Rosemary Conceição dos Santos*
De acordo com especialistas, Juan Gabriel Vásquez (Bogotá, 1973) estudou Direito em Bogotá e Literatura Latino‑Americana em Sorbonne, Paris. É autor dos romances “Os informadores”, “Historia secreta de Costaguana”, “O barulho das coisas ao cair”, “As reputações”, e “A forma das ruínas”. Publicou ainda dois volumes de contos, “Los amantes de todos los santos” e “Canciones para el incêndio”, dois livros de ensaios, “El arte de la distorsión” e “Viagens com um mapa em branco”, e uma biografia de Joseph Conrad, “El hombre de ninguna parte”. Traduziu obras de John Hersey, John dos Passos, Joseph Conrad, Victor Hugo e. M. Forster, entre outros, e escreve regularmente em vários jornais.
Venceu por duas vezes o Premio Nacional de Periodismo Simón Bolívar pelo seu trabalho jornalístico. No ano de 2012 foi-lhe atribuído, em Paris, o Prémio Roger Caillois pelo conjunto da sua obra e, em 2019, o seu livro “A forma das ruínas” foi finalista do Man Booker International Prize. Seus livros estão publicados em 30 idiomas em mais de 40 países. “Viagens com um mapa em branco” foi publicado pela Imprensa Nacional, em março de 2021.
“Os informadores”, primeiro romance de Vásquez, traz um enredo de traições privadas e públicas no rescaldo da Segunda Guerra Mundial, explorando a memória, a culpa e os segredos familiares. Nele, Gabriel Santoro, o protagonista, é um jornalista que escreve um livro baseado nas memórias de Sara Guterman, uma judia amiga da família, intitulado “Uma Vida no Exílio”. Nesta empreitada, Santoro descobre que seu pai e sua amiga Sara estavam profundamente envolvidos nessa teia de denúncias, segredos e traições na Colômbia. A narrativa revela que, durante a Segunda Guerra Mundial, alemães radicados na Colômbia foram vigiados e denunciados (informados) como simpatizantes nazistas, muitas vezes baseados em boatos ou motivações pessoais. Santoro, ao tentar reconstruir a história, enfrenta a “sombra da traição” de pessoas próximas e descobre, com isso, como as ações do passado (a guerra) continuam a assombrar o presente.
“O barulho das coisas ao cair” é um romance sobre o medo e traumas na Colômbia dos anos 90. A trama segue Antonio Yammara, que investiga a vida de um amigo assassinado, revelando o impacto do narcotráfico em sua geração. Explora segredos, culpa e a amizade interrompida entre Yammara e Ricardo Laverde, retratando a Colômbia marcada pelo narcotráfico e o legado de Pablo Escobar. “Olhar para trás” é uma obra que foca o ato de refletir sobre o passado para entender experiências, padrões e aprendizados ao narrar a vida do cineasta Sergio Cabrera, cobrindo a Guerra Civil Espanhola, o exílio e a Revolução Cultural Chinesa.
Em “Viagens com um mapa em branco” um romancista que escreve ensaios, e em particular se esses ensaios falam da arte do romance, é como um náufrago que envia coordenadas: quer dizer aos outros como podem encontrá-lo. E, claro, quer também encontrar‑se a si mesmo; por outras palavras, quer saber como deve ler os romances que escreve. O ensaio é uma pesquisa, uma tentativa, uma averiguação, e o romancista escreve para descobrir e traçar os limites do seu conhecimento e a forma das suas certezas. Nesse sentido, poderia dizer-se, é um género confessional. […] São as coordenadas vitais de um leitor; e só um leitor entende que um livro é, às vezes, a única testemunha dos nossos tempos perdidos, e a releitura é a única forma de voltar a visitá-los. Entre outras coisas, estes ensaios querem ser um convite a essa viagem impossível.
Um trecho de “Viagens…”? “Em janeiro de 2012, como já contei em algum sítio, o escritor Santiago Gamboa e eu tivemos o prazer de conversar em público com Carlos Fuentes, o autor de várias páginas que deram forma à nossa vida de leitores. Lá para o fim da conversa, Gamboa perguntou a Fuentes quais eram os cinco romances que toda a gente devia ler. Fuentes, integralmente vestido de branco, foi esticando um por um os seus grandes dedos de pitonisa, esses dedos já tortos pela idade e pela dureza das teclas que escreveram as oitocentas páginas de Terra Nostra, enquanto dizia com voz de mantra: — O Quixote, o Quixote, o Quixote, o Quixote e o Quixote.Virginia Woolf diz que ler Hamlet todos os anos e anotar as nossas impressões é como escrever a nossa autobiografia, porque à medida que vamos vivendo, damo‑nos conta de que Shakespeare também fala do que acabámos de aprender”.
Professora Universitária






