| Por: Adalberto Luque |
Gravação registra compra de combustível menos de uma hora antes de o magistrado ser encontrado morto dentro de carro incendiado
Um vídeo de uma câmera de segurança mostra o juiz Gustavo de Castro Campos comprando gasolina em um posto de combustíveis pouco antes de ser encontrado morto dentro de um carro incendiado. O magistrado foi localizado na noite de quarta-feira (7), em uma área rural de São João da Boa Vista, a cerca de 180 km de Ribeirão Preto. A Polícia Civil continua investigando as circunstâncias da morte.

As imagens registram a chegada do juiz ao posto às 18h43. Ele aparece com um galão de cinco litros, que entrega a um frentista para abastecimento. Três minutos depois, às 18h46, deixa o estabelecimento com o recipiente cheio.
Por volta das 19h15, o veículo do magistrado foi encontrado em chamas na região da Fazenda Aliança. Um trabalhador que atuava nas proximidades tentou conter o fogo jogando terra sobre o automóvel com uma retroescavadeira. A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros foram acionados.
Após o controle das chamas, o corpo foi encontrado no interior do carro. O galão de gasolina também estava no veículo, próximo aos pedais. A Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do magistrado foi encontrada no automóvel.
A investigação busca esclarecer as circunstâncias da morte. Nenhuma hipótese foi descartada, incluindo suicídio e homicídio. Exames do Instituto Médico-Legal (IML) identificaram lesões que se estendiam da cabeça até parte do tórax, mas não foram constatadas marcas de ferimentos por arma de fogo ou arma branca. A dinâmica dos fatos e a relação entre a compra do combustível e o incêndio ainda precisam ser esclarecidas.
Relembre o caso
Gustavo de Castro Campos era juiz de direito da 2ª Vara da comarca de Mococa, vinculada ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). O corpo foi encontrado na noite de quarta-feira (7), dentro do veículo incendiado em uma área rural de São João da Boa Vista, próxima à divisa com Minas Gerais.
Na primeira análise do caso, não foram identificadas marcas de tiros ou facadas. A identificação do magistrado foi confirmada por documentos encontrados no carro. A perícia e os exames realizados posteriormente passaram a integrar a investigação.
Formado em Direito pelo Centro Universitário Braz Cubas, em Mogi das Cruzes, Gustavo tinha duas especializações e trabalhou durante dez anos como advogado antes de ingressar na carreira pública.
Em 2014, tornou-se delegado da Polícia Civil do Espírito Santo e, no mesmo ano, começou a atuar como juiz substituto na Justiça capixaba. Posteriormente, ingressou no TJSP, onde trabalhou nas comarcas de Tambaú e Leme antes de assumir a 2ª Vara de Mococa.
O Tribunal de Justiça de São Paulo divulgou nota de pesar pela morte do magistrado e destacou sua dedicação e contribuição ao longo da carreira.



