Sérgio Roxo da Fonseca *
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Taís Roxo Fonseca *
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É possível e supostamente necessário examinar o nosso passado para encontrar meios para controlar tanto o nosso presente como possivelmente o nosso futuro.
A cidade de Ribeirão Preto, por volta da década de cinquentajá era considerada uma das principais cidades do Estado de São Paulo, recebendo o título de Capital do Café. Nos nossos dias não mais assim é considerada, muito embora espelha a sua história.
Não era dotada nem pelas grandes avenidas. O alto da cidade era fechado pela “Recreativa”, que no passado havia sido o campo do Comercial. Nas costas da Recreativa encontrava-se a Praça Camões e o hospital Beneficência Portuguesa, até hoje atuante.
Onde hoje está a Avenida 9 de Julho, estava construído um grande prédio, melhor dizendo, o prédio público que ali está até hoje como área escolar, a tradicional Escola Estadual Otoniel, atualmente com endereço na rua Prudente de Morais.
A nossa querida Bonfim Paulista, a Vila Bonfim, antigamente denominada Gaturamo, por onde os poucos veículos e a Estrada de Ferro da Mogiana moviam-separa a cidade de São Paulo, o distrito que se moldou em torno dos trilhos e do café, foi ali mesmo a chegada da Cia. Mogiana de Estrada de Ferro.
Eram poucos os automóveis e raras as estradas de rodagem que hipoteticamente ligavam Ribeirão Preto com a capital de São Paulo.
Com toda a significação, a cidade de Ribeirão Preto, a capital do café, já exibia o Theatro Pedro II e o Teatro Carlos Gomes, que foi derrubado e atualmente convertido em praça pública.
Tendo já ingressado na Rua Visconde do Inhaúma, ao lado da Praça XV, encontrava-se o ponto das charretes, com capotes pretos, que invariavelmente levavam a população para longos passeios, incluindo as solenidades instaladas no cemitério, que até então era somente um.
Poucos eram os automóveis e pouquíssimos eram os ônibus. As residências mais notáveis eram edificadas na Praça XV.
Ali mesmo estava construída a residência do prefeito da cidade Camilo de Matos, bem ao seu lado estava o estúdio fotográfico do inesquecível Névio Cantarelli, que até então não tinha como perseguir o noivo e a noiva. Ao contrário, eram eles que, após o ato nupcial, eram levados para o estúdio fotográfico. Eram raríssimas as máquinas fotográficas. Eram raríssimos os rádios.
Um ponto de relevância era a calçada da Rua General Osório, entre a Tibiriçá e a São Sebastião. Na esquina encontrava-se a Rádio PRA7, muito mais antiga do que a PRA8, que era instalada no Rio de Janeiro, a então capital da República.
Na ponta mais abaixo já funcionava o Restaurante Pinguim. No alto da São Sebastião estava a Cafeteria da Única. Nas calçadas estavam os maridos de chapéu e gravata, quase sempre acompanhados pelas esposas, que caminhavam invariavelmente sobre os saltos altos.
A Catedral de São Sebastião já não mais ilustrava a Praça XV, pois já tomava o venerando espaço de sua história defronte à Praça das Bandeiras. Perdão, da nossa história, só sei que foi assim.
* Advogado, professor livre docente aposentado da Unesp, doutor, procurador de Justiça aposentado, e membro da Academia Ribeirãopretana de Letras
** Advogada

