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Resistir ao retrocesso é o único caminho

Foto: Arquivo

José Eugenio Kaça *
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A educação é uma ferramenta usada para que uma geração transmita os conhecimentos, valores moras e as tradições para as novas gerações, mas como o ser humano está sempre evoluindo, principalmente nas tecnologias, as tradições e os costumes vão se transformando. No passado a educação formal era repressora, por conta da tradição, as crianças e os adolescentes não eram sujeitos de direito, e como isso uma educação violenta e repressora era encarada com normalidade.

Entretanto, um modelo de educação repressiva vai criando nos jovens um sentimento de revolta, e um desejo de mudança passa a fazer do seu cotidiano. O Movimento Humanista marcou a transição da Idade Média para a Idade Moderna, colocando o ser humano no centro de todas as coisas, já o Movimento Iluminista colocou a razão e o conhecimento, se opondo a tradição religiosa promovendo a liberdade individual – e com mais liberdade a humanidade avançou.

No Brasil, até meados do século passado, crianças e adolescente não tinham voz nem vez, eram tido como incapazes, e qualquer direito era exercido por quem detinha o poder familiar, como pais e tutores; não eram sujeitos de direito. Mesmo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada em 1948 garantisse que todo o ser humano era sujeitos de direto, foi somente com a Promulgação do (ECA), Estatuto da Criança e do Adolescente que as crianças e os adolescentes passaram a ser sujeitos de direito. Entretanto, o ECA foi considerado pelos “conservadores”, como sendo uma Lei avançada demais para o Brasil, era uma Lei para países do “primeiro mundo”, e como bons lambe-botas nunca acreditam no poder do povo brasileiro, e se dizem “patriotas”.

A evolução humana do ser humano bateu no teto, e o século 21, que segundo os otimistas seria o século da concórdia; virou do avesso, e passou a sr o século da discórdia, e o retorno das ideias fundamentalistas calçada na religião floresceram e está tomando conta do cotidiano, e com isso a velha violência contra a pessoa humana que permeou a Idade Média está voltando com mais virulência ainda. Como pensar em um mundo melhor, onde a solidariedade e a empatia sejam praticadas diuturnamente, se o que vemos é cada vez mais a iniquidade se proliferando.

Os políticos enchem a boca para falar do futuro dos jovens brasileiros, mas o que vemos são falas desconectadas da realidade, criando um mundo paralelo obstruindo o caminho dos jovens. O crescimento vertiginoso dos fundamentalistas religiosos na política vai criando um Estado teocrático, e a laicidade e o livre pensar expressado na Constituição são perseguidos sistematicamente.

Entretanto, a juventude como fez nos anos 1960 está se rebelando, não com os manifestos de rua que ocorreram na época, mas um manifesto silencioso, com atitudes solidárias e humanas, que aos poucos vão mudando o universo das convivências do mundo jovem. Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo em parceria com a Universidade de São Paulo mostrou que 42% dos jovens se declaram sem religião, não que sejam ateus, acreditam em Deus e nas energias do universo, não se prendem a uma única crença. Observando estes jovens no ambiente escolar e na vida cotidiana vemos que praticam mais a solidariedade e empatia, aceitam com naturalidade a diversidade sexual procurando entender a escolha de cada um. E o número de jovens sem religião só esta aumentando.

A juventude, historicamente sempre foi contestadora e rebelde a procura do novo. As práticas utilizadas pelas denominações religiosas, onde o dinheiro vem primeiro lugar, despertou nestes jovens um sentimento de repulsa contra a monetização da fé. O que estamos vendo acontecer no mundo da política no Brasil é a tentativa de transformar o Estado laico em Estado teocrático, e essa ideia caminha a passos largos. Porém, a pesquisa das universidades, nos mostra que podemos ter esperanças, pois o número de jovens sem religião só cresce. Acreditar é a palavra de ordem. Estes jovens e suas ideias progressistas vão ser o futuro, e mesmo com todas as ideias retrógadas impingidas pelo governante da vez, a juventude esta resistindo e mostrando que o caminho da solidariedade e da empatia é mais eficaz.

* Pedagogo, líder comunitário e ex-conselheiro da Educação

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