Presidente dos Estados Unidos fez novas provocações ao primeiro papa americano da história
O presidente Donald Trump (EUA) voltou a provocar o papa Leão XIV na madrugada desta quarta-feira, 15 de abril. O mandatário americano pediu, de forma irônica, que o pontífice fosse informado das, segundo ele, “42 mil manifestantes inocentes e desarmados” mortos pelo Irã “nos últimos dois meses”.
A declaração adiciona mais um capítulo à briga entre o republicano e o líder da Igreja Católica, iniciada no último domingo (12), após Trump dizer que Prevost deveria “parar de ceder à esquerda radical”.
“Alguém pode dizer para o papa Leão que o Irã matou ao menos 42 mil manifestantes inocentes e desarmados nos últimos dois meses, e que o Irã ter uma bomba nuclear é completamente inaceitável? Agradeço a atenção”, escreveu, continuando com o já tradicional encerramento “os Estados Unidos estão de volta”.
Nos últimos dias, Trump intensificou suas críticas a Leão XIV chamando-o de “fraco no combate ao crime e péssimo em política externa”. O primeiro papa americano da história respondeu: “(Jesus) não escuta as orações daqueles que fazem guerras, mas as rejeita, dizendo: ‘Ainda que façais muitas orações, não ouvirei: as vossas mãos estão cheias de sangue’”, declarou, citando a Bíblia.
No fim de semana, o pontífice havia feito uma de suas manifestações mais contundentes sobre o conflito, ao criticar o que chamou de “ilusão de onipotência” que estaria alimentando a escalada de violência entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.
A resposta de Trump veio em tom crítico, afirmando que o papa estaria “errado” em suas declarações sobre a política externa americana. O presidente também acusou o pontífice de adotar posições “fracas” em relação ao combate ao crime e a outras questões de segurança.
Após as declarações do presidente, ao falar com jornalistas a bordo do avião papal, a caminho da Argélia em sua primeira visita ao continente africano, Leão XIV voltou a comentar o caso. “Eu não sou um político”, afirmou o papa. “Não tenho intenção de debater. A mensagem é a mesma: promover a paz”.
Ele também destacou que suas falas não devem ser interpretadas como posicionamentos políticos, mas como parte da missão religiosa da Igreja. “Colocar minha mensagem no mesmo patamar do que o presidente tentou fazer aqui é não compreender qual é a mensagem do Evangelho”, afirmou.
O pontífice ainda declarou não temer o governo Trump e reiterou que seguirá com o que considera ser sua missão espiritual. Do lado da Casa Branca, Trump também descartou qualquer pedido de desculpas e manteve o tom crítico, afirmando não haver “nada pelo que se desculpar”.
Ele reiterou sua posição de que a política americana em relação ao Irã é necessária para impedir o avanço de um programa nuclear no país. Além dos comentários, o republicano também publicou, horas após criticar o pontífice, uma imagem que ampliou a repercussão do episódio. Na ilustração, Trump aparece com uma túnica branca e um manto vermelho em uma cena com forte simbolismo religioso.
Ele toca a testa de um homem deitado em uma cama hospitalar enquanto emanam luzes das mãos, em um gesto associado à cura. A imagem foi publicada sem comentários e posteriormente, o presidente negou qualquer intenção de se equiparar a figuras religiosas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou nesta quarta-feira a “mais profunda solidariedade” ao papa Leão XIV (Robert Francis Prevost), que, segundo ele, vem sendo “atacado por poderosos”. O pronunciamento de Lula, enviado à 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) ocorre em meio às críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao líder da Igreja Católica.
Na terça-feira (14), Lula havia endossado a crítica do papa a Trump. Leão XIV disse que “Jesus não escuta quem faz guerra” e que a ameaça de Trump de destruir a civilização do Irã é “inaceitável”.

