Tribuna Ribeirão
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Cassandra versus Fátima

Mário Palumbo *
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Cassandra, segundo a mitologia grega, é a profetisa dos desastres. A história humana inicia com um fratricídio: Caim mata seu irmão Abel por causa da ganância e da inveja, e a história assim se repete. Ao nosso tempo, a Rússia invade a Ucrânia e anexa a Criméia, não contente disso, continua com uma devastadora guerra para atingir mais território da Ucrânia. O império, cobiçando o petróleo, destrói governos contrários à sua hegemonia. Sufoca Cuba, sequestra Maduro, mata Khamenei, com a desculpa de implantar democracia.

Se olharmos para nosso Brasil parece estarmos em um círculo de dramaticidade violenta. Para a política internacional, o caso é trágico, com expectativa de uma guerra nuclear que pode atingir a humanidade toda. São as expectativas do mito da Cassandra, de onde não tem salvação.

Em nosso caso, apesar dos esforços governamentais de socorrer a sociedade com políticas públicas contra as desigualdades, como a saída do mapa da fome, bolsa família, aumento do salário mínimo, farmácia para todos, diminuição da taxa de desemprego, e tantos outros recursos que vêm a socorrer o povo mais sofrido, nada disso parece resolver o problema de uma sociedade feliz.

A violência continua com conotações cada vez mais repugnantes. A isso se apela a legislações mais duras com diminuição da menoridade penal, acabar com saidinhas, entre outras medidas mais rígidas. O combate ao feminicídio que constrange nossa sociedade parece não ter resultados.

Mahatma Gandhi resolve o problema da opressão com a não-violência, e consegue libertar a Índia do colonialismo da Grã-Bretanha. Cristo vence a violência e a morte com o amor.

A mensagem de Fátima nos leva até Cristo. Ela, com a “dança do Sol”, testemunhada por 70 mil pessoas nos dá a esperança. O Sol nos fornece luz e calor com a desintegração dos raios para sustentar a vida, assim a mensagem de Fátima apela para a renovação da humanidade.

Toda violência, como diz o Mestre, nasce do coração. O decálogo veta o assassinato, que nasce de um simples xingamento e vai crescendo até a morte do irmão. E mais: “se perceber que alguém tenha algo contra você, mesmo que você esteja oferecendo sacrifício ao Senhor, vá primeiro dialogar com teu irmão e depois, oferece seu sacrifício ao Senhor”.

O feminicídio tem sua raiz na dominação, como se a mulher fosse propriedade particular do macho. Cristo vai sempre à raiz: o mal nasce do coração; se alguém olha a mulher com desejo de se apropriar dela, já cometeu adultério em seu coração. Se alguém te bater na face, oferece também a outra face. Tudo isso parece utopia impossível, mas Cristo resolve isso na sua vida e aponta o caminho da paz com esse método.

Só podemos sair do círculo vicioso anunciado por Cassandra com o seguimento de Cristo, que continua vivo e atuante na nossa história através daqueles que realmente vivem e praticam a mensagem do Mestre.

* Professor e padre casado

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