José Eugenio Kaça *
[email protected]
Em ano de eleições espera-se que o debate político sobre os problemas que afligem o povo, sejam o assunto principal, no entanto, um ministro do Supremo Tribunal Federal resolveu tocar fogo na instituição, e ao invés do assunto principal ser as propostas de governo dos candidatos, o assunto principal passou a ser a ilegalidade jurídica dentro da corte, que é a guardiã da Constituição, e com isso a insegurança jurídica a poucos dias de uma das mais importantes eleições deste século fica contaminada. A desinformação e o fanatismo religioso estão tomando conta do cotidiano, e parte da população vive numa bolha, e por diversos motivos acredita num ser ungido que vai salvar a Nação, só não sabem de quem.
A extrema direita mundo a fora, sempre protagonizou ataques a Declaração Universal dos Direitos Humanos, mas não tinha força necessária para modificar um documento que foi produzido para humanizar a humanidade, no entanto, a ascensão da extrema direita vem tirando das catacumbas as ideias que prevaleceram na Idade Média, e isso é um perigo. A contaminação do cotidiano brasileiro é visível, e o processo eleitoral corre risco. A extrema direita tomou conta da terra do Tio Sam, e agora os ataques para derrubar a Declaração Universal são diretos. Aqui no Brasil, a extrema direita também é adepta das ideias do Império do Norte de revisar a Declaração Universal dos Direitos Humanos, mas após o fim da ditadura cívico-militar vivia na penumbra, entretanto, aos poucos foi mostrando a sua cara. A apresentação de uma Emenda Constitucional, no dia seguinte da Promulgação da Constituição mostrou que estavam, de volta.
Porrada, bala e bomba são as propostas dos candidatos ligados de alguma maneira ao extremismo de direita, o modelo de segurança pública que querem implantar no Brasil é o modelo Nayib Bukele, presidente de El Salvador. As propostas para a educação, saúde, saneamento básico e a desigualdade social ficam em segundo plano para essa gente, mas o ódio contra as classes subalternas é explicito. O fundamentalismo religioso está cegando as pessoas, e líderes religiosos inescrupulosos induzem seus fies a propagar o ódio contra outras religiões, principalmente contra as religiões de matriz africana – tudo em nome de “Deus”. Analisar a vida pregressa dos candidatos nem pensar, seguem as ordens do pastor, que é um homem “ungido”, e como homem “ungido”, leva seus candidatos preferidos para discursar e destilar ódio contra seus opositores, nos púlpitos das igrejas e serem abençoados pelo homem de “Deus”, e com isso o cristianismo do Novo Testamento vai sendo substituído pelas ideias violentas do velho Testamento.
Eu vejo gente pobre, que vive uma vida de dificuldade, encher a boca para dizer que odeia as ideias da esquerda, e bate no peito dizendo que é cristão, aíeu vejo a falta que faz uma educação libertadora, senão vejamos: até a promulgação da Constituição cidadã, o povo pobre não tinha direito algum. Quem não fosse um trabalhador CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), não tinha direito a saúde e a aposentadoria, o atendimento médico era feito em farmácias, onde o farmacêutico tinha a solução para quase tudo, e o casos mais graves eram atendidos pelas misericórdias das santas Casas e beneficências portuguesas, e dependiam da boa vontade das religiosas. O Salário Mínimo era regional, quanto mais pobre a região era, menor era o Salário Mínimo. O direito universal a saúde dos brasileiros só foi possível com a criação do SUS em 1988, resultado da luta da esquerda pela saúde pública. Todos os diretos sociais que temos nos dias de hoje são frutos da luta dos trabalhadores, sempre ligados a esquerda. Um povo esclarecido, não é facilmente enganado, e por conta disso os poderosos não permitem que o País tenha uma educação pública libertadora, pois controlar através da desinformação é mais fácil.
A desinformação leva ao caos, pois o candidato da extrema direita, envolvido em todo o tipo de falcatruas e roubalheira, e traidor da Pátria está disputando cabeça a cabeça a eleição presidencial – como isso é possível. Parte da população está sofrendo de uma doença contagiosa e mortal. O antidoto é o conhecimento, mas este foi alijado do certame. E o povo pobre se não abrir o olho vai voltar aos patamares do século passado.
* Pedagogo, líder comunitário e ex-conselheiro da Educação

