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Turismo

Turismo de pesca avança no país

Pesca esportiva movimenta destinos turísticos em diferentes regiões do país e é apontada como atividade que alia lazer, geração de renda e práticas de conservação ambiental | Divulgação

O turismo de pesca tem registrado crescimento no Brasil e se consolida como um dos segmentos mais promissores dentro do ecoturismo. Com extensa rede hidrográfica, grandes bacias fluviais e ampla diversidade de espécies, o país reúne condições favoráveis para a prática da pesca esportiva, atividade que movimenta economias locais e estimula a conservação ambiental.

Dados dos ministérios da Pesca e Aquicultura e da Agricultura e Pecuária apontam que o Brasil abriga cerca de 9 milhões de pescadores, sustentando uma cadeia formada por aproximadamente 3 mil pesqueiros, 1.700 meios de hospedagem especializados e cerca de 500 campeonatos anuais. O setor gera mais de 200 mil empregos diretos e indiretos.

O Ministério do Turismo também registra a relevância da atividade no cenário internacional. Entre 2018 e 2020, 18,6% dos turistas estrangeiros que visitaram o Brasil tiveram o ecoturismo como principal motivação da viagem.

 

Pantanal e Amazônia lideram procura

Entre os destinos mais tradicionais está o Pantanal, considerado um dos maiores polos de pesca esportiva do mundo. Municípios como Corumbá (MS) e Cáceres (MT) concentram pousadas especializadas e operações náuticas estruturadas, atraindo pescadores interessados em espécies como dourado, pintado e pacu. A atividade é regulamentada por períodos de defeso e cotas de captura, buscando equilíbrio entre turismo e preservação.

Aos aficionados pela pesca uma das opções é Barra Bonita | Foto: Ken Chu – Expressão Studio

Na Região Norte, o estado do Amazonas mantém protagonismo. Cidades como Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro tornaram-se referências internacionais na pesca do tucunaré-açu. O modelo predominante é o da pesca esportiva com prática de “pesque e solte”, estratégia considerada fundamental para a sustentabilidade do setor.

A Ilha do Marajó, no Pará, também integra esse circuito. No município de Soure, a atividade se soma ao turismo cultural e ambiental. Parte da rede de hospedagem local inclui empreendimentos estruturados para receber pescadores e visitantes interessados em experiências integradas à natureza.

 

Sul e Sudeste ampliam estrutura

No Sul do país, o Rio Paraná é eixo estratégico para a atividade. O município de Guaíra (PR) consolidou-se como polo regional de pesca esportiva e esportes náuticos, com oferta organizada de serviços turísticos e hospedagem voltada tanto ao lazer quanto a viajantes em deslocamento profissional.

No Sudeste, cidades às margens do Paraná e do Paranapanema também se destacam. No interior paulista, municípios como Presidente Epitácio exploram a pesca esportiva associada ao turismo náutico e ao calendário de torneios regionais.

Reservatórios formados por usinas hidrelétricas, como os das bacias dos rios Tietê e Grande, atraem pescadores e estimulam atividades complementares, incluindo campeonatos e turismo de fim de semana.

 

Conservação e economia local

Especialistas apontam que a pesca esportiva, quando regulamentada e acompanhada por políticas públicas adequadas, pode se transformar em instrumento de preservação. A valorização econômica das espécies vivas tende a estimular práticas como o “pesque e solte” e a proteção de períodos de reprodução.

Às margens do Rio Paraná, o município de Cardoso, no noroeste paulista, figura entre os destinos procurados por praticantes da pesca esportiva no interior do estado | Foto: Alf Ribeiro – Expressão Studio

Além da atividade em si, o setor impacta diretamente hospedagem, alimentação, transporte, comércio local e serviços náuticos. Em municípios de menor porte, o turismo de pesca representa fonte relevante de renda e alternativa à economia tradicional.

O modelo de visitação estruturada, com orientação técnica, guias capacitados e regras ambientais claras, contribui para reduzir impactos e distribuir renda entre comunidades locais.

Nesse contexto, o turismo de pesca passa a integrar um movimento mais amplo de valorização do ecoturismo no país, em que lazer, conservação e desenvolvimento regional caminham de forma associada, da Amazônia ao Pantanal e do Sul ao interior paulista.

 

Interior paulista reúne polos consolidados para turismo de pesca

Embora o turismo de pesca no Brasil tenha como ícones regiões como o Pantanal e a Amazônia, o estado de São Paulo também mantém polos consolidados para a prática da atividade, especialmente no interior. Com extensa malha hidrográfica e grandes reservatórios, o território paulista oferece estrutura e fácil acesso a destinos voltados à pesca recreativa e esportiva.

Entre os destaques está o noroeste do estado, região cortada pelo Rio Paraná. Municípios como Santa Clara d’Oeste, Guaraci, Cardoso e Icém são tradicionalmente procurados por pescadores em busca de espécies de água doce e de infraestrutura voltada ao lazer às margens do rio.

Outro eixo importante é formado pelas represas ao longo dos rios Tietê e Paranapanema. A região de Anhembi, próxima à represa de Barra Bonita, e o município de Adolfo, às margens do Tietê, figuram entre os destinos frequentemente citados por praticantes da pesca esportiva.

Na Região Metropolitana de São Paulo, as represas Billings e Guarapiranga também concentram pescadores amadores, sobretudo pela proximidade com a capital.

Municípios como Tietê e Igaraçu do Tietê, às margens do Rio Tietê, integram o circuito paulista de pesca recreativa | Foto: Paulo Li – Expressão Studio

Além dos ambientes naturais, São Paulo conta com estrutura organizada de pesqueiros e parques voltados ao lazer. Municípios como Itu, que abriga o Parque Maeda, e cidades da região de Campinas e do centro-oeste paulista mantêm empreendimentos que combinam pesca esportiva com turismo rural e atividades de fim de semana.

Especialistas apontam que a força do turismo de pesca em São Paulo está ligada à acessibilidade, à oferta de hospedagem e à proximidade com grandes centros urbanos. Embora não tenha a escala de biomas como o Pantanal, o estado reúne condições favoráveis para a prática regulamentada da atividade, associando lazer, geração de renda e uso sustentável dos recursos hídricos.

Para o setor turístico, a tendência é que a busca por experiências ao ar livre continue estimulando destinos paulistas que integram pesca, natureza e infraestrutura organizada.

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