Rui Flávio Chúfalo Guião *
[email protected]
Ao lado de conhecidas nações que costumam disputar a Copa do Mundo de Futebol, surgem agora nomes novos ou desconhecidos que chegam ao mundo deste esporte.
Refiro-me à Bosnia e Herzegóvina, República Democrática do Congo, Chéquia e Cabo Verde.
A história da Bósnia e Herzegóvina começa no longínquo século VI da era cristã, quando a região de seu território era habitada por povos eslavos, que ali iniciaram florescente reino. Em 1463, os bósnios foram conquistados pelo Império Otomano, forte estado surgido na Turquia em 1299 e que chegou a abranger também a Grécia, Bulgária, Sérvia, Hungria, Egito, Síria, Iraque e Arábia Saudita.
Em 1878, a região passou para o domínio do Império Austro-Húngaro, quando se modernizou, adotando hábitos mais ocidentais, ali permanecendo até o fim da primeira Guerra Mundial, quando passou a integrar o Reino da Iugoslávia, depois parte da República Socialista Federativa da Iugoslávia.
Com a queda da União Soviética, declara-se a independência, surgindo o país Bósnia e Herzegóvina, com uma população de cerca de três e meio milhões de habitantes, cuja capital é Sarajevo, onde convivem, como no resto do país, muçulmanos, cristãos ortodoxos e croatas, que mantém suas respectivas línguas como oficiais.
O futebol começou a se popularizar ali no início do século XX e a nação participou pela primeira vez de uma Copa, no Brasil, em 2014.
O Estado Livre do Congo era uma propriedade particular do Rei Leopoldo II, dos Belgas, que ali permitiu enormes atrocidades contra os nativos. Passando para o domínio da Bélgica, tornou-se independente em 1960, com o nome de Zaire. Seu território é o segundo maior da África (perde apenas para a Argélia), sua população atinge mais de cem milhões de habitantes e o país é muito rico em recursos naturais. Sua capital é Kinshasa e a língua oficial a francesa.
Em 1974, ainda chamando-se Zaire, participou da sua primeira Copa do Mundo. Em 1997, o país adotou o nome atual de República Democrática do Congo.
Não se deve confundir o nome deste país com o de seu vizinho, a República do Congo.
A grande surpresa da atual Copa do Mundo foi o desempenho de Cabo Verde na suas partidas conseguindo deter fortes e tradicionais equipes. O time veio de um arquipélago de 10 ilhas principais, descoberto pelos portugueses em 1460, na sua tentativa de conquistar o mar oceano. Foi a primeira grande descoberta feita pelos navegadores lusos. Eram ilhas desabitadas, que se transformaram em base para o tráfico de escravos mantido por Portugal, bem como ponto estratégico no controle do comércio com a África e Américas. Localizado ao largo da costa africana, suportou o jugo português até 1975, quando uma revolução tornou-o estado independente, depois de vasta exploração dos lusos.
A capital Praia localiza-se na Ilha de Santiago e a população total do país é de seiscentos mil habitantes, mas, devido às dificuldades do período colonial português, houve uma grande diáspora. Hoje, estima-se em mais de um milhão os caboverdianos espalhados pelo mundo. O país faz parte da Comunidade de Países de Língua Portuguesa.
O futebol foi introduzido nas ilhas pelos portugueses, no começo do século XX e expandiu-se, fornecendo vários craques para outros países. É a primeira participação numa Copa do Mundo, o que vem salientar a importância do esporte para a nação africana.
Finalmente, a veterana Tchecoslovaquia (nove Copas), depois parte dela como República Tcheca (duas copas , chega agora ao campeonato solicitando o uso do nome Chéquia, que também é sua denominação oficial, ao lado de República Tcheca.
São países que nos surpreenderam participando do principal torneio futebolístico do mundo.
* Advogado, empresário, presidente do Conselho do Grupo Santa Emília, secretário-geral da Academia Ribeirãopretana de Letras

