Rosemary Conceição dos Santos*
De acordo com especialistas, Darío Jaramillo Agudelo é um poeta e escritor colombiano nascido em Santa Rosa de Osos, em 1947. Considerado um dos maiores poetas não só da “geração desencantada”, mas também o principal inovador da poesia amorosa e um dos maiores poetas colombianos da segunda metade do século XX, atuou em diversas funções além do literário. De 1985 a 2007, Jaramillo chefiou a Subdivisão Cultural do Banco da República por 22 anos. Durante esse período, também dirigiu o Boletim Cultural e Bibliográfico da Biblioteca Luis Ángel Arango e, entre outras realizações, consolidou a Rede Nacional de Bibliotecas, gerindo os acervos do Museu do Ouro e do Museu de Arte Miguel Urrutia , que hoje são dois dos mais representativos acervos patrimoniais do país.
Estudante de Direito e Economia na Universidade Javeriana, em Bogotá, onde era um aluno inquieto e um leitor voraz, o autor ali conheceu Juan Gustavo Cobo Borda, com quem firmou uma parceria relevante. No início dos anos setenta, Cobo Borda dirigiu uma pequena coleção de poesia na editora Colcultura e pediu a Jaramillo os textos que vinha escrevendo secretamente e publicando esporadicamente na seção Leituras de Domingo do El Tiempo, no suplemento Vanguardia do El Siglo , dirigido por sua amiga, a poeta María Mercedes Carranza, e na revista Arco, editada pelo poeta David Mejía Velilla. O resultado foi “Historias” (1974), seu primeiro livro.
Em 1978, Jaramillo publicou “Tratado de Retórica”, obra que lhe valeu o Prêmio Nacional de Poesia Eduardo Cote Lamus, e, em 1986, “Poemas de Amor”, livro que o tornou muito popular entre os jovens leitores e que ainda hoje é amplamente divulgado. Nas décadas seguintes, publicando uma vasta e diversificada obra que abrange poesia, ficção, ensaios, crônicas, livros infantis e textos que desafiam categorizações fáceis, o autor viu sua carreira ser reconhecida com inúmeros prêmios nacionais e internacionais. Considerada um dos projetos líricos mais consistentes e singulares da literatura colombiana contemporânea, a poesia de Darío Jaramillo Agudelo traz versos que revelam a influência da chamada “antipoesia” do poeta chileno Nicanor Parra, sobretudo em sua ruptura com a tradição retórica e o tom solene que dominou grande parte da poesia latino-americana de meados do século XX. Em vez de eloquência, Jaramillo, assim como Parra, optou pela ironia; em vez de linguagem rebuscada, pela fala cotidiana. Seu propósito — como ele mesmo afirmou — era aproximar a poesia da linguagem comum das ruas, dos bares ou das conversas.
Com o passar do tempo, porém, sua obra adquiriu um caráter profundamente pessoal e uma estrutura reconhecível. Sua poesia começou a se organizar em torno do que poderíamos chamar de “grandes ciclos”: o ciclo do amor e da desilusão amorosa, o ciclo da nostalgia, o ciclo da amizade, o ciclo da música e do silêncio, o ciclo dos gatos e o ciclo da busca e do questionamento de Deus. Esses ciclos não são compartimentos fechados, mas sim vasos interconectados: em todos eles ressoa a mesma voz, refletindo sobre a passagem do tempo, a perda, a memória e a possibilidade sempre precária de alcançar alguma verdade por meio das palavras.
Um poema? Em Poemas de Amor (1986), a emoção torna-se mais crua, mais imediata:
Aquele outro que também habita em mim,
Talvez dono, talvez invasor, ou exilado neste corpo estranho, ou ambos.
aquele outro ser a quem temo e ignoro, felino ou anjo,
aquele outro ser que está sozinho sempre que estou sozinho, seja pássaro ou demônio,
aquela sombra de pedra que cresceu dentro e fora de mim,
Eco ou palavra, aquela voz que responde quando me perguntam algo,
o mestre da minha confusão, o pessimista, o melancólico e o inexplicavelmente alegre,
aquele outro,
Ele também te ama.
Professora Universitária*





