Intervenção artística integra as comemorações pelos 170 anos de Ribeirão Preto e valoriza a produção local, a cultura hip-hop e a biodiversidade
Como parte das comemorações pelos 170 anos de Ribeirão Preto, o Teatro de Arena DoutorJaime Zeiger recebeu uma nova intervenção artística em grafite, transformando um de seus principais murais em uma obra que celebra a identidade cultural da cidade, a arte urbana e a riqueza da biodiversidade local.
Produzido durante o Festival de Hip-Hop promovido pela prefeitura de Ribeirão Preto, por meio da Secretaria Municipal da Cultura e Turismo, o mural foi desenvolvido coletivamente por artistas da cena local e reafirma o Teatro de Arena como um espaço público de criação, expressão artística e diálogo permanente com a comunidade.
A composição reúne elementos característicos da cultura Hip-Hop e da fauna e flora presentes no entorno do teatro, estabelecendo uma conexão entre patrimônio cultural, meio ambiente e identidade urbana. A obra apresenta espécies nativas da região, como a peroba-rosa, a onça-parda, o tucano, a cutia e o pica-pau, integradas à linguagem visual do grafite e da arte de rua.
“Esta intervenção fortalece a vocação do Teatro de Arena como um espaço aberto à arte, ao diálogo e à diversidade cultural. Ao valorizar os artistas locais e a cultura Hip-Hop, reafirmamos o compromisso de manter um dos principais equipamentos culturais da cidade em constante diálogo com a comunidade, promovendo o encontro entre cultura, patrimônio e meio ambiente”, destaca a secretária municipal da Cultura e Turismo, Maria Eugênia Biffi.
Antes da execução, o projeto passou pela análise técnica da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que avaliou a representação das espécies retratadas, e recebeu aprovação do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural de Ribeirão Preto (Conppac), garantindo a compatibilidade da intervenção com as características históricas e ambientais do espaço.
Participaram da criação do mural os artistas Lola Cauchick (tucano), B-boy (cutia e pica-pau), Tesk (onça-parda e preparação) e Dida (concepção digital, mockups e bases), representantes da cena local de grafite e arte urbana. A intervenção contou ainda com o apoio cultural do Sesc Ribeirão Preto.
Além de renovar um dos principais espaços culturais da cidade, a obra deixa como legado um novo marco artístico para o Teatro de Arena, ampliando sua vocação como palco de manifestações culturais contemporâneas e de valorização da produção artística local.
Conceito da obra – Intitulada Ancestralidade Urbana no Teatro de Arena, a intervenção propõe um encontro entre a natureza e a arte urbana, estabelecendo um diálogo entre o bosque que envolve o teatro e a linguagem do grafite.
A peroba-rosa ocupa o centro da composição como símbolo de conexão entre a cidade e a natureza. Ao seu redor, espécies da fauna regional – como a onça-parda, o tucano, a cutia e o pica-pau – representam a riqueza ambiental de Ribeirão Preto e reforçam a importância da preservação do patrimônio natural.
Outro elemento central da obra é a utilização da caligrafia característica do grafite, inspirada na linguagem das ruas e apresentada como uma forma contemporânea de expressão que dialoga com grafismos ancestrais brasileiros, aproximando diferentes tempos, culturas e formas de ocupar o espaço urbano.
A intervenção também marca a primeira curadoria feminina de grafite realizada no Teatro de Arena, conduzida por Lola Cauchick, reafirmando a presença das mulheres na produção artística e na ocupação dos espaços culturais públicos. A curadoria é de Lola Cauchick.
O Teatro de Arena Jaime Zeiger completa 57 anos em 20276. Foi inaugurado em 1969, idealizado e construído por Jaime Zeiger numa meia-encosta, em uma área de aproximadamente seis mil metros quadrados. Zeiger realizou pesquisas em vários países da Europa e Oriente Médio para a escolha do local ideal: topografia que favoreceria a qualidade acústica do teatro.
Foi o primeiro teatro de arena construído no interior do Estado de São Paulo. A peça “Antígona” (de Sófacles) foi o primeiro espetáculo teatral apresentado no espaço cultural. Em 1980,o local ganhou o nome de seu idealizador, Jaime Zeiger. Em 1986, 17 anos depois da abertura, passou pela primeira grande reforma. O espaço foi reinaugurado um ano depois,em 1987, com show de Jorge Mautner e Nelson Jacobina.
Também já passaram pelo palco do Arena nomes como Gilberto Gil, Vinicius de Morais, João Gilberto, Novos Baianos, Cartola e Os Mutantes. O último nome de peso a se apresentar no local foi Paulinho da Viola, em 2015. A arquibancada do Arena possui 15 degraus e abriga duas mil pessoas sentadas. Até a reforma em 2013, o palco era cercado por um fosso d’água. Após a intervenção, o local foi preenchido com pedras brancas.

