Os demônios do submundo emergiram

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Aquela previsão de que o século 21 seria o da lumino­sidade, e que finalmente os seres humanos encontrariam caminhos da paz e da fraternidade, e que finalmente o mundo seria melhor, não aconteceu. As trevas que trouxeram tantos sofrimentos na Idade Média, quando a Igreja capitanea­va todas as maldades e preconceitos em nome de um deus vingativo, sedento de corpos mutilados em nome da salvação de suas almas, encontrou nos dias de hoje o portal aberto e um ambiente fertilizado com objetividades e com o mesmo diapasão religioso de outrora. Neste ambiente, as previsões auspiciosas terão que aguardar outra oportunidade.

E essa enxurrada oriunda das trevas medievais, com a ajuda do fanatismo religioso, atingiram em cheio o cerne da maioria da população brasileira, que elegeu os demônios que deveriam ser combatidos em nome da família, da proprie­dade privada e dos bons costumes praticados por gente de bem. E o resultado foi o surgimento de uma nova/velha classe política, de políticos que negam serem políticos. A eleição sob a égide do ódio mostrou que na história republicana nunca tínhamos elegido uma classe política tão deplorável e abjeta como a atual.

A safra de ministros e dirigentes do atual Governo Fe­deral saiu diretamente dos arcabouços comandados pelo “tinhoso”, como num filme de horror duma sexta-feira 13. E este arremedo de governo, com gente tão desqualificada, está atacando e ferindo de morte as instituições que em qualquer país democrático são tratadas com o máximo respeito, que são a educação e a cultura, pois caracterizam a identidade de um povo. Mas essa turma das trevas quer transformar o Brasil numa pátria de loucos e desvalidos.

A cegueira causada pelo fanatismo religioso, que carrega o ódio como a sua principal arma, faz o escravo bater pal­mas para a escravidão. É o que estamos vendo acontecer: os direitos trabalhistas vilipendiados, a aposentadoria dos pobres ultrajada e o número de miseráveis aumentando dia a dia. Mas os líderes religiosos usam as palavras de Martinho Lutero, que profetizou: “Deus prefere que existam os gover­nos, por piores que sejam, do que permitir que a ralé se rebele e tome o poder”. Portanto, tudo o que o governante faz está protegido por Deus, e o pobre que se conformar ganhará o Reino dos Céus.

O que o ministro da Educação, que não preza por uma conduta ética e educada falou na Câmara dos Deputados esta semana, é algo inimaginável em uma democracia. E este tipo de comportamento se alastra pelo Planalto como erva daninha. O obscuro astrólogo, que vive na terra do Tio Sam, defensor do terraplanismo e crítico ferrenho do grande Paulo Freire, mesmo sem conhecer a sua obra, é o guru do presi­dente Bozo. Este senhor e seus seguidores fanáticos e obtusos saídos do submundo estão dando as cartas, pois essa figura tacanha ataca a Cultura e a Educação para promover um retrocesso jamais visto em nossa recente história.

A maneira mais eficaz para se emburrecer um país é atacar com virulência a base da educação e a produção cientifica das universidades públicas, pois para essa gente tudo que é público é contra o deus mercado. A escola sem partido, os ataques deliberados às universidades públicas, o esvazia­mento da Ancine e o ataque raivoso aos artistas que são os maiores defensores da nossa cultura são as ferramentas destes criminosos para destruir o País. Os demônios ressuscitados pelo fundamentalismo religioso estão entre nós – precisamos iniciar a exorcização!

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