Cortes de carne bovina como fraldinha, filé mignon, picanha e costela registraram queda de preço entre 1,39% e 9,85% no período
O churrasco dos paulistas ficou mais barato no ano passado graças ao quarteto fraldinha, filé mignon, picanha e costela. Os cortes tradicionais da carne bovina apresentaram as quedas mais expressivas de preço ao longo de 2025, aponta o Índice de Preços dos Supermercados (IPS), levantamento realizado pela Associação Paulista de Supermercados (Apas) em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
A fraldinha lidera o ranking, com redução de 9,85% no período, seguida pelo filé mignon com 9,71% a menos, a picanha, com queda de 3,6% e a costela com baixa de 1,39%. Segundo o economista-chefe da Apas, Felipe Queiroz, os preços da carne bovina refletiram, em 2025, a combinação entre a expansão das exportações e o fortalecimento da demanda no mercado interno e externo.
“Após um período inicial de preços mais altos, impulsionados pela forte demanda externa e pelo ciclo da pecuária, o mercado passou por ajustes ao longo do ano. Mesmo com o ‘tarifaço’ anunciado pelo governo de Donald Trump no início de agosto, o setor demonstrou resiliência”, destaca o economista.
Emprego – O setor supermercadista da região de Ribeirão Preto fechou 2025 com saldo positivo na geração de empregos, mas ainda enfrenta dificuldades para preencher vagas. De acordo com levantamento da Apas, a regional de Ribeirão criou 1.002 postos de trabalho ao longo do ano e ainda manteve 2.719 vagas em aberto neste início de ano.
O cenário local acompanha a tendência observada em todo o Estado de São Paulo. Segundo a Apas, mais de 2.800 novos supermercados foram inaugurados nos primeiros nove meses de 2025, o que resultou na criação de 18.870 empregos formais – número 41% maior do que o registrado no mesmo período de 2024. Mesmo assim, o setor encerrou o período com mais de 36 mil vagas não preenchidas no Estado.
Para a entidade, o volume de vagas abertas é consequência direta da expansão da rede de lojas. “Mesmo com a abertura líquida de quase 19 mil postos de trabalho, o crescimento do setor ainda exige mais profissionais do que o mercado consegue oferecer”, avalia Felipe Queiroz.
Os dados da associação indicam que as vagas abertas se concentram, principalmente, nas áreas de atendimento ao público e abastecimento das lojas. Segundo a Apas, o cargo de operador de caixa responde por 22% das vagas disponíveis no Estado. Em seguida aparecem repositor (17%), açougueiro (13%) e operador de frios e laticínios (12%).
O levantamento também mostra uma mudança no perfil dos trabalhadores contratados. Ainda segundo a Apas, jovens entre 18 e 24 anos representaram 34% das admissões em 2025, enquanto profissionais de 50 a 64 anos responderam por 24%, indicando maior diversidade etária no setor.
Polo regional – Para a diretoria regional da Apas, Ribeirão Preto vem se consolidando como um dos polos do varejo alimentar no interior paulista. O diretor regional da entidade, José Carlos Rinaldi, afirma que a expansão das redes na cidade e em municípios vizinhos explica tanto o crescimento do emprego quanto a permanência de vagas em aberto.
Sobre a Apas – Com 54 anos de tradição, a Associação Paulista de Supermercados (Apas) representa o essencial setor supermercadista no estado de São Paulo e busca integrar toda a cadeia de abastecimento com a sociedade.
A entidade possui três distritais na cidade de São Paulo e 13 regionais distribuídas estrategicamente pelo estado. Conta hoje com mais de 1.650 supermercados associados que somam cerca de 27 mil lojas e mais de 669 mil pessoas empregadas em 645 cidades.
Tem potencial de expansão de mais 34 mil vagas em diferentes funções. José Carlos Rinaldi (Supermercado 3Jota) é o diretor da Regional Ribeirão Preto da Apas, responsável pela representação do setor em 81 cidades. Tem 116 associados e 2.066 lojas em toda sua área de cobertura.
Em 2024, o setor supermercadista paulista registrou um faturamento de R$ 328 bilhões, o que representa um crescimento de 3% em relação ao ano anterior, já descontada a inflação. O resultado em São Paulo chega a 30,7% da participação no faturamento do setor no país e a 9,7% do Produto Interno Bruto (PIB) paulista.

