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Transporte pode entrar em colapso

ALFREDO RISK/ARQUIVO

O Consórcio PróUrba­no – grupo concessionário do transporte coletivo na cidade, formado por Rápido D’Oeste (50%) e Transcorp (50%) – di­vulgou nota nesta sexta-feira, 5 de novembro, para infor­mar que atravessa uma crise financeira sem precedentes e não tem caixa para bancar o décimo terceiro salário dos cerca de 600 motoristas e outros funcionários. Desde o início da pandemia de co­ronavírus, o prejuízo chega a R$ 56.792.806,32.

Este valor não contabiliza o prejuízo anterior à crise sanitá­ria e desconta os R$ 11 milhões já repassados pela prefeitura para mitigar o desequilíbrio no setor causado pela pande­mia de coronavírus. Segundo comunicado distribuído pela assessoria de imprensa do con­sórcio, “as empresas estão sem caixa para honrar o 13º salário dos colaboradores e precisam de um suporte financeiro ime­diato, em caráter emergencial”.

Caso não consiga honrar o compromisso, uma nova greve de ônibus pode ocorrer ainda este mês. Uma reunião deve ocorrer na próxima se­mana com a diretoria do Sindi­cato dos Empregados em Em­presas de Transporte Urbano e Suburbano de Passageiros de Ribeirão Preto (Seeturp). Em outubro, o consórcio se­lou acordo com a prefeitura e ofereceu 134 ônibus como caução pelo repasse de R$ 17 milhões que a administração municipal liberou para miti­gar o desequilíbrio.

O PróUrbano diz que des­de a assinatura do contrato de concessão, em maio de 2012, o consórcio vem sofrendo pre­juízos. Foram sucessivos pedi­dos de reequilíbrio contratual desde 2017, acompanhados de laudos técnicos da Fun­dação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), “com­provando a real necessidade. Esse desequilíbrio foi ainda mais agravado pela pande­mia de covid-19. O sistema de transporte foi brutalmente impactado”, ressalta.

O grupo ainda cita a licita­ção aberta pela prefeitura para revisão do contrato de conces­são, mas como este procedi­mento não deve ser concluído este ano, o risco de colapso no setor de transporte é iminente. Como garantia pelo emprésti­mo de R$ 17 milhões, foram oferecidos 68 veículos da Rápi­do D’Oeste e 66 da Transcorp.

A proposta de caução foi encaminhada para o secretário municipal de Justiça, Alessan­dro Hirata, após o consórcio ser notificado oficialmente pela pasta sobre a decisão limi­nar expedida pela juíza Lucile­ne Aparecida Canella de Melo, da 2ª Vara da Fazenda Pública.

Os 68 veículos da Rá­pido D’Oeste totalizam R$ 8.959.376,00. Os 66 ôni­bus da Transcorp valem R$ 8.112.573,00. O total chega a R$ 17.071.949,00. Na mé­dia, cada unidade vale R$ 127 mil. O PróUrbano também apresentou no documento um histórico sobre os motivos que teriam causado o desequilíbrio econômico de R$ 56 milhões.

Segundo o Portal de Trans­parência da prefeitura de Ribei­rão Preto, foram liberados R$ 5 milhões em junho, R$ 2 milhões em julho, R$ 2 milhões em agos­to e R$ 2 milhões em setembro. Os outros R$ 6 milhões serão re­passados nos meses de outubro, novembro e dezembro.

A Secretaria Municipal de Administração abriu lici­tação visando a contratação de empresa especializada que vai realizar os estudos sobre o equilíbrio econômico-finan­ceiro do contrato de concessão do transporte coletivo urbano. O atual contrato, assinado com o Consórcio PróUrbano, está em vigência desde maio de 2012 e vai até 2032.

O edital foi publicado em 31 de agosto e tem custo estimado de R$ 700.435,50, válido por doze meses. A revisão da con­cessão é prevista em contrato e já deveria ter sido feita. No edi­tal, a prefeitura questiona itens que não foram cumpridos pelo consórcio, entre eles o atraso da renovação da frota – deve­ria ter ocorrido em 2016, mas só teve início em 2018.

Também questiona a não implantação de 400 postos de recarga de cartões de trans­porte, a instalação de abrigos nos postos de embarque e de­sembarque e a manutenção e a conservação dos terminais urbanos. A empresa vence­dora da licitação também de­verá fazer o cálculo da tarifa de ônibus, a partir da adoção das medidas e obrigações contratuais previstas no con­trato de concessão.

Hoje a passagem custa R$ 4,20 e está congelada desde ja­neiro do ano passado por de­cisão judicial. Ribeirão Preto possui uma frota de 354 ôni­bus no transporte coletivo que operam 117 linhas. Dados da Empresa de Trânsito e Trans­porte Urbano de Ribeirão Preto (Transerp) indicam que houve um aumento de 132,1% no volume de passageiros em cerca de quatro meses, de aproximadamente 56 mil por dia em junho para 130 mil atu­almente. São 74 mil a mais.

Entre janeiro e setembro, o Consórcio PróUrbano recebeu 450 autuações da Transerp, mais de uma por dia. As multas fo­ram aplicadas por vários mo­tivos, como superlotação de veículos, descumprimento de horários, desvio de itinerários das linhas de ônibus e falta de higienização. O valor total das autuações chega a R$ 113 mil.

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