Em setembro do ano passado, Ramagem fugiu do Brasil após ser condenado a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão na ação da trama golpista
O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) está sob custódia do serviço de imigração e alfândega dos Estados Unidos, conhecido pela sigla ICE (ICE U.S. Immigration and Customs Enforcement). O nome dele aparece no site do Departamento de Segurança Interna dos EUA com a situação “sob custódia do ICE”. O local de detenção não foi informado.
Em setembro do ano passado, Alexandre Ramagem fugiu do Brasil após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e abolição do Estado Democrático de Direito.
Proibido de sair do país, o ex-deputado saiu de carro pela fronteira com a Guiana e embarcou para os Estados Unidos com passaporte diplomático, que não estava apreendido. O nome de Ramagem consta na lista de foragidos procurados da Interpol.
O governo brasileiro solicitou aos Estados Unidos a extradição de Alexandre Ramagem. O pedido foi entregue pela Embaixada do Brasil em Washington ao Departamento de Estado no final de dezembro de 2025. Em fevereiro, ele prestou depoimento, por videoconferência, ao STF na ação penal da trama golpista que estava suspensa e voltou a tramitar após ele perder o mandato.
Foi diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022) e perdeu o mandato parlamentar em dezembro de 2025, por ato da Mesa Câmara em razão de condenação no Supremo Tribunal Federal. Alexandre Ramagem era delegado de carreira da Polícia Federal, e foi demitido após a condenação.
A detenção do ex-deputado pode resultar em deportação por questões migratórias ou no avanço do processo de extradição solicitado pelo Brasil. Há ainda um pedido de asilo político feito pelo senador Jorge Seif (PL-SC). No documento enviado à embaixada, o senador bolsonarista afirma que o caso de Ramagem envolve riscos à segurança jurídica e levanta questões sobre perseguição política.
Além de Ramagem, outros sete réus sete foram condenados na ação penal da trama golpista. Jair Bolsonaro pegou 27 anos e três meses de prisão.Walter Braga Netto (ex-ministro da Defesa e da Casa Civil) foi condenado a 26 anos em regime inicial fechado. Anderson Torres (ex-ministro da Justiça), a 24 anos em regime inicial fechado. Almir Garnier (ex-comandante da Marinha), a 24 anos em regime inicial fechado.
Augusto Heleno (ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional) pegou 21 anos em regime inicial fechado; e Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa), a 19 anos em regime inicial fechado. O tenente-coronel Mauro Cid recebeu uma pena de dois anos em regime aberto.
Seguindo voto do relator, ministro Alexandre de Moraes, a Primeira Turma do STF decidiu condenar os réus pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.
A exceção é exatamente Alexandre Ramagem, que havia sido condenado somente pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.
Então deputado federal em exercício na época da condenação, foi beneficiado com a suspensão de parte das acusações e respondia somente a três dos cinco crimes imputados pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Porém, descumpriu medidas cautelares e fugiu para Miami, na Flórida.

