Conferência da Fenasucro & Agrocana reuniu especialistas para discutir SAF, produção de etanol, geopolítica e oportunidades para a bioenergia brasileira
A segunda edição da FenaBio começou na quarta-feira, 12 de agosto, durante a 32ª Fenasucro & Agrocana, no Centro de Eventos Zanini, em Sertãozinho, na Região Metropolitana de Ribeirão Preto. No primeiro dia, a conferência reuniu representantes da indústria, do setor produtivo, do mercado e da academia para discutir as transformações da matriz energética e as oportunidades para a bioenergia.
Segundo Paulo Montabone, diretor da Fenasucro & Agrocana, a FenaBio foi criada para ampliar esse debate e aproximar diferentes visões sobre o futuro da bioenergia. “Temos uma cadeia que já é muito desenvolvida, mas que continua abrindo novas frentes de mercado, incorporando tecnologias e buscando mais eficiência”, afirma.
A programação da FenaBio integra a 32ª edição da Fenasucro & Agrocana, reconhecida como a maior feira do mundo voltada à cadeia produtiva da bioenergia, que segue até esta sexta-feira (14) com a expectativa de movimentar R$ 13 bilhões em negócios.
Com organização e promoção da RX e apoio oficial do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise Br), reunirá empresas, compradores, investidores, especialistas e representantes do setor produtivo do Brasil e do exterior.
Novos mercados – Entre os mercados em expansão está o Combustível Sustentável de Aviação (SAF). Especialistas apontaram a disponibilidade de biomassa, a experiência brasileira com biocombustíveis e a diversidade de rotas tecnológicas como vantagens para o desenvolvimento dessa cadeia no país.
Segundo Gilberto Peralta, presidente da Airbus Brasil e presidente do Conselho de Administração da Helibras, o país tem potencial para ser a Arábia Saudita do SAF, podendo ser o maior produtor mundial. “O Brasil pode produzir quase dez vezes mais do que aquilo que a gente consome. É um potencial muito grande”, afirmou durante o painel “SAF: Viabilizando o potencial de liderança do Brasil”.
Segurança energética – A ampliação da oferta de etanol também passou pela integração entre cana-de-açúcar e milho. Os participantes destacaram a complementaridade entre as duas matérias-primas, que permite estender a operação das usinas ao longo do ano e gerar ganhos de produtividade.
O tema também se conectou às mudanças no cenário internacional. No painel sobre geopolítica, especialistas avaliaram que a busca dos países por maior segurança energética abre oportunidades para o Brasil ampliar sua presença como fornecedor de biocombustíveis.
“O xadrez geopolítico abriu uma oportunidade para a bioenergia brasileira, que ganhou espaço por se apresentar como uma alternativa viável para a transição energética”, disse Lucas Rodrigues, especialista em Economia e Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica).
“Nosso país tem maturidade tecnológica e potencial para se consolidar como fornecedor confiável de biocombustíveis”, afirmou no painel “Geopolítica, conflitos e consequências para as bioenergias”.
Mobilidade sustentável – Os biocombustíveis também estiveram no centro do debate sobre o futuro da mobilidade. No painel “Híbridos-flex, EVs e o futuro da mobilidade sustentável”, representantes de montadoras apresentaram inovações e estratégias voltadas à descarbonização do transporte.
João Irineu Medeiros, vice-presidente da Stellantis, reforçou que o Brasil é uma referência na produção de alternativas sustentáveis e também nas políticas públicas de incentivo aos biocombustíveis. “Nós estamos dando um exemplo, com políticas públicas, de redução de 35% da emissão de carbono em dez anos. Sem contar a frota de veículos de etanol já rodando”, destacou.
Fenasucro – Em uma área superior a 100 mil metros quadrados, a Fenasucro & Agrocana tem mais de 600 marcas expositoras, cerca de três mil produtos nacionais e internacionais e mais de 100 horas de conteúdo. A expectativa é receber visitantes de mais de 80 países e representantes de 100% das usinas brasileiras, conectando fornecedores, compradores e profissionais de diferentes elos da cadeia.
No ano passado, o evento movimentou o volume expressivo de R$ 13,7 bilhões em negócios, resultado 28% superior aos R$ 10,7 bilhões registrados em 2024, R$ 3 bilhões a mais, segundo levantamento realizado pelo Ceise Br junto aos expositores. Recebeu mais de 30 mil visitantes.
Na abertura da feira, na terça-feira (11), estiveram presentes o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos); o secretário estadual da Agricultura de São Paulo, Geraldo Melo Filho; o prefeito de Sertãozinho, Zezinho Gimenez (MDB); e o presidente da Fenasucro & Agrocana, Paulo Montabone.
Também participaram o presidente de honra da edição e presidente da União Nacional da Bioenergia (Udop), Hugo Cagno Filho; Antônio Eduardo Tonielo, presidente emérito da feira; Rosana Amadeu, presidente do Ceise Br; entre outras autoridades e lideranças.

