que abrem a porta da modernidade. Contra os excessos da religiosidade coloca-se sobre o altar do Notre Dame uma jovem seminua, símbolo da racionali­dade, único caminho que deveria levar a humanidade ao progresso.

Dificilmente, porém, alguém lembra ou cita que em nome destes nobres ideais, muitos inocentes foram mortos entre eles, dezesseis monjas carmelitas, arrancadas da clausura, levadas todas para a guilhotina. Única culpa: a fé no Deus dos cristãos! Recentemente tivemos o holocausto nazistas e massacres em países comunistas. E tudo em nome do progresso, contra o “obscurantismo”.

Da adoração à razão e pragmatismo científico, passamos hoje à negação da ciência e à volta a terraplanismo. Frente ao evidente desgoverno Bolsonaro há fieis seguidores que negam ciência e vale tudo para não negar a ideologia. Só o equilíbrio entre emoção e racionalidade poderá fazer reconhecer a verdade e nos salvar de um desfecho mais catastrófico do que estamos passando no dia de hoje.

O exagero da crença religiosa é capaz de fazer cair a espada da mão do Imperador Henrique IV, como colocar na fogueira dissidentes. Também a racionalidade, sem ouvir as razões do coração tem causados desastres. Cris­to disse: “Eu sou a verdade, o caminho e a vida”. Qualquer pessoa que assim se definisse, seria considerado mentecapto ou megalômano.

Mas o ensinamento de Cristo, confirmado pela sua vida e de muitos que seguem-no, mostra que somente distanciando-nos do apego ao nosso ego, podemos conciliar fé e razão, instalar respeito­sos diálogos construtivos e superar polarização genocida.

A mesa que o Pai do Céu nos prepara diariamente é farta, aí o pobre Lázaro não precisaria comer as migalhas que caem do rico epulão e nem que os cães lhe devam lamber as feridas.

Realizar o equilíbrio entre fé e razão construirá a civilização da ver­dadeira fraternidade cristã onde os bens são compartilhados e como na primeira comunidade cristã, ninguém deverá passar necessidade.

Fé sem razão é cega. Razão sem fé é cruel, como diz meu amigo Isaias.