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Legislativo aprova
 retirada de projeto de permuta

Alfredo Risk
Prefeitura de Ribeirão Preto quer trocar terreno na Zona Sul (detalhe) por prédio do Marista, onde pretende instalar seu novo centro administrativo

Daniel Gobbi (PP) afirma que Executivo não apresentou projeto definitivo para a ocupação de imóvel do Colégio Marista

Por unanimidade, a Câmara de Vereadores aprovou, em sessão realizada na manhã desta quarta-feira, 24 de junho, indicação do presidente do Legislativo, Daniel Gobbi (PP), que pede ao prefeito Ricardo Silva (PSD) a retirada do projeto de lei complementar número 24/2026. A votação ocorreu de forma englobada, como acontece com os requerimentos

A proposta trata da permuta de imóveis entre a prefeitura de Ribeirão Preto e o Colégio Marista. Gobbi havia feito a solicitação durante audiência pública realizada semana passada para discutir o tema com a população. Apenas Daniel Vieira Rodrigues (PL), o Daniel do Busão, não participou da sessão – está afastado por licença médica.

A indicação será encaminhada ao prefeito Ricardo Silva. Regimentalmente, o prazo máximo para isso acontecer é até a próxima terça-feira (30). No texto do documento, Gobbi aponta que os dados e esclarecimentos apresentados pelo Executivo na audiência pública de 16 de junho são insuficientes.

Cita a total ausência de projeto definitivo para a ocupação do imóvel do Colégio Marista, bem como a inexistência de estimativa orçamentária dos custos necessários para a reforma e adaptação do prédio.

Também permanecem indefinidas quais secretarias municipais seriam efetivamente transferidas para o local. Segundo o vereador, a proposta de permuta carece de estudos fundamentais de impacto viário e de vizinhança para a região, além de não apresentar a necessária manifestação do Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural de Ribeirão Preto (Conppac).

O projeto também ignora o fato de que a capela interna do complexo é tombada e que a área está inserida no entorno de proteção da avenida Nove de Julho, o que gera severa insegurança jurídica e urbanística.

“Sem elementos que considero básicos para que o processo siga com transparência e segurança jurídica, solicito a imediata retirada de tramitação do Projeto de Lei Complementar nº 24/2026, para que a matéria seja reavaliada e instruída com todos os pareceres, laudos e estudos técnicos e históricos legalmente exigidos”, destaca.

Daniel Gobbi foi um dos vereadores que apresentaram emendas modificativas ao projeto com o objetivo de garantir maior transparência na aplicação dos recursos públicos envolvidos na permuta. Entre as propostas estão a criação de uma conta vinculada para movimentação dos valores e a destinação específica dos recursos provenientes da torna do imóvel para a reforma, modernização e adequação do prédio.

Na semana passada, durante a audiência pública realizada pela Câmara para discutir a proposta, Gobbi já havia pedido informalmente que o projeto fosse retirado para estudos técnicos mais complexos.

O encontro teve a participação dos vereadores André Rodini (Novo), Danilo Scochi (MDB), Judeti Zilli (PT, Coletivo Popular) e Perla Müller (PT), presidente da Comissão de Administração, Planejamento, Habitação, Obras e Serviços Públicos da Câmara, organizadora da reunião.

O vice-prefeito Alessandro Maraca (MDB) e diretores da Secretaria Municipal de Planejamento, Desenvolvimento Urbano e Habitação representaram o governo mnunicipal. A população também participou. Os representantes do Executivo não conseguiram responder aos questionamentos considerados fundamentais.

Entre eles, a existência de estudos técnicos que embasem a ocupação do imóvel do Colégio Marista como sede do novo centro administrativo da prefeitura de Ribeirão Preto. Segundo Daniel Gobbi, um servidor municipal defendeu a continuidade da negociação e afirmou que tais estudos seriam realizados apenas após a efetivação da permuta.

No novo projeto, a área da prefeitura na região da avenida Braz Olaia Acosta, Zona Sul da cidade, com 40.928,38 metros quadrados, está avaliada em R$ 86.684.000, contra os R$ 57.214.519,39 do imóvel do Colégio Marista, com área de 21.929,25 m² na rua Bernardino de Campos nº 550, no Centro da cidade, uma diferença de R$ 29.469.480,61, conforme o Tribuna havia apurado. Agora, o terreno público vale 51,51% a mais

Já na avaliação elaborada no ano passado pela Comissão de Avaliação Técnica de Imóveis (Cati), da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação, e que constava do primeiro projeto enviado à Câmara, a área da prefeitura fora avaliada em R$ 39.617.035, valor menor do que o do imóvel Colégio Marista.

Naquela avaliação o prédio teve seu valor fixado em R$ 57.214.519,39. O valor da área da prefeitura agora é R$ 47.066.965 superior, alta de 118,80%. Antes, era R$ 17.597.484,39 inferior a do Marista, 30,76% abaixo. O Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (CreciSP) ndeu consultoria ao Cati na nova pesquisa.

Segundo o projeto, o Colégio Marista teria aceitado pagar a diferença de R$ 29.469.480,61 entre as duas áreas, para o município, caso a proposta seja aprovada pelos Câmara. No imóvel particular, a prefeitura pretende implantar o seu novo centro administrativo.

Já no terreno da prefeitura, a instituição de ensino pretende instalar sua nova unidade. A área fica na confluência das ruas Palmyra Magnani Protti e Marcos Markarian, na região da avenida Braz Olaia Acosta, na Zona Sul.

O Ministério Público de São Paulo (MPSP), convidado para a audiência, não compareceu. Segundo apuração do Tribuna, o MP só irá se manifestar sobre o projeto se for acionado oficialmente. Procurada, a prefeitura de Ribeirão informou que ainda não recebeu nenhum pedido oficial pedindo a retirada do projeto, e por isso, não se manifestaria sobre o assunto.

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