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Temporada das baleias-jubarte movimenta Cairu

Baleias-jubarte apresentam comportamentos que podem ser observados durante a temporada migratória, entre julho e novembro, nas águas de Cairu | Todd Cravens/Unsplash

Entre julho e novembro, as águas do arquipélago de Cairu, na Bahia, recebem as baleias-jubarte, que deixam a Antártida e percorrem milhares de quilômetros em direção ao litoral brasileiro. A temporada migratória transforma destinos como Morro de São Paulo e Boipeba em pontos privilegiados para a observação dos animais em seu habitat natural.

Durante esse período, as águas mais quentes do litoral baiano são procuradas pelas jubartes para reprodução, acasalamento e nascimento dos filhotes. Morro de São Paulo, Boipeba, Garapuá e o Banco de Tinharé tornam-se cenários de encontros entre visitantes e um dos maiores mamíferos do planeta.

Com até 16 metros de comprimento e aproximadamente 40 toneladas, as baleias-jubarte chamam a atenção não apenas pelo tamanho, mas também por comportamentos como saltos completos para fora da água, batidas de cauda, movimentos das nadadeiras e a interação entre mães e filhotes.

Observação responsável

A temporada de observação das baleias-jubarte vem consolidando Cairu como destino de turismo de natureza. Embora os avistamentos já ocorressem espontaneamente havia anos, a Prefeitura de Cairu estruturou e regulamentou a atividade, com um modelo de operação voltado à segurança, à conservação ambiental e à experiência dos visitantes.

As baleias-jubarte em sua rota migratória, em passagem por São Sebastião, SP | Créditos: André Santos – PMSS

Os passeios são realizados exclusivamente por agências credenciadas no programa Viva Cairu e por marinheiros que participaram de treinamento oficial promovido pela Secretaria de Turismo da Bahia, em parceria com o Projeto Baleia Jubarte e a Marinha do Brasil.

A capacitação aborda legislação ambiental, normas de segurança, técnicas de navegação e boas práticas para o avistamento responsável, com o objetivo de reduzir o impacto da atividade sobre os animais.

Para este ano, a expectativa é positiva em razão do grande número de baleias já registrado na região.

Como funciona o passeio

As saídas acontecem diariamente, desde que as condições de navegação sejam favoráveis, em embarcações com capacidade para até 15 passageiros.

Em Morro de São Paulo, os passeios partem da Terceira Praia. Em Boipeba, o embarque ocorre no píer da ilha. O roteiro varia conforme a localização das baleias no momento de cada saída e respeita as regras de aproximação e observação estabelecidas pelos órgãos ambientais.

A experiência dura, em média, até quatro horas e conta com o acompanhamento de um guia capacitado pelo Projeto Baleia Jubarte. Durante o trajeto, os visitantes recebem informações sobre a espécie, o comportamento migratório e outras características dos animais.

Como as baleias vivem livremente em seu ambiente natural, não há garantia de avistamento. Os passeios são cancelados ou remarcados quando as condições de navegação oferecem riscos à segurança.

Serviço

Passeio de observação de baleias-jubarte – Temporada 2026

Período: julho a novembro de 2026
Saídas: Terceira Praia, em Morro de São Paulo, e píer de Boipeba
Duração: até quatro horas, conforme as condições do mar e a localização das baleias
Embarcações: capacidade para até 15 passageiros
Valor médio: R$ 400 por pessoa
Idade mínima: não há
Reservas: agências credenciadas pelo programa Viva Cairu
Observação: o avistamento depende do comportamento natural das baleias e das condições de navegação.

Baleias podem ser avistadas no litoral paulista

Quem deseja acompanhar de perto a passagem das baleias-jubarte também encontra opções no litoral paulista. Ilhabela, São Sebastião, Ubatuba e Caraguatatuba integram a rota migratória da espécie, com maior possibilidade de avistamentos entre maio e agosto, especialmente nos meses de junho e julho.

Ilhabela e o Canal de São Sebastião concentram a atividade turística mais estruturada. Em 2025, Ilhabela registrou 836 avistamentos de baleias-jubarte, número recorde segundo a prefeitura. Neste ano, o primeiro registro da espécie no município ocorreu em 16 de abril.

Baleia-Jubarte salta na costa de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, que está em sua temporada de avistamentos | Créditos: Matheus D’aguillar – Divulgação

Além das jubartes, as águas do Litoral Norte podem receber baleias-de-bryde, baleias-francas-austrais, toninhas e diferentes espécies de golfinhos. Em julho deste ano, uma baleia-franca-austral acompanhada de um filhote foi observada no Canal de São Sebastião. A presença da espécie é considerada menos comum na região, pois sua maior concentração ocorre no Sul do país.

Observação responsável

Ilhabela possui empresas credenciadas para a realização dos passeios e criou o selo “Ilhabela, Cidade Amiga das Baleias”, concedido às operadoras que atendem aos critérios de capacitação e observação responsável. A temporada de 2026 foi aberta oficialmente em maio, durante uma oficina que reuniu representantes do Projeto Baleia Jubarte, Marinha do Brasil, Ibama, Fundação Florestal, Instituto Argonauta e Instituto ProBaleia.

São Sebastião também mantém um Programa de Avistamento Responsável, regulamentado por decreto municipal. As iniciativas procuram conciliar o crescimento do turismo de natureza com a proteção dos animais e a segurança dos visitantes.

As embarcações devem respeitar as normas estabelecidas pelo Ibama. Entre as regras estão manter distância mínima de 100 metros com o motor engrenado, não perseguir as baleias por mais de 30 minutos, não bloquear seu deslocamento e evitar ruídos excessivos. Também não é permitido nadar ou mergulhar a menos de 50 metros dos animais.

Como ocorre na Bahia, os passeios dependem das condições do mar e do comportamento natural das baleias. Por isso, o avistamento não pode ser garantido. A recomendação é contratar empresas regularizadas e confirmar previamente horários, valores e condições de navegação.

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