Tribuna Ribeirão
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Velhice, Morte – Finitude, Eternidade

Mário Palumbo *
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Muito me alegrei quando me disseram: “Vamos à Casa do Senhor”  (Sl 122).

Para o mundo a velhice é um peso, o idoso é inativo, acarreta problema para si, para a família e para o INSS. A morte é um assunto para ser eliminado. Para a terceira idade, surgem casas para idosos que muitas vezes são apenas depósitos lucrativos na espera do fim deles. Para eles não se tem tempo!

Há também padres da “igreja em saída” que não se interessam pelos anciãos, preferem cantar, promover quermesses e habitam longe das igrejas. Saudade dos tempos quando moravam nas canônicas sempre de portas abertas para receber os fiéis!

Na visão cristã, o ancião tem valor de redenção.  As limitações do idoso, suas dores e sua fragilidade junto à cruz de Cristo assumem valor divino. Cristo passou trinta anos na simplicidade da vida doméstica de Nazaré. Por três anos andou pela Palestina anunciando o Reino de Deus, curando doentes, restituindo a vista a cegos e dando esperança de vida plena. }

Três horas pregado na cruz, não pensou em si, mas apenas em perdoar os algozes. Dar ao ladrão o Paraiso. Para nós sua mãe. Sofreu a sede ao derramar seu sangue e sentiu o abandono do Pai. Mesmo assim, entregou seu espírito ao Pai para nos salvar. Aqui se insere a missão do idoso: ser um com Cristo, com Ele condividir o “fracasso” da fraqueza e invalidez.

Nossa vida é efêmera, não possuímos o passado, nem o futuro, apenas o agora que foge das nossas mãos. Nossa vida é limitada, mas Deus nos reserva uma vida plena. A fé cristã nos promete vida eterna, mas o cadáver é realidade incontestável. Como conciliar isso? Uma explicação plausível pode nos ajudar para resolver o enigma da morte e vida eterna: a todo momento renovamos nossas células.  Ao morrer, entramos na eternidade onde não existe tempo nem espaço. Sem o corpo não somos pessoas humanas, por isso Deus, no momento da morte, nos dará a corporeidade, e nós permaneceremos sempre as mesmas pessoas.

Para o cristão, a velhice com suas limitações é o caminho para a vida. O idoso “improdutivo” com o terço na mão e sua cruz, abre a porta para a ressurreição e a vida plena em Deus, onde não há lágrimas nem dores. O que o Pai preparou para seus filhos, “nenhum olho viu, nenhum ouvido ouviu, e coração nenhum concebeu” (1 Cor 2:9). Por isso muito me alegrei quando me disseram: “Vamos na casa do Senhor”.

* Professor e padre casado

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