Rui Flávio Chúfalo Guião *
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A legislação brasileira só permite aos municípios decretar feriados religiosos. Assim, só restou ao Poder Público Municipal estabelecer o dia 19 de junho santificado em homenagem à santa do dia, Juliana de Falconieri. O decreto complementa dizendo que também é dia da fundação da cidade.
Mas, quem é esta desconhecida da maioria da população?
Santa Juliana de Falconieri é importante membro da congregação dos santos e mereceu até estátua em uma das pilastras que sustentam a enorme cúpula que Michelangelo colocou na Basílica de São Pedro, em Roma, carinhosamente chamada pelos romanos de “ilcupolone “.
Juliana de Falconieri nasceu em berço de ouro, em Florença. Seus ricos pais viviam em solene palácio, onde, além da riqueza, praticava-se a fé cristã. Sua família era de ricos mercadores, com fortuna arrecadada por muitos anos de trabalho.
Desde jovem resplandecia em grande beleza, era cortejada e desejada por vários e poderosos senhores da cidade, mas, a todos rejeitava com carinhosas recusas.
Seu tio Alexis de Falconieri já havia abandonado a busca constante de riquezas, marca de sua família e se retirado para um mosteiro, onde, junto com outros, fundou a Ordem dos Servos de Maria, dedicada a propagação da fé. Existe até hoje, propagou-se pelo mundo e no Brasil presta relevantes serviços.
Juliana decidiu vestir o manto usado pelo seu tio e arregimentou várias outras jovens voltadas para o apoio aos necessitados.
Seguindo seu exemplo, várias moças e mulheres se congregaram em convento por ela fundado.
As “mantellate”, como eram chamadas pelo uso do manto foram reconhecidas pela Igreja como o ramo feminino da Ordem dos Servos de Maria, percorriam as ruas de Florença distribuindo alimentos aos necessitados e tinham rigorosas regras de vida: orações ajoelhadas, jejum absoluto às quartas e sextas-feiras e nos sábados somente pão e água
Como viviam na sua medieval Florença, abalada por lutas internas entre os guelfos e gibelinos, sociedade permissiva, mortes recorrentes, a vida das “mantellate” passou a representar serenidade, amor e dedicação ao próximo, contribuindo assim para amenizar o clima hostil da cidade.
Juliana tornou-se a responsável pelo convento das irmãs dos Servos de Maria, espalhando em sua vida constantes provas de amor ao próximo.
Com o correr dos anos, desenvolveu séria enfermidade no estômago, que evoluiu ao ponto de não poder mais se alimentar.
Em seu leito de morte não conseguiu receber a eucaristia e pediu ao sacerdote que colocasse a hóstia sobre seu coração, como se fazia com os enfermos graves.
Deu-se então um milagre: a hóstia desapareceu.
Santa Juliana de Falconieri faleceu no dia 19 de junho de 1341, há 785 anos.
Quando as irmãs foram vesti-la para o sepultamento, verificaram que no seu peito, na altura do coração, havia um grande disco vermelho no local onde a hóstia foi depositada, disco este que foi incorporado ao hábito das suas seguidoras.
Em 1737, o Papa Clemente XII canonizou-a.
Assim, nossa cidade que amanhã completa 170 anos de vida, segue abençoada por esta santa pouco conhecida.
* Advogado e empresário, é presidente do Conselho da Santa Emília Automóveis e Motos e secretário-geral da Academia Ribeirãopretana de Letras

