O número de mortes causadas pelos terremotos na Venezuela subiu para 2.295 nesta quarta-feira, 1º de julho, segundo o governo do país. Mais de onze mil pessoas foram contabilizadas como feridas. O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, disse em seu mais recente pronunciamento que há 12.841 pessoas afetadas pelo duplo tremor de 24 de junho.
O balanço anterior, de terça-feira, 30 de junho, registrava 1.943 mortes e 10.571 feridos. Organizações humanitárias alertaram na terça-feira (30) que o frágil sistema de saúde da Venezuela está sendo levado ao limite quase uma semana após dois fortes terremotos, com hospitais danificados e com falta de pessoal sobrecarregados por feridos e doenças infecciosas se alastrando na zona de desastre.
Enquanto isso, o número de resgates oficiais caiu drasticamente nos últimos três dias, segundo o governo, de 5.380 pessoas salvas nos dois primeiros dias após os terremotos para apenas quatro pessoas encontradas vivas na segunda-feira (29) pelas autoridades.
O período crucial para encontrar sobreviventes de terremotos é normalmente de 48 a 72 horas, mas é possível sobreviver por mais tempo, dependendo de fatores como temperatura e acesso a água ou comida. O único sobrevivente resgatado na terça-feira até o pôr-do-sol era uma criança que ficou presa por seis dias sob um prédio desabado, disse Jorge Rodríguez.
Esses números não incluem os muitos resgates realizados em todo o país por grupos de voluntários que, frustrados com a resposta lenta do governo, se mobilizaram para salvar seus entes queridos presos dias antes da chegada de equipes internacionais especializadas.
O sistema de saúde venezuelano, sobrecarregado por décadas de pouco investimento e anos de crise econômica, está “sob extrema pressão, com instalações operando além da capacidade para atender à crescente demanda por casos de trauma”, afirmou Christian Lindmeier, porta-voz da Organização Mundial da Saúde, em uma coletiva de imprensa em Genebra.
Autoridades venezuelanas afirmam que mais de 15.800 pessoas foram afetadas pelos terremotos – um número que reflete a quantidade oficial de deslocados, disse na terça-feira a porta-voz da agência da Orgaização da Nações Unidas para refugiados, Carlotta Wolf.
Estimativa da ONU aponta que cerca de 50 mil pessoas ainda estão desaparecidas. Em 24 de junho, terremotos de 7.2 e 7.5 graus na escala Richter devastaram o país. Na última segunda, a Venezuela registrou mais um tremor de terra. Segundo informações do Serviço Geológico dos Estados Unidos, a magnitude foi de 4,6 e o epicentro foi em Caraballeda, no litoral norte do país, a cerca de 30 km da capital, Caracas.
Quatro policiais do Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas (CICPC) foram presos e expulsos da corporação na Venezuela sob acusação de se apropriar de dinheiro e outros objetos de valor encontrados entre os escombros de prédios que desabaram no estado de La Guaira, no norte do país.

