Por: Adalberto Luque
A Polícia Civil e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) estão realizando, na manhã desta terça-feira (10), uma operação para combater uma organização criminosa especializada em roubos a agências bancárias na modalidade conhecida como “novo cangaço”. A ação ocorreu simultaneamente nas cidades de Ribeirão Preto, Cravinhos, Jacareí, Taboão da Serra, Embu das Artes e São Paulo.
A ação, denominada Operação “Volante”, foi conduzida pela Delegacia de Cravinhos, com participação do Gaeco do Ministério Público de São Paulo (MPSP). A operação teve como objetivo o cumprimento de 20 mandados de busca e apreensão e 10 mandados de prisão, expedidos pelo Poder Judiciário.
A investigação apontou a atuação estruturada, estável e permanente de um grupo criminoso voltado à prática de crimes graves, especialmente roubos a bancos com emprego de violência armada e uso de meios tecnológicos sofisticados.
Os criminosos escolhiam cidades de pequeno porte, com menos de 100 mil habitantes e com localização estratégica, com várias opções de rotas de fuga para os criminosos. Os praticantes do “novo cangaço” normalmente chegam às cidades com armas de grosso calibre e explosivos, rendem moradores e clientes da agência bancária a ser assaltada e os fazem de escudo no caso de uma ação policial ocorrer enquanto o assalto é praticado.
Há casos em que a prática é noturna e quem estiver na rua pode se ver em meio a fogo cruzado. Usam carros blindados roubados ou furtados, costumam atacar postos policiais, contam com drones e coletes balísticos e fogem usando as rotas planejadas e alternativas, caso haja algum certo sendo feito.
A deflagração da operação ocorreu diante da iminência de um ataque a uma agência bancária de Cravinhos, o que exigiu atuação rápida, coordenada e preventiva.

A organização já estava se organizando para o assalto no estilo “novo cangaço” contando com fuzis, coletes balísticos, dinamites, veículos blindados e outros itens. O problema, para os criminosos, foi a prisão do líder do grupo, conhecido por “Marighella”, preso em flagrante em um carro com placas adulteradas e uma arma de fogo.
O homem foi preso em julho do ano passado. As investigações começaram após a prisão do líder do grupo.
A Polícia Civil concluiu que a organização criminosa planejava utilizar fuzis de alto poder ofensivo, inclusive calibre .50, além de veículos blindados, artefatos explosivos, drones e outros equipamentos táticos, característicos de ações com alto grau de violência.
Além dos policiais civis de Cravinhos, integraram a força-tarefa para cumprir os mandados agentes da Divisão Especializada de Investigação Criminal (DEIC) de Ribeirão Preto e São José dos Campos, policiais civis de delegacias especializadas da Capital, como Goe, Demacro, Dope, Ger e Garra, policiais civis da Delegacia Seccional de Ribeirão Preto e policiais militares do Comando de Operações Especiais (COE), 11º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) e do 51º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I).
Segundo o diretor do Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter-3), Jorge Amaro Cury Neto, o grupo era organizado por núcleos. O delegado explica que tinha o grupo de arrebatamento (responsável pelo assalto), financeiro, armamento pesado, veículos de fuga, entre outros. “Era uma coisa muito bem estruturada”, explicou.
Os policiais cumpriram 10 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão. Uma mulher foi presa em Cravinhos e um homem em Embu das Artes. No total, nove pessoas foram presas durante o cumprimento dos mandados de prisão e um segue foragido. As investigações prosseguem..

