Rui Flávio Chúfalo Guião *
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No ano de 2004, o jornal Tribuna de Ribeirão preparava-se para mais uma entrega do prêmio Top of Mind, destinado a reconhecer as empresas melhor avaliadas por seus clientes. O evento ocorreria na Sociedade Recreativa e de Esportes e teria como Mestre de Cerimônia o conhecido Diretor e apresentador do Bom Dia Brasil, da Rede Globo, o jornalista Renato Machado.
A Santa Emília era uma das premiadas e para lá me dirigi para receber o troféu.
Ainda subindo a rampa da Recreativa, desabou um temporal como há muito não se via na cidade. O céu despencou e o vento envergava a ramagem das sibipirunas da avenida 9 de Julho.
No salão, menos de cinquenta por cento dos premiados tinha conseguido vencer a tempestade, adiando assim o início da festa.
Aproximou-se de mim o Eduardo Ferrari, diretor do Tribuna e me pediu se podia resolver uma situação: Renato Machado tinha manifestado o desejo de tomar vinho após o evento e, sabedor de que eu gostava da bebida, pediu-me se podia acompanhá-lo num jantar, regado a bom vinho, pois sabia que ele era um dos grandes conhecedores da bebida.
Pensei de imediato em levá-lo ao restaurante do chef João Roberto.
Telefonei para o João, expliquei que levaria o Renato Machado para jantar e tomar um bom vinho. Ele me perguntou a que horas chegaríamos, pois ele era bastante exigente nas normas do estabelecimento: só uma rodada por mesa, mesas com um máximo de seis pessoas e término das atividades às dez e meia da noite.
Argumentei que a solenidade estava atrasada em função da tempestade, que o convidado era nacionalmente conhecido, era a sua primeira visita à nossa cidade e que o restaurante do João Roberto tinha as qualidades para recebê-lo.
Relutantemente embora, o João Roberto concordou em nos esperar.
No caminho para o restaurante, o Renato Machado se portou como se fosse um velho amigo. Contou de sua satisfação em conhecer a cidade e falou de sua rotina com o Bom Dia Brasil: chegava à Globo às cinco da manhã, analisava as matérias que haviam sido escolhidas na véspera, acrescia as últimas notícias, preparando os assuntos que iriam ao ar às oito horas.
Terminado o noticiário, Renato ia jogar tênis ou fazer exercícios, retornava à casa e, se muito cansado, dava uma dormidinha. Depois do almoço, voltava à Globo.
Perguntei-lhe como começou a gostar de vinho. Respondeu que a convite da Danuza Leão foi com ela a Londres. Enquanto Danuza levava longo tempo provando vários vestidos numa loja de alta costura, Renato viu um livro sobre vinhos, leu-o e decidiu na hora que estudaria exaustivamente a matéria.
Chegamos ao restaurante do João Roberto passando das onze e meia da noite. Acompanhado de sua mulher Regina, ele nos esperava e nos deu calorosas boas vindas.
O papo agradável que começou no carro, continuou no restaurante e quando o Renato viu a Carta de Vinhos se surpreendeu pela sua variedade, fato que se repetiu com a diversidade das taças de cristal à disposição dos clientes, bem como com a comida escolhida.
Terminado o jantar, levei o Renato Machado para o hotel, despedimo-nos amigavelmente e durante bastante tempo nos correspondemos, comentando os vinhos tomados.
Uma semana depois, o João Roberto me convida para ir ao restaurante e me mostra, todo orgulhoso e satisfeito, crônica que Renato Machado havia publicado num domingo no O Globo, louvando a arte do João e Regina. E confessava que, quando se dirigia comigo para o jantar, esperava um honesto, mas simples Lambruscoe não os excelentes vinhos do restaurante. Também manifestou sua surpresa de encontrar um cardápio de altíssima culinária, colocando a cidade num patamar único e invejável.
* Advogado, empresário, presidente do Conselho do Grupo Santa Emília, secretário-geral da Academia Ribeirãopretana de Letras

