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O Palácio Rio Branco

Rui Flávio Chúfalo Guião *
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Passei ao lado das placas que circundam o Palácio Rio Branco, em obras de restauração, e permiti-me relembrar sua história e localização. Segundo o historiador Prof. José Antônio Lages, o palácio foi construído onde, pela segunda vez, se demarcaram as terras do Patrimônio de São Sebastião, no início de nossa cidade.

Eram várias fazendas, de vários proprietários e a do Retiro teve parte de sua extensão doada à Igreja, para construção de uma capela. Interessante notar que, além do fervor religioso, a existência de uma ermida ou igreja facilitava o processo de reconhecimento da posse dos fazendeiros, numa época quando ainda não existia o Código da Terra e a sua aquisição se fazia com a simples tomada da área, para posterior regularização.

Antes de chegar ao Palácio Rio Branco, os poderes oficiais da cidade se localizaram em vários locais. Ribeirão Preto fazia parte de São Simão e dela foi desmembrada, criando-se, em 13 de julho de 1874 a Câmara com seis vereadores, responsável por gerir a então pequena vila. Em pleno Segundo Império, as câmaras tinham poder legislativo e executivo, pois o seu presidente exercia também a Intendência da cidade, função atual do Prefeito.

As primeiras reuniões da Câmara foram realizadas nas residências dos vereadores e depois levadas para a mais antiga casa da cidade, na rua Visconde do Rio Branco n 42, depois demolida.

O crescimento da urbe passou a exigir um local mais apropriado e, na esquina das ruas Amador Bueno e Visconde do Rio Branco, construiu-se um prédio que abrigava a Câmara, a Intendência e a Cadeia Pública, prédio este terminado em 1885.

Em 1915, sendo Prefeito Municipal Joaquim Macedo Bittencourt, foi lançada a pedra fundamental do palácio, inaugurado dois anos depois. De estilo eclético, mas baseado em prefeitura francesa, o prédio logo se tornou o centro político da cidade. Localizava-se em antiga praça que, em 1913 havia recebido a herma do Barão de Rio Branco, o primeiro monumento de Ribeirão Preto e que passou a se chamar Praça Barão do Rio Branco, denominação depois dada ao palácio que se erigia.

A nova sede do poder abrigava não só a Prefeitura como também a Câmara Municipal. No seu segundo andar, na parte da frente, ficava o Salão Nobre, com seu mezzanino para a orquestra e atrás o plenário da Câmara. A cidade contava com nove vereadores e uma população de 60.000 habitantes e as instalações eram suficientes para abrigar os dois poderes e suas dependências.

Era o auge do café, sendo nossa cidade a maior produtora do grão e considerada como a Petite Paris, pelas suas residências, suas praças, seus teatros, cinemas e cabarés e sua intensa vida cultural.

Meu avô João Rodrigues Guião, que foi Prefeito Municipal de 1920 a 1926, me contava que, quando da visita do Presidente da República, Epitácio Pessoa e do Presidente do Estado de São Paulo Washington Luís para a inauguração da nossa metalúrgica, o Salão Nobre foi suficiente para abrigar a fina flor dos coronéis do café e pessoas gradas da sociedade para a recepção aos convidados.

Em 1956, quando a cidade contava com 93.000 habitantes e a Câmara com 20 vereadores, o Palácio Rio Branco tornou-se pequeno para abrigar os dois poderes e houve a mudança daquela para o antigo prédio da Sociedade Recreativa e de Esportes, hoje Museu de Arte de Ribeirão Preto.

O tempo impôs um desgaste grande ao palácio. Em 2022, a Prefeitura transferiu-se para o prédio na rua Américo Brasiliense 426, criando o Centro Administrativo Prefeito José de Magalhães.

Terminadas as obras de restauração, o Palácio Rio Branco deve se tornar um museu da cidade de Ribeirão Preto.

* Advogado e empresário, é presidente do Conselho da Santa Emília Automóveis e Motos e secretário-geral da Academia Ribeirãopretana de Letras

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