Rosemary Conceição dos Santos*
De acordo com especialistas, Maria Mercedes Carranza foi uma poetisa colombiana que cresceu na Europa e retornou à Colômbia para estudar filosofia e literatura. Editando diversas páginas literárias em jornais e revistas, atuou na política como representante do movimento Aliança Democrática M-19 na Assembleia Nacional Constituinte de 1991. Na Europa, ainda jovem e acompanhada pelo pai, a autora se estabeleceu na Espanha e na França, tendo a oportunidade de conhecer e interagir com alguns dos poetas mais renomados da época. Concluindo seus estudos na Universidade dos Andes, graduou-se em Filosofia e Letras.
Trabalhando como jornalista para jornais como El Siglo, em Bogotá, e El Pueblo, em Cali, nestes veículos dirigiu as páginas literárias Vanguardia e Estravagario, esta última com seu marido, o escritor Fernando Garavito. Durante treze anos foi editora-chefe da revista Nueva Frontera. Nos anos que antecederam sua morte, foi responsável pela seção de crítica literária da revista Semana. Na esfera política, Carranza apoiou a campanha presidencial de Luis Carlos Galán pelo movimento Novo Liberalismo e fez parte da Assembleia Nacional Constituinte de 1991, representando o movimento Aliança Democrática M-19. Em 1986, assumiu a direção da Casa de Poesia Silva, onde trabalhou até sua morte. Tendo seu irmão, Ramiro Carranza, sequestrado pelas FARC, a autora liderou uma campanha pela paz em busca da libertação dos reféns. Entre suas coletâneas de poesia mais aclamadas estão “Vainas y otros poemas” (1972), “Tengo miedo” (1983), “Hola, soledad” (1987) e “Maneras de desamor” (1993). Ela também publicou outros livros de contos, antologias e um texto crítico sobre a poesia de seu pai, intitulado “Carranza por Carranza” (1985).
Após sofrer um longo período de depressão, María Mercedes Carranza tirou a própria vida em 11 de julho de 2003, em seu apartamento em Bogotá, por overdose de antidepressivos. Em sua homenagem, o então presidente, Álvaro Uribe Vélez, decretou um minuto de silêncio. Ao lado de seu leito de morte, jazia um poema de seu pai que dizia: “Tudo cai, desaparece, diz adeus, e eu também estou dizendo adeus”. Carranza tinha 58 anos quando morreu. Um ano após sua morte, a Casa da Poesia, juntamente com o Ministério da Cultura e a editora Alfaguara, publicou um livro editado por sua filha, Melibea Garavito Carranza, contendo cinco poemas inéditos de Carranza.
Pertencente à vertente da poesia conversacional e coloquial, seu estilo foge da métrica tradicional e adota uma linguagem cotidiana, direta e potente, marcada por forte ironia, pessimismo e crítica social. Ela aborda temas como a solidão, o amor, a intimidade e a dura realidade da violência política na Colômbia. Faleceu em 2003, enquanto dirigia a Casa de Poesia Silva. Um poema seu? LÁ EU QUERO TE VER
É assim, na aventura da sopa
e um pouco mais ou um pouco menos
onde todos os dias tiras a medida da morte.
Que o vizinho morra é lógico;
após algumas lágrimas também é natural
que morra aquela amiga
e um por um todos aqueles que estão contigo.
Mas como entender que o além é
também para ti ainda que estejas aqui?
Ao chegar aqui deixas de compreender tudo,
tanto que o mistério da santíssimo
trindade é uma piada; uma espécie
de parede negra e nevoenta, para melhor
exatidão, golpeia a tua testa e não
te deixa passar; procuras saídas como nos
sonhos, atracadas, aos tropeços
e tão sonolenta. Finalmente
deixas para outro dia.
Professora Universitária*





