Taís Roxo Fonseca *
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A Agrishow realizada anualmente em Ribeirão Preto, reafirma o protagonismo do agronegócio brasileiro no cenário global. Máquinas de última geração (até robôs desfilaram pelos stands) , linhas de crédito robustas quase um negócio de pai para filho, muito distante dos juros aplicados aos trabalhadores que queimam em escalas exaustivas de sol a sol.
No entanto , fora dos holofotes, o Brasil convive com a insegurança alimentar. Ao mesmo tempo que comemoramos records em exportação da soja, milho e da carne, pesquisas recentes apontam que milhões de brasileiros ainda enfrentam a fome . Essa contradição alimenta o debate porque sabemos que o próprio governo brasileiro subsidia o sucesso da agricultura exportação com subsídios e incentivos concedendo linhas de crédito e juros favorecidos, programas de seguro rural e desonerações tributárias , isso tudo sem contrapartida social, em um Brasil onde a população ainda enfrenta dificuldades básicas de acesso aos alimentos.
Na última semana, o governador de goiás, que esteve aqui em Ribeirão Preto visitando a agrishow , afirmou em discurso ser um agro raiz. A expressão porém abre espaço para interpretações diversas, pois sabe se que a agricultura remonta ao período neolítico, há milhares de anos atrás, quando sociedades humanas passaram a cultivar a terra de forma sistemática.
Vale dizer aqui que a arrecadação de impostos inclusive daqueles trabalhadores submetidos a rotinas intensas , como a escala 6 x1, contribui para financiar o agronegócio que muito pouco favorece o prato do brasileiro, mas sim a exportação em escala.
E não é somente a insegurança alimentar que vive o Brasil, mas também a insegurança dos funcionários da própria agrishow, no ano passado houve um acidente com morte em razão da queda de um avião que seifou a vida de um trabalhador que estava no interior da Agrishow, dentro de um de seus stands, esse ano para não fugir à regra, um carrinho elétrico de transporte de visitantes invadiu a sala da imprensa na agrishow 2026, o veículo usado para levar pessoas pelo evento, perdeu o controle entrando diretamente no espaço reservado aos jornalistas.
Este é o segundo ano consecutivo com incidentes na área de imprensa, após o desmoronamento do teto da sala de imprensa no primeiro dia da edição de 2025. Uns podem dizer que ah… mas o Brasil saiu do mapa da fome da ONU em 2025, atingindo o menor índice em 20 anos.
Ocorre que apesar da melhoria e da redução do número de famintos, há ainda 13,5% da população vivendo sob insegurança alimentar . Embora o volume de alimentos produzidos aqui seja suficiente para alimentar toda a população brasileira, mas o setor privilegia a exportação. Pergunta que fica: o Brasil produz alimentos para quem?
* Advogada

