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Fim da Jornada 6×1: nem Bíblia concorda

Tarcísio Corrêa de Melo *
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O livro mais sagrado do mundo, a Bíblia, narra em seu primeiro capítulo o relato da criação do mundo, do universo e da humanidade (Gênesis cap. 1). O texto fala de como o Criador do nada fez o todo e tudo, caprichosamente a narrativa expõe como que O Todo Poderoso, paulatinamente, durante seis dias, foi criando e dando forma ao que hoje conhecemos por universo. O nosso planeta terra foi agraciado de forma especial, sendo contemplado com fauna e flora magnífica e, neste contexto, também nós, seres humanos fomos criados.

Conforme está escrito, o Criador de tudo, laborou durante seis dias consecutivos para concretizar Sua grande obra e, no final deste dia viu o resultado de Sua criação e considerou tudo o que havia feito como muito bom.

Nos primeiros versículos do capítulo 2º do livro de Gênesis, mais precisamente nos versículos 1 e 3 assim está escrito: “Assim foram concluídos os céus e a terra, e tudo o que neles há. No sétimo dia DEUS já havia concluído a obra que realizara, e nesse dia descansou.”

Eis aí o primeiro relato da criação da JORNADA 6×1.

Como se diz aqui no Brasil:“em time que está ganhando, não se mexe”,mas nesta terra em que o populismo e a narrativa imperam, os ditos reinventores da roda, puseram as mãos à obra e querem recriar o calendário semanal de trabalho.

O fato é que os nossos governantes querem alterar este tradicional e aceito modelo de trabalho por um novo sistema onde se reduzem os dias ou as horas semanais trabalhadas, mas a remuneração pecuniária não pode ser reduzida. Será que nossos mandatários estão ficando loucos? Ou é só demagogia e populismo em um ano eleitoral mesmo?

Uma formula desta seria o melhor dos mundos, onde se trabalha menos e se continua ganhando igual. Porém, é uma jogada muito perigosa e, que a médio prazo, pode levar o país à falência.

As relações de trabalho no Brasil já são por demais apertadas, a enorme carga tributária, os altos custos de produção e exacerbada legislação trabalhista tornam quase que inviável se empreender em negócios e empresas aqui nesta nação.

A fuga de diversas empresas para países como o Paraguai e Uruguai ou ainda mais o próprio agro, maior setor produtivo do país, também já busca alternativas fora de nosso território, como é o caso da nova fronteira agrícola que se está criando na vizinha Guiana, onde o governo daquele país recebe os agricultores brasileiros de braços abertos, oferecendo à estes as vantagens e incentivos que lhe são negadas em nossa própria nação.

Infraestrutura, menor carga tributária, leis trabalhistas mais justas, tudo o que não temos aqui os nossos vizinhos estão nos oferecendo para que levemos a nossa estrutura e nosso know-how produtivo para terras além de nossas fronteiras. Isso é bom para o Brasil?

A “vaquinha mimosa” que dava 20 litros de leite por dia (sete dias por semana… rsrs) e alimentava cerca de 10 famílias vai ser abatida para fazer um grande churrasco para os “donos da fazenda”. Vão se banquetear e lamber os beiços por alguns dias, mas e depois, todos ficarão sem o leitinho de cada dia. Esta é a conta que se paga pela falta de inteligência.

A redução da jornada de trabalho, em um primeiro momento, pode ser vista como uma grande conquista dos trabalhadores, mas, quando esta redução impactar na diminuição da produção, ganhos e empregos aí todos sentiram a grande falta que a “vaquinha mimosa” estará fazendo.

Os empresários e empreendedores brasileiros não poder ser vistos como vilões, pois são das empresas destes verdadeiros heróis que os pais de família levam o pão para suas casas. É preciso ter muita coragem para se arriscar e empreender no Brasil, um país de incertezas e instabilidade político-econômica.

O trabalho dignifica o homem e o justo descanso também é merecido, mas tudo na medida certa, pois o exagero, apesar de ser aplaudido momentaneamente, pode ser a causa de muito choro nos dias vindouros.

* Jornalista, Empresário é membro do Conselho Deliberativo da ACIRP

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