José Eugenio Kaça *
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Memórias e lembranças são sentimentos humanos, que muitas vezes confrontam a realidade trazendo memórias de um passado, que para poucos foram só flores, mas para a maioria da população o caminho foi espinhoso. No passado contavam-se histórias para a meninada de uns tempos longínquos, onde a fartura era tanta que se amarrava cachorro com linguiça – era uma lenda que instigava a imaginação e a fantasia, e a meninada pobre que vivia na precariedade das periferias pobres (por inocência) faziam coro para que estes tempos de tanta fartura voltasse, nem que fosse um pouquinho.
Quando olhamos para o passado e vislumbramos à vida de agruras que viviam as populações periféricas pobres e compararmos com o presente vemos que houve uma evolução, mas não foi uma evolução gratuita – foi uma luta árdua. A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) foi criada em 1943 para acabar com as jornadas exaustivas de trabalho de até 18 horas, sem folgas semanais ou férias remuneradas, e não existia o salário-mínimo. Foi um alento para a classe trabalhadora, mesmo assim a vida da maioria da população pobre continuava precária. Na saúde havia uma segregação, pois quem não tinha a carteira assinada dependia da misericórdia das Santas Casas e Beneficências. Pobre não tratava dente havia somente as extrações, e as dentaduras (hoje chamadas de próteses dentaria) eram o orgulho dos pobres, nas periferias pobres, o farmacêutico era o “médico” quem fazia e aviava as receitas – consulta médica quando havia tinha que ser paga.
Os direitos humanos dos pobres só foram materializados para valer a partir da Promulgação da Constituição cidadã de 1988. O povo periférico sempre teve esperança com dias melhores, apesar de ter aceitado por muito tempo a condição de inferioridade, e ficar feliz vendo a sua miséria ser exaltada em músicas. “Barracão de zinco sem telhado, sem pintura lá no morro, barracão é bangalô, lá não existe felicidade de aranha céu, pois quem mora lá no morro já vive pertinho do céu”. São versos que exaltavam a miséria, mas que tinha uma musicalidade que encantava, mesmo exaltando a vida precário do povo pobre. A Constituição cidadã veio para dar um alento a classe trabalhadora, e mostrar que todos têm direito a uma vida digna. Entretanto, os cupins que habitam furtivamente as sombras do poder, lutam com deslealdade para enterrar a nossa Carta Magna, e voltar a um passado sem direitos para o povo pobre.
A politicagem e a canalhice de políticos malandros, todos graduados e pós-doutorados na famosa universidade UFMS (Universidade da Falcatrua Malandragem e Safadeza) usam toda essa expertise para prejudicar a vida do trabalhador. Estes políticos inescrupulosos querem ressuscitar um passado de miséria e desesperança, como se fossem uma benevolência para o povo trabalhador. E esse papo de empreendedorismo é um papo de manhã, como disse Caetano Veloso. Usando o sofisma da meritocracia estão conseguindo demonizar a CLT, e muitos jovens estão embarcando nesta barca furada. Até o século passado, cursar uma universidade não era para pobres (com raras exceções). O Brasil de hoje tem o maior número de universidades federais do mundo, e deveria ser motivo de orgulho, no entanto, essa gente trabalha para desqualificar as universidades públicas, pois na visão deturpada dessa gente, o conhecimento não é para todos, pois sabem que o conhecimento liberta, e um povo crítico não embarca em falácias das redes sociais.
A cara de madeira é a ferramenta destes políticos. Sentem tantas saudades do passado, que querem transformar o Brasil em colônia novamente, só que desta vez colônia do Império do Norte, e sentem orgulho em hastear a bandeira do Tio Sam nas suas manifestações. Nunca pensei que viveria para ver tamanha iniquidade e sabujice, e ainda por cima se dizem “patriotas”. O Brasil é dos brasileiros, e não de safados entreguistas!
* Pedagogo, líder comunitário e ex-conselheiro da Educação

