Tribuna Ribeirão
DestaquePolítica

Grevistas acuam o prefeito Nogueira

O prefeito Duarte Nogueira Júnior (PSDB) passou por uma saia justa nesta sexta-feira, 13 de abril. Funcionários públicos em greve decidiram atrapalhar a cerimônia de reinauguração da herma do Barão do Rio Branco, em frente à sede da prefeitura de Ribeirão Preto, e alguns de­les “acuaram” o tucano. Duas mulheres chegaram a colocar o dedo em riste na cara do chefe do Executivo, que não recuou e retirou a cobertura do mo­numento depois de comandar solenidade no Salão Nobre do Palácio Rio Branco.

A greve completou quatro dias ontem e parece que o em­bate ainda vai longe. Apesar das liminares expedidas pela Justiça que limitam o movimento pare­dista, o Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto (SSM/RP) decidiu usar a mesma tática do ano passado e requereu a escala de todos os funcionários do Departamento de Água e Es­gotos (Daerp), com nome, fun­ção, local e horário de trabalho.

O pedido foi feito durante audiência na tarde desta sexta­-feira, na 1ª Vara da Fazenda Pú­blica. Na segunda-feira (9), antes do início da greve, o juiz Regi­naldo Siqueira concedeu liminar ao Daerp em que praticamente proíbe a paralisação de funcio­nários da autarquia. Segundo o magistrado, o sindicato é obriga­do a manter 100% de toda a área operacional e de atendimento ao público durante o movimen­to paredista. Já as demais áreas são obrigadas a manter 80% do quadro. A tutela cautelar ainda impõe multa diária de R$ 20 mil em caso de descumprimento. A autarquia tem 898 funcionários. A prefeitura garante que não houve paralisação ontem.

Já a juíza Luísa Helena Car­valho Pita, da 2ª Vara da Fazen­da Pública, concedeu liminar à prefeitura na terça-feira (10) e determinou a manutenção de 100% do atendimento nas se­cretarias da Educação, Saúde e Assistência Social e 60% nas demais repartições. A magistra­da também proibiu piquetes e impôs multa diária de R$ 20 mil em caso de descumprimento da ordem judicial. Na tutela caute­lar, consta também que o SSM/RP teria oito horas após a noti­ficação para cumprir a decisão. Enquanto isso, alunos estão sem aulas em algumas escolas mu­nicipais e consultas estão sendo remarcadas nos postos de saúde.

Dois oficiais de Justiça esti­veram na manhã de quinta-feira no sindicato e saíram de lá irri­tados. Ninguém quis assinar a intimação. Segundo Tony Rios, disseram que somente o pre­sidente Laerte Carlos Augusto poderia receber o documento. O oficial explicou que estava ci­tando a entidade, e não a pessoa física, mas não adiantou. Ele leu o teor na frente de todos e reme­teu o caso ao juízo.

Nesta sexta-feira, a comissão de negociação do sindicato e a da prefeitura voltaram a se reu­nir no Palácio Rio Branco. “Con­versamos e saímos com o com­promisso do secretário da Casa Civil em exercício, Antonio Daas Abboud, de que levaria nossa cobrança por uma pro­posta melhor para o restante da comissão do governo e nos daria uma resposta no perío­do da tarde”, revela Laerte. “O governo endureceu o jogo e não fez nova proposta. Então levamos ao conhecimento dos trabalhadores, durante assem­bleia, que o cenário permaneceu como o da noite de quinta-feira (12)”, completa o presidente.

A última proposta da prefei­tura foi rejeitada pela categoria na quinta-feira. A administra­ção ofereceu reajuste salarial de 2,06%. Cerca de 80% dos ser­vidores presentes votaram pela paralisação, enquanto os demais 20% preferiam aceitar a oferta e retornar ao trabalho. Nesta sex­ta-feira, os servidores optaram por continuar em greve.

A prefeitura elevou de 1,81% para 2,06% a proposta de reajus­te salarial com base no Índice Na­cional de Preços ao Consumidor (INPC) de janeiro de 2017 a janei­ro de 2018. O mesmo percentual seria aplicado ao vale-alimentação – que passaria de R$ 862 para R$ 879,75 –e à cesta básica nutricio­nal dos aposentados, pagos em parcela única.

“O máximo que consegui­mos é mudar a data-base para o INPC, usada pela maioria dos municípios”, disse Daas Abboud. A prefeitura também apresentou mais duas propostas. A primeira prevê a alteração na data de pa­gamento dos salários, que pas­saria a ser efetuado na primeira quarta-feira de cada mês ou no quinto dia útil, respeitando a data mais benéfica ao servidor. A segunda foi a regulamen­tação do atestado médico de meio-período.

Nesta sexta-feira, quarto dia de greve geral do funcionalis­mo, a adesão seguia em cerca de 70%, segundo o sindicato. Os setores mais atingidos são o Da­erp (86%), as secretarias muni­cipais da Saúde, Infraestrutura, Obras Públicas e Meio Ambien­te (com 80% de paralisação em cada), Fazenda e Planejamento e Gestão Ambiental (60% cada), Guarda Civil Municipal (GCM, com 56%), Educação e Admi­nistração (50% cada). A Cultura teve a menor adesão (35%).

A prefeitura tem números bem mais modestos e afirma, em nota, que a adesão foi de 10,06%. Dos 9.988 servidores, 1.005 aderiram à greve. Os da­dos levantados pela Secretaria de Administração mostram que na Educação 21,19% dos pro­fissionais declararam greve. Na Assistência Social, o índice caiu para 6,54%. Na Fazenda, dos 240 funcionários, 27 estão em greve, representando queda de 11,25%.

Na Secretaria de Cultura, na parte da manhã, 12 dos 92 servidores estavam parados, re­presentando 13%. Na área da Saúde, balanço oficial indica que dos 3.026 funcionários efetivos, a adesão foi de 201, o que repre­senta 7,01% do total. O Daerp informou que não houve parali­sação na autarquia. Todas as uni­dades funcionam normalmente.

O sindicato pede reajuste de 10,8%, mesmo índice de reposi­ção sobre o valor atual do vale­-alimentação e da cesta básica nutricional dos aposentados. O pedido dos trabalhadores faz referencia à correção da infla­ção nos últimos doze meses, de 2,93% medido pelo Índice Na­cional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do Instituto Bra­sileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – indexador oficial –, mais aumento de 7,87% referen­te ao crescimento orçamentário na arrecadação.

Segundo a administração, o INPC é o mesmo indexador utilizado nas negociações dos últimos anos em Ribeirão Preto, inclusive em comparação com outras administrações munici­pais. No entanto, é o percentual mais baixo dos últimos dez anos. A prefeitura diz que o reajuste de 10,8% implicaria em impac­to de R$ 120 milhões por ano na folha de pagamento.

No ano passado, após a mais longa greve da categoria, que du­rou 21 dias e terminou em me­ados de abril, os servidores acei­taram reajuste salarial de 4,69% em duas parcelas – a primeira ficou fixada em 2,35% no mês de março e 2,34% para setem­bro. Também receberam uma reposição de 4,69% em parce­la única retroativa a março no vale-alimentação e na cesta básica nutricional dos aposen­tados. Nenhum dia foi descon­tado dos grevistas.

VEJA TAMBÉM

Corinthians encara Vitória no Barradão

Redação

Queda de aeronave termina com vítima fatal em área rural

Eduardo Ferrari

Seleção feminina duela com Canadá pela Fifa Series

Redação

Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade. Aceitar Política de Privacidade

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com