A promotora Carmen Eliza Bastos de Carvalho, do Minis­tério Público do Rio de Janeiro, pediu no final da tarde desta sexta-feira, 1º de novembro, para se afastar do caso Mariel­le Franco (PSOL). Na manhã de quinta-feira (31), fotos de Carmen que mostravam apoio ao presidente Jair Bolsonaro vieram à tona e passaram a ser usadas para colocar em xeque a isenção dela na investigação do assassinato da vereadora e de seu motorista, Anderson Gomes, em março de 2018.

Em uma das imagens, ela aparece ao lado do deputado estadual Rodrigo Amorim, que quebrou uma placa com o nome da vereadora no ano passado. Em carta publicada pelo MP, Carmen disse que a repercussão das fotos afetou seu ambiente familiar e de tra­balho. Defendeu ainda que em nenhum momento seu posi­cionamento político no âmbito pessoal influenciou a atuação no órgão investigativo.

“Nessa perspectiva, em ra­zão das lamentáveis tentativas de macular minha atuação sé­ria e imparcial, em verdadeira ofensiva de inspiração subal­terna e flagrantemente ideoló­gica, cujos reflexos negativos alcançam o meu ambiente familiar e de trabalho, optei, voluntariamente, por não mais atuar no caso da Marielle e An­derson”, escreveu a promotora.

Em nota, o MP informou que os pais da vereadora se reuniram com o Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organiza­do (Gaeco) nesta sexta-feira e defenderam a permanência de Carmen à frente do caso. Ela, porém, pediu para ser afastada.

Carmen estava na coletiva de imprensa em que as pro­motoras do Gaeco afirmaram que o porteiro do condomínio Vivendas da Barra mentiu ao associar Bolsonaro a Élcio Vieira de Queiroz, um dos presos pela morte de Marielle. Elas garanti­ram que quem autorizou a en­trada de Élcio no condomínio foi Ronnie Lessa, vizinho do presidente e acusado de dispa­rar os tiros contra a vereadora.