Associação Núcleo Postos de Ribeirão Preto alerta para escassez de diesel e tendência de alta no preço do combustível
A Associação Núcleo Postos de Ribeirão Preto e Região, que reúne cerca de 100 revendedores, alerta para tendência de novas altas no preço do litro do diesel nas próximas semanas. Desde março de 2026, quando começou o conflito no Oriente Médio, o preço do combustível já acumula cerca de 20% de elevação nas bombas, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).
O principal motivo é a disparada da cotação internacional. O Brent voltou ao patamar de US$ 100 por barril, enquanto os custos de refino do diesel também subiram lá fora. Nesta segunda-feira, 21 de setembro, a diferença (defasagem) entre os preços internacionais e os praticados no mercado interno chegou a 112% para o litro de diesel, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).
“As refinarias brasileiras produzem cerca de 70% do diesel consumido no Brasil. Os outros 30%, que completam a oferta, são importados pela Petrobras e por distribuidoras independentes”, diz Fernando Roca, presidente da Associação Núcleo Postos RP.
“A estatal paga preço cheio lá fora e vende mais barato aqui, bancando a diferença. Já os importadores independentes, que representam grande fatia do mercado, pagam preço cheio no mercado internacional e acabam repassando o custo integral às distribuidoras que, por sua vez, fazem o mesmo para os postos”, emenda.
A alta de preço do diesel ocorre mesmo depois de uma série de medidas destinadas a conter o repasse ao consumidor. Em 17 de setembro, a Petrobras elevou em R$ 1 por litro o preço do diesel A vendido às distribuidoras, mas o aumento foi neutralizado, naquele momento, por uma subvenção federal de igual valor.
Também foi criada uma subvenção de R$ 1 por litro para produtores e importadores de diesel, inicialmente por 30 dias. “Os subsídios reduzem o impacto imediato no preço, mas não eliminam o problema econômico. Se o custo internacional permanecer muito acima do preço doméstico, será necessário compensar essa diferença de alguma forma”, diz Roca.
Segundo ele, será “por meio de novos subsídios, de maior participação da Petrobras no abastecimento ou de reajustes. A equação simples: menos importação mais oferta mais apertada mais demanda elevada igual a maior pressão sobre os preços”, destaca Roca.
Escassez? – Importadores independentes já estão adiando compras, enquanto o volume programado para outubro caiu para uma fração do que normalmente seria esperado para o período. A situação preocupa especialmente porque o próximo mês marca uma fase de maior demanda por diesel, associada ao calendário agrícola.
Não significa, neste momento, que exista desabastecimento generalizado. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e a Petrobras afirmam que os volumes contratados continuam sendo entregues normalmente. No entanto, donos de postos relatam restrições de fornecimento localizadas, atrasos na entrega e dificuldades para obter volumes adicionais de diesel.
ANP – Segundo a mais recente pesquisa da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizada entre 13 e 19 de setembro, , o litro do diesel S500 vendido em Ribeirão Preto custa, em média, R$ 6,62 (entre R$ 6,19 e R$ 7,49), contra R$ 6,51 do levantamento feito entre os duas 6 e 12. São R$ 0,11 a mais, alta de 1,69%. O S10 sai por R$ 7,22 (mínimo de R $ 6,89 e máximo de R$ 7,49), ante R$ 7,03 da semana anterior, acréscimo de R$ 0,19 e aumento de 2,70%.
Impacto mais amplo – Caminhões, ônibus, máquinas agrícolas, transportadoras e equipamentos utilizados na movimentação de mercadorias dependem do diesel. Uma alta persistente aumenta o custo do frete e pode chegar aos preços de alimentos, produtos industrializados, materiais de construção e serviços.
“Gasolina e etanol também podem ser afetados, uma vez que toda a cadeia de distribuição utiliza caminhões movidos a diesel. Se o transporte fica mais caro, parte desse custo tende a ser incorporada aos preços finais”, completa o presidente.
No curto prazo, a melhor estratégia para o consumidor é reduzir desperdícios. No médio prazo, porém, a variável decisiva estará fora dos postos brasileiros: quanto tempo o mercado internacional continuará pressionando o preço do diesel e até onde o Brasil conseguirá absorver essa diferença sem repassá-la ao consumidor?

