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A Colômbia e sua Literatura (67): Rafael Chaparro Madiedo

Rosemary Conceição dos Santos*

 

De acordo com especialistas, Rafael Chaparro Madiedo é um escritor colombiano que, convivendo com os amigos queridos na infância, amadureceu de modo saudável, fazendo dessa convivência tema de diversos artigos jornalísticos seus. Estudando na Escola Helvetia, ali desenvolveu inclinação literária, que se manifestou em sua participação em peças teatrais. Ao lado da literatura, seu amor pelo basquete, modalidade na qual chegou a participar de competições, fez de Chaparro Madiedo uma figura especial: não era apenas o intelectual com um cigarro na boca que se podia ver em suas fotografias, mas alguém com um grande senso de humor que, desde criança, apreciava esportes e jogos, era fã de futebol e gostava de passar tempo com os amigos.

Ingressando na Universidade dos Andes, uma das mais prestigiosas do país, para estudar Filosofia e Literatura, estava dado o passo decisivo para se tornar escritor. Fundando a revista Hojalata com dois colegas, essa publicação, suspeita de ser revolucionária pelo governo, levou a uma investigação formal contra Chaparro Madiedo, mas o caso não teve consequências e nenhuma acusação foi formalizada contra ele. Na Universidade dos Andes, começou a trabalhar como editor cultural da revista Consigna e a participar de um projeto da produtora cinematográfica Cinevisión. Tratava-se de um programa de humor e sátira política chamado Zoociedad.

Em 1987, graduou- se na Faculdade de Filosofia e Letras com uma tese sobre Martin Heidegger intitulada: “Interpretações dos Estados de Humor como Experiências Ontológicas Baseadas no ‘Ser e Tempo’ ”. Em seguida, viajou para Montpellier para prosseguir seus estudos e, ao retornar, começou a trabalhar para o jornal La Prensa, para o qual contribuiu com artigos ao longo de sua curta vida. Em 1989, viajou para Cuba para frequentar o curso de roteiro de Gabriel García Márquez. Nesse mesmo ano, conheceu Ava Echeverri, com quem se casaria em 1993. Em sua produção literária, Madiedo misturou livremente trabalhos jornalísticos, crônicas pessoais e ficção narrativa. De suas publicações, destacam-se romances como “Ópio nas Nuvens” e “Um pouco triste, mas mais feliz que os outros”.

“Ópio nas Nuvens” é a obra mais famosa do autor, notável por sua abordagem original da juventude e da vida na cidade de Bogotá no final do século XX. A narrativa é descrita como visceral e decadente, sendo uma leitura intensa que alguns recomendam evitar se o leitor estiver deprimido. A expressão combina dois conceitos: opio, substância derivada da papoula, conhecida por seus potentes efeitos analgésicos e sedativos, que podem levar a um estado de entorpecimento e dependência. Metaforicamente, “ópio” pode se referir a qualquer coisa que cause alheamento da realidade; e “nas nuvens”, expressão idiomática que significa estar sonhando acordado, extremamente feliz, entusiasmado ou desatento ao que acontece ao redor, perdido em pensamentos ou fantasias. Juntas, as palavras sugerem um estado de entorpecimento profundo, um escapismo extremo ou uma realidade alternativa vivida pelos personagens, talvez em um mundo de sonhos ou sob o efeito de substâncias, como sugerido em uma tradução de música que menciona a expressão e “sonhos maiores que o mar”.

Professora Universitária

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