Foram consultadas imobiliárias em várias cidades da região metropolitana; vendas e locações caíram em março após alta em fevereiro
A pesquisa do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (CreciSP) comparou os mercados de venda e locação de casas e apartamentos em março com os resultados obtidos em fevereiro . Foram consultadas imobiliárias que atuam em cidades da Região Metropolitana de Ribeirão Preto.
Segundo o CreciSP, a queda nas vendas e nas locações é reflexo de um movimento claro de acomodação após meses de forte expansão e indica um cenário de ajuste natural, típico de mercados que passaram por ciclos recentes de crescimento acelerado. As vendas recuaram 1,51% em março, após alta de 103,70% em fevereiro e retração de 47,25% em janeiro e 1,87% em dezembro.
Antes, houve alta de 10,29% em novembro e duas baixas consecutivas, de 11,48% em setembro e 6,58% em outubro, depois de disparar 23,92% em agosto. Caiu 27,32% em janeiro de 2025 – fechou o ano passado com crescimento acumulado de 1,01%. Terminou 2024 com alta acumulada de 86,41%, após elevação de 0,91% em 2023. Avança 54,94% no primeiro trimestre de 2026.
O volume de novos contratos de locação assinados em março caiu 19,91%, após crescimento de 8,93% em fevereiro de 61,84% em janeiro. Houve retração de 56,70% em dezembro, após disparar 85,87% em novembro. Registrou baixa de 50,43% em outubro.
Vinha de alta de 63,30% em setembro e queda de 14,42% em agosto. Recuou 45,06% em janeiro de 2025. Encerrou o ano passado com alta acumulada de 256,37%. O crescimento em 2024 foi de 516,91%. Fechou 2023 em baixa de 87,34%. Avança 50,86% no primeiro trimestre de 2026
Segundo o CreciSP, as vendas de casas responderam por 48% dos negócios e os apartamentos ficaram com 52% do mercado em janeiro. Quando o assunto é aluguel, 64% optaram por unidades térreas ou sobrados e 46% dos locatários prefere morar em imóveis em edifícios.
A dinâmica observada reflete um conjunto de fatores econômicos e sociais. A elevação dos preços nos meses anteriores, aliada à maior seletividade do consumidor, tende a reduzir o volume de negócios no curto prazo. O comportamento do crédito, o nível de renda das famílias e a percepção de estabilidade econômica também influenciam diretamente a decisão de compra e locação.
Ao mesmo tempo, há sinais de maturidade do mercado: compradores mais cautelosos, negociações mais criteriosas e maior busca por imóveis com melhor relação custo-benefício. A estrutura de preços evidencia um mercado dividido entre dois perfis predominantes.
Os valores médios das casas e apartamentos vendidos ficaram nas faixas de menor valor, com destaque para imóveis de até R$ 200 mil, que representaram 33% das vendas. Também houve participação relevante de unidades acima de R$ 501 mil, com 25,9%, além de uma forte presença intermediária entre R$ 301 mil e R$ 400 mil (24,1%).
Segundo o CreciSP, 34,1% das propriedades vendidas em março estão na periferia e outras áreas das cidades, 17,1% nas regiões centrais e a grrande maioria ,48,85%, nas áreas nobres. Esse cenário demonstra coexistência entre demanda por primeiro imóvel e aquisições de maior padrão, mantendo o nível geral de preços elevado.
Sinaliza preferência por bairros consolidados, com infraestrutura completa, segurança e valorização patrimonial. Com relação às modalidades de venda, as transações à vista lideraram em março com 43,5%, seguidas pelo financiamento pela Caixa Econômica Federal (30,4%) e por outros bancos (13%). A negociação direta com proprietários representou 10,9%.
Locações – Os valores de aluguel concentraram-se majoritariamente até R$ 1.500, somando 58,8% dos contratos, reforçando o movimento de busca por moradias mais acessíveis. A predominância é de unidades de três dormitórios (60%) e áreas entre 51 metros quadrados e 200 m².
Segundo o CreciSP, 76,2% dos contratos ocorreram nas demais regiões, evidenciando migração para áreas com menor custo e maior oferta de espaço. O fiador permanece como principal garantia (32,1%), seguido pelo seguro-fiança (28,6%) e títulos de capitalização (25%).
O depósito caução teve participação reduzida, com apenas 7,1%. A maior parte das vendas ocorreu com descontos moderados, sendo 42,6% com redução de até 5% em relação ao valor anunciado e 27,8% fechadas pelo preço original.

