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Retomar concursos públicos para Ribeirão avançar de verdade

Valdir Avelino *
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A qualidade dos serviços públicos depende de uma decisão básica que muitos gestores insistem em querer evitar: ter servidores públicos efetivos em número suficiente. Não se trata de detalhe técnico, nem de escolha secundária. Onde faltam servidores concursados, os serviços falham, o atendimento piora e a população sente no dia a dia.

Durante anos, espalhou-se a ideia de que o serviço público no Brasil seria grande demais, caro e ineficiente. Essa frase se repete com facilidade, mas não se sustenta quando se olha para os dados. Estudos do Ipea e da OCDE mostram que o Brasil tem menos servidores públicos, proporcionalmente, do que a maioria dos países desenvolvidos. Menos do que seria minimamente necessário para atender um país grande, populoso e com tantas desigualdades como o Brasil.

Na prática, a máquina pública funciona hoje com equipes sobrecarregadas. Muitos serviços só continuam existindo porque os servidores assumem mais tarefas do que deveriam, tentando compensar, com esforço pessoal, aquilo que deveria ser resolvido com planejamento e contratação adequada. Isso não é eficiência. É improviso!

Essa falta de servidores aparece com clareza nas cidades. Basta observar o dia a dia das unidades de saúde, das escolas, do saneamento, do trânsito, da assistência social e de tantas outras áreas fundamentais. O problema se repete em todos os setores: não há pessoal suficiente. Enquanto a população cresce e as demandas aumentam, o número de servidores diminui. Aposentadorias se acumulam e quem fica precisa dar conta de mais trabalho, muitas vezes sem estrutura e sem o necessário reconhecimento.

Diante disso, é impossível fugir da conclusão: o concurso público é essencial. Ele não é luxo, nem escolha política. É a forma correta, legal e segura de garantir que os serviços continuem funcionando. Sem concurso, não há reposição de servidores. Sem reposição, o serviço público perde qualidade e alcance.

Além disso, a ausência de novos concursos públicos e o desrespeito em não convocar os aprovados em concursos já realizados contrariam a Constituição, que determina que o ingresso no serviço público deve ocorrer por meio de concurso, garantindo igualdade de acesso, transparência e profissionalismo. Ignorar a regra do concurso público não é apenas um erro jurídico. É uma escolha que prejudica o atendimento à população, substituindo servidores preparados por contratos temporários, terceirizações instáveis e alta rotatividade de trabalhadores.

Os efeitos dessa escolha estão visíveis em grandes cidades, inclusive na capital do nosso estado. O abandono dos concursos e a aposta excessiva na terceirização levaram a situações graves. Na capital do estado mais rico do país, quando chove, falta luz; quando não chove falta água. Serviços básicos entram em colapso, a resposta do poder público é lenta e a população fica desamparada. Isso não acontece por acaso. É o resultado direto de um modelo que enfraquece o serviço público e fragmenta responsabilidades.

Concursos públicos são, portanto, a base de uma gestão séria. São eles que permitem recompor equipes, organizar setores e recuperar a capacidade do município de atender bem sua população. Repor servidores efetivos é investimento no funcionamento da cidade. É garantir que os serviços cheguem a quem precisa, no tempo certo e com qualidade. É cuidar do presente e planejar o futuro.

* Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis

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