A quinta e última cirurgia para separação total das irmãs craniópagas – unidas pela cabeça – Heloísa e Helena, nascidas em São José dos Campos em janeiro de 2024 (dois anos e sete meses), no Vale do Paraíba (SP), será realizada neste sábado, 15 de agosto, no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.
A cirurgia estava inicialmente agendada para 27 de junho, mas foi adiada devido ao quadro respiratório de uma das gêmeas. O caso está sendo conduzido pelas equipes de Neurocirurgia Pediátrica e Cirurgia Plástica do Hospital, sob o comando do professor doutor e neurocirurgião Jayme Farina Junior.
A cirurgia terá início às sete horas da e deve se estender até o final do dia. Posteriormente, a equipe do Hospital das Clínicas convocará entrevista coletiva para explicar os detalhes da operação. Em 21 de março, as gêmeas craniópagas foram submetidas à quarta de cincos cirurgias programadas pelo Hospital das Clínicas até a separação total.
O procedimento durou cerca de seis horas para implantação de bolsas extensoras, reconstrução óssea e proteção do cérebro. Foram implantadas duas bolsas de silicone subcutâneas (uma em cada gêmea) com o objetivo de expandir progressivamente a área total de pele que será utilizada para recobrir o topo das cabeças na última cirurgia. As meninas estão sob cuidados da equipe no HC Criança.
O procedimento foi o último antes da cirurgia de separação total das irmãs siamesas. A terceira operação ocorreu em 28 de fevereiro e durou sete horas. As equipes de Neurocirurgia Pediátrica e Cirurgia Plástica do Hospital das Clínicas, sob o comando do professor doutor Jayme Farina Jr., já conseguiram separar 75% dos cérebros e dos vasos sanguíneos.
O objetivo da equipe, composta por mais de 50 profissionais da saúde e de apoio, é a separação completa ao final de uma série de cinco cirurgias ano. Segundo Jayme Farina, a implantação dos expansores foi necessária porque não há pele suficiente para o fechamento dos crânios.
“São bolsas de silicone que colocamos vazias, com uma válvula embaixo da pele. Semanalmente, a gente injeta soro fisiológico nessas válvulas, e elas vão enchendo com esse líquido. Isso vai permitindo a expansão da pele, fazendo uma analogia com o abdômen de uma gestante, que vai aumentando. É semelhante”, disse á época.
“Essa expansão é progressiva até a a separação total dos corpos”. O procedimento foi minuciosamente planejado ao longo de mais de um ano, com realização de projeções de realidade virtual e exames de imagem, como tomografias computadorizadas e ressonâncias magnéticas, além da impressão de vários modelos em 3D.
A primeira cirurgia foi realizada em 23 de agosto de 2025, durou oito horas e foi bem sucedida, atingindo 25% da meta, segundo a equipe médica do Hospital das Clínicas. A segunda ocorreu em 8 de novembro, durou cerca de dez horas e atingiu mais 25%. Foram feitas incisões cutâneas no lado oposto aos cortes efetuados em agosto, para ligamento dos vasos sanguíneos.
Os pais de Heloísa e Helena, Amarildo Batista da Silva e Claldilene Aparecida dos Santos, estão morando provisoriamente em Ribeirão Preto, onde permanecerão até a separação do total das meninas e também no pós-operatório, no período de reabilitação
Este é o terceiro caso de gêmeas siamesas craniópagas do hospital. A incidência é extremamente rara, representando um caso em cada 2,5 milhões de nascimentos. No Brasil, a primeira separação de siamesas craniópagas, as gêmeas Maria Ysadora e Maria Ysabelle, ocorreu em outubro de 2018. Focam cinco procedimentos cirúrgicos realizados pela equipe do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto e HC Criança.
Hoje as meninas estão com nove anos e voltaram para Patacas, distrito de Aquiraz, distante 35 quilômetros de Fortaleza, no Ceará, onde nasceram, no final de março de 2019. Vivem com os pais Diego Freitas Farias e Débora Freitas.
Nos Estados Unidos, uma cirurgia de separação de siamesas craniópagas custa cerca de R$ 9 milhões. O primeiro do HC de Ribeirão Preto, e também pioneiro no Brasil, caso foi acompanhado pelo médico norte-americano James Goodrich, referência internacional em intervenções com gêmeos siameses e que faleceu e m decorrência de covid-19 em 2020.
O segundo caso foi o das irmãs siamesas craniópagas Allana e Mariah, hoje com cinco anos e oito meses. A cirurgia definitiva ocorreu entre 19 e 20 de agosto de 2023. Elas são de Piquerobi (SP), onde mora com os pais Vinícius e Talita Cestari. No ano passado ainda vinham à cidade para consultas e exames de rotina no HC Criança.
Em 2023, a quarta e última neurocirurgia teve início às sete horas do dia 19 de agosto e durou cerca de 27 horas. Na manhã do dia 20, as meninas foram separadas. Foram inseridas bolsas de silicone abaixo do couro cabeludo das irmãs.

