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Tropas ucranianas resistem em Mariupol

ALEXANDER ERMOCHENKO/REUTERS

O ultimato dado pela Rús­sia às tropas ucranianas em Mariupol para se renderem expirou na tarde desta quarta­-feira, 20 de abril, pelo horário local, sem a rendição em mas­sa. Soldados e civis ucranianos que estão dentro da usina side­rúrgica da Azovstal Iron and Steel Works continuam pro­tegidos em uma área subter­rânea do local, mas possuem apenas dias – ou talvez horas de vida, segundo um coman­dante da marinha da Ucrânia.

O governo de Kiev acusou a Rússia de usar bombas destrui­doras de bunkers para conduzir os ucranianos acima do solo e, nesta quarta-feira, autoridades disseram que um hospital im­provisado perto da fábrica foi bombardeado durante a noite, deixando centenas de pessoas presas sob os escombros.

A Rússia disse mais uma vez que os soldados ucranianos deveriam se render se não qui­sessem ser mortos, mas os ucra­nianos prometeram lutar até a “última gota de sangue”. Em uma série de vídeos, telefonemas e mensagens nas mídias sociais, as forças ucranianas imploraram por apoio internacional para ajudá-las a lutar para escapar – ou obter passagem segura sob a supervisão de terceiros.

“Provavelmente estamos en­frentando nossos últimos dias, se não horas”, disse Serhi Voli­na, comandante da 36ª Brigada de Fuzileiros Navais, da fábri­ca de aço de Azovstal sitiada. “Apelamos e imploramos a todos os líderes mundiais que nos ajudem.”

Volina, falando em uma mensagem de vídeo posta­da no Facebook, disse que as forças ucranianas estavam em desvantagem numérica de dez para um. Embora seja difícil saber quantas pessoas estão nos bunkers, ele afirmou que 500 pessoas ficaram feridas e que “centenas de civis, incluin­do mulheres e crianças” estão ficando sem comida e água.

Dois soldados da siderúr­gica relataram ao The New York Times que as forças rus­sas estavam bombardeando a instalação com tudo o que tinham. Os relatos, juntamen­te com declarações públicas divulgadas na quarta-feira por comandantes ucranianos, polí­ticos locais e outros em comu­nicação com pessoas dentro de bunkers, pintam um retrato de desespero e desafio.

Mariupol, que viveu o pior cenário de guerra desde que as forças russas começaram a cer­car a cidade, chega a uma ba­talha que significa seu controle total com a mesma brutalidade do início. A área ao redor da usina está arrasada. O número de mortos é desconhecido, mas o governo ucraniano estima que seja superior a 20 mil. Há pelo menos doze mil pessoas que ainda vivem na cidade, de acordo com autoridades locais. Antes da guerra, havia 400 mil.

O governo ucraniano afir­mou que chegou a um acordo com os russos para permitir que mulheres, crianças e idosos dei­xassem a cidade a partir das 14h desta quarta-feira. No entanto, acordos anteriores desmorona­ram e as autoridades alertaram que a situação pode mudar ra­pidamente. Não ficou claro se alguém abrigado na fábrica de aço teria permissão para escapar.

O vice-prefeito de Mariupol, Sergei Orlov, disse à BBC nesta quarta-feira que a maioria dos civis que buscaram segurança na siderúrgica o fizeram depois que suas casas foram destruídas ou porque tinham familiares traba­lhando no complexo.

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) mostra­ram que 5,03 milhões de pessoas haviam fugido da Ucrânia por conta da guerra até esta quar­ta-feira, elevando a contagem acima de cinco milhões pela primeira vez. Mais da metade do total, cerca de 2,8 milhões, fugiram, pelo menos a princí­pio, para a Polônia.

Embora muitos tenham fi­cado lá, um número desconhe­cido viajou para outros locais. Além dos refugiados, a ONU diz que mais de sete milhões de pessoas foram deslocadas dentro da Ucrânia – que, antes da guerra, tinha uma popula­ção de 44 milhões de pessoas.

“Eles deixaram para trás suas casas e famílias”, disse o chefe do Alto-comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), Filippo Grandi, no Twitter. “Cada novo ataque destrói suas esperanças. Apenas o fim da guerra pode pavimentar o caminho para a reconstrução de suas vidas.”

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