Por Hugo Luque
A menos de um mês da Copa do Mundo dos Estados Unidos, México e Canadá, que começa em 11 de junho com a partida entre México e África do Sul, no Estádio Azteca, o Tribuna Ribeirão preparou um guia completo para os torcedores entrarem no clima da maior competição de futebol do planeta. Disputado desde 1930, o Mundial chega à 23ª edição com várias seleções no páreo pelo tão sonhado troféu.
Algumas são as eternas favoritas, outras surpreendem e vivem o melhor momento de suas histórias. Fato é que, com 48 equipes, há espaço para muitos gols, comemorações, decepções e “zebras”.
Nesta primeira parte do guia da Copa, o foco está nos melhores da última edição do torneio. Argentina, França, Croácia e Marrocos chegaram à semifinal no Catar, em 2022, e buscam repetir o feito na América do Norte.
Argentina
Atuais campeões, “los hermanos” embarcam para a Copa do Mundo com moral. No Catar, a equipe liderada por Messi voltou a erguer o troféu após 36 anos. O tricampeonato foi conquistado em cima da França, em uma das finais mais eletrizantes da história: 3 a 3 com bola rolando e 4 a 2 nos pênaltis. Antes, despachou Austrália, Holanda e Croácia.
Desde então, Messi passou por drásticas mudanças na carreira. Aos 38 anos, o craque não atua mais no futebol europeu. Atualmente, é o principal nome da Major League Soccer (MLS), a maior liga dos Estados Unidos, e atua pelo Inter Miami, cujo dono é David Beckham.
Por lá, reencontrou nomes como Luís Suárez, Sergio Busquets e Jordi Alba, companheiros dos tempos áureos de Barcelona. Contudo, mesmo fora dos principais holofotes do futebol mundial, o ídolo argentino, que deve se despedir da seleção nacional após a competição, quer mais um troféu por seu país, ao lado de outros jogadores renomados como o goleiro Dibu Martínez, os meias Enzo Fernández e Rodrigo De Paul, além dos atacantes Lautaro Martínez e Julián Álvarez.
Apesar do título há três anos e meio, os comandados de Lionel Scaloni não relaxaram, mesmo com o envelhecimento de seus principais talentos. Em 2024, conquistaram a segunda Copa América consecutiva, em final contra a Colômbia. Além disso, garantiram a classificação à Copa com uma liderança folgada nas Eliminatórias Sul-Americanas – foram 12 vitórias, dois empates e quatro derrotas na campanha, dez pontos superior à do Brasil.
Depois de garantir a vaga, o time azul e branco venceu todos os amistosos disputados (enfrentou os frágeis conjuntos de Venezuela, Porto Rico, Angola, Mauritânia e Zâmbia). Em junho, fará mais dois testes contra Honduras e Islândia.
Campeã das edições de 1978, 1986 e 2022, além de vice em 1930, 1990 e 2014, a Argentina está no Grupo J. A estreia será no Arrowhead Stadium, em Kansas City, nos Estados Unidos, contra a Argélia, em 16 de junho, às 22h (de Brasília). Em seguida, os “hermanos” encaram a Áustria, dia 22, às 14h, no AT&T Stadium, em Arlington, também nos Estados Unidos. A primeira fase termina em 27 de junho, às 23h, também em Arlington, contra a Jordânia.
Se cumprir a expectativa e avançar na primeira colocação, a Argentina terá pela frente, na segunda fase, o segundo colocado do Grupo H. Se passar na segunda posição, encara o líder dessa chave, que tem Espanha, Cabo Verde, Arábia Saudita e Uruguai. Existe, ainda, a chance de a seleção sul-americana avançar em terceira – neste cenário, teria pela frente o líder do Grupo B, do Grupo D, do Grupo G, do Grupo K ou do Grupo L.
O saldo argentino na Copa é de três títulos e três vices em 18 participações – esta será a 19ª no geral e a 14ª consecutiva. No total, o time disputou 88 jogos, com 47 vitórias, 17 empates e 24 derrotas, além de 152 gols marcados e 101 gols sofridos.
França
Finalistas nas últimas duas edições, os franceses lideram o ranking mundial de seleções da Fifa, à frente da própria Argentina, terceira colocada. Os “Bleus” chegaram à decisão histórica no Catar depois de baterem Polônia, Inglaterra e Marrocos, e passaram muito perto do bicampeonato consecutivo, mas Kolo Muani parou em Dibu Martínez no último minuto da prorrogação.
O atacante do Tottenham ficou de fora do elenco convocado por Didier Deschamps na última quinta-feira (14). Mas o setor é forte e concentra as principais estrelas do plantel: Kylian Mbappé, craque do Real Madrid, Ousmané Dembélé, atual melhor do mundo e atacante do Paris Saint-Germain, e Michael Olise, talentoso ponta do Bayern de Munique.
O trio está no auge da forma física. Aos 27 anos, Mbappé é o artilheiro disparado do Real Madrid na temporada. Já Dembélé, de 28 anos, conquistou mais um título francês pelo PSG, está na final da Liga dos Campeões contra o Arsenal e divide a artilharia do clube com Khvicha Kvaratskhelia. Olise é o novato: aos 24 anos, disputará seu primeiro Mundial após fazer 22 gols e distribuir 28 assistências pelo campeão alemão Bayern. Apesar da força ofensiva, o meio de campo com apenas cinco jogadores de origem naquela região do campo, entre eles os veteranos Kanté (35 anos) e Rabiot (31 anos), pode ser o ponto fraco da equipe.
Nas Eliminatórias, os franceses garantiram a vaga com tranquilidade em uma chave que tinha Ucrânia, Islândia e Azerbaijão. Entre o vice no Catar e a Copa deste ano, ficaram também com a quarta posição da Eurocopa e com o terceiro lugar na Liga das Nações.
Campeã em 1998 e 2018, além de vice em 2006 e 2022, a França fez apenas dois amistosos desde o fim das Eliminatórias: vitórias sobre Brasil (2 a 1) e Colômbia (3 a 1). No início do próximo mês, fará os últimos teste contra Costa do Marfim e Irlanda do Norte.
Na Copa do Mundo, a equipe está no Grupo I e fará seus três jogos iniciais nos Estados Unidos. A estreia está marcada para 16 de junho, às 16h, contra o forte time de Senegal, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. No dia 22, o adversário será o Iraque, às 18h, no Lincoln Financial Field, na Filadélfia. A primeira fase termina dia 26, às 16h, no Gillette Stadium, em Foxborough.
Se passar na liderança, a França encara o terceiro colocado do Grupo C, D, F, G ou H. Se avançar na segunda posição, pega o vice-líder do Grupo E (Alemanha, Curaçao, Costa do Marfim ou Equador). Por fim, ao avançar em terceiro, o conjunto de Deschamps pode ter pela frente o líder do Grupo A, B, D, G, K ou L.
Os franceses ostentam um histórico de dois títulos, dois vices, dois terceiros lugares e um quarto lugar em 16 participações – esta será a 17ª geral e oitava seguida. São 73 partidas disputadas, com 39 vitórias, 14 empates e 20 derrotas, além de 136 gols feitos e 85 cedidos.
Croácia
No melhor momento de sua história, a Croácia, assim como a Argentina, chega envelhecida ao Mundial de 2026, mas ainda é uma ameaça. Vice-campeã em 2018, na Rússia, e terceira colocada no Catar, em 2022, a seleção xadrez ocupa a 11ª colocação no ranking da Fifa. Na última edição do torneio, eliminou Japão e Brasil – de forma traumática para a Canarinho – antes de cair para a Argentina.
Entre os destaques do plantel estão o zagueiro e lateral-esquerdo Joško Gvardiol e o meio-campista Mateo Kovačić, do Manchester City, o atacante Ivan Perišić, do PSV Eindhoven, além, é claro, do meia Luka Modrić, veterano de 40 anos do Milan e ídolo do Real Madrid, que deve seguir o exemplo de Messi e se despedir de sua seleção.

O caminho croata rumo à Copa teve uma classificação tranquila nas Eliminatórias, em chave com República Tcheca, Ilhas Faroe, Montenegro e Gilbraltar. Desde o terceiro lugar no Mundial de 2022, porém, o time fez uma campanha decepcionante na Eurocopa, com eliminação na primeira fase, e caiu para a França nas quartas de final da Liga das Nações.
Desde que garantiu sua viagem para a América do Norte, a equipe comandada pelo técnico Zlatko Dalić repetiu os amistosos franceses, com uma vitória sobre a Colômbia e uma derrota para o Brasil. No início do próximo mês, completam a preparação em partidas com Bélgica e Eslovênia.
Os “Vatreni” estão no complicado Grupo L da Copa. Logo na estreia, às 17h de 17 de junho, uma pedreira: a cabeça de chave Inglaterra, no AT&T Stadium, em Arlington. No dia 23, às 20h, o time vai ao Canadá para encarar o Panamá, no BMO Field, em Toronto. Na última rodada, os croatas voltam aos Estados Unidos para duelas com Gana, no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, dia 27, às 18h.
Se encarrar a primeira fase na ponta, a Croácia terá pela frente o terceiro colocado do Grupo E, H, I, J ou K. Caso avance no segundo posto, o adversário no mata-mata será o vice-líder do Grupo K (Portugal, Congo, Uzbequistão ou Colômbia). Por fim, se avançar na terceira colocação, o conjunto europeu enfrentará o líder do Grupo K.
Os croatas jamais foram campeões, mas ficaram com um vice-campeonato e dois terceiros lugares. Esta será a quarta participação consecutiva e a sétima na história do país em mundiais. Foram, até aqui, 30 jogos, com 13 vitórias, oito empates e nove derrotas, além de 43 gols marcados e 33 sofridos.
Marrocos
Segunda melhor seleção africana de todos os tempos no ranking da Fifa (atrás somente da Nigéria, quinta colocada em 1994), o Marrocos ocupa a oitava posição na classificação. Sensação da última Copa, a equipe sonha com mais uma campanha de destaque em 2026.
No Catar, em 2022, o time norte-africano ficou com a quarta posição. Deixou pelo caminho no mata-mata as potências Espanha e Portugal, mas foi eliminado pela França e perdeu a disputa pelo “pódio” para os croatas.
Entre os jogadores da melhor geração marroquina de todos os tempos, são destaques o goleiro Yassine Bounou, do Al-Hilal-SAU, o lateral-direito Achraf Hakimi, do Paris Saint-Germain, e o meia-atacante Brahim Díaz, do Real Madrid. A convocação definitiva deve sair na quinta-feira.
A campanha marroquina nas Eliminatórias Africanas foi irretocável. O time venceu suas oito partidas, marcou 22 gols e sofreu apenas dois. Em janeiro deste ano, a equipe encarou Senegal na final da Copa Africana de Nações em um dos jogos mais polêmicos da história entre seleções. Os senegaleses venceram em campo, mas Marrocos ficou com o título nos tribunais depois que os adversários chegaram a deixar o gramado após a marcação de um pênalti. O conjunto voltou a campo e Brahim Díaz desperdiçou a penalidade no último lance, mas a Confederação Africana de Futebol (CAF) entendeu o episódio peculiar como W.O., e deu a vitória por 3 a 0 aos Leões do Atlas.

Mesmo após o polêmico título, Walid Regragui deixou o comando técnico em março. Em seu lugar, assumiu Mohamed Ouahbi, campeão mundial sub-20 com a seleção marroquina no ano passado. Na última Data Fifa, Marrocos fez dois amistosos: empate em 1 a 1 com o Equador e vitória por 2 a 1 sobre o Paraguai. Antes da estreia na Copa, terá três desafios preparatórios, diante de Burundi, Madagascar e Noruega.
Logo na primeira rodada, Marrocos será o adversário do Brasil no Grupo C, em 13 de junho, às 19h, no MetLife Stadium. Em seguida, no dai 19, os africanos encaram a Escócia, às 19h, no Gillette Stadium. Por fim, concluem a campanha diante do Haiti, às 19h do dia 24, no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, na Geórgia, Estados Unidos.
Caso avancem na liderança, à frente da seleção brasileira, os marroquinos disputarão vaga nas oitavas de final com o segundo colocado do Grupo F (Holanda, Japão, Suécia e Tunísia). Se passarem em segundo, duelam com o líder dessa chave. Já no cenário de uma classificação em terceiro, o time alvirrubro enfrentará o primeiro do Grupo A, E ou I.
Com um quarto lugar na história, Marrocos busca ser a primeira seleção de fora da América do Sul ou da Europa a levantar o troféu. Será a sétima participação do país na Copa, a terceira em sequência. O retrospecto é de 23 jogos: cinco vitórias, sete empates e 11 derrotas, além de 20 gols anotados e 27 levados.

