Rosemary Conceição dos Santos*
De acordo com especialistas, Jorge Enrique Botero é lembrado, acima de tudo, por sua paixão por histórias. Por mais de 40 anos, ele viajou por grande parte da Colômbia para descobrir histórias sobre o que acontecia nas montanhas e na selva, o que os agricultores que vivenciaram a violência da guerra tinham a dizer, as vítimas do conflito ou seus protagonistas, independentemente do lado em que estivessem. Escolas de jornalismo estudaram seu trabalho como correspondente de guerra. No entanto, ele rejeitava esse título: preferia ser chamado de “repórter da paz”.
Nascido em Bogotá em 1956, Botero estudou durante a década de 1970 na Universidade Externado da Colômbia, onde se formou em Direito e Comunicação Social e Jornalismo. Iniciou sua carreira na Rádio Caracol e, ao longo da década de 1980, trabalhou com veículos de comunicação como a Prensa Latina, onde foi correspondente em Cuba, e La Jornada, no México. Posteriormente, retornou à Colômbia, onde trabalhou para veículos como 24 Horas, Canal Caracol e Telesur (empresa que fundou), deixando um profundo legado sobre os conflitos e os processos de paz em reportagens, livros e documentários.
Durante a década de 1990, ele também foi um defensor da cultura, acreditando firmemente que contar as histórias do país era a única maneira de quebrar o ciclo de violência. Atuou como Diretor de Comunicação do Ministério da Cultura desde sua fundação, em 1997, trabalhando em estreita colaboração com Ramiro Osorio, então primeiro Ministro da Cultura do país e atualmente Diretor Geral do Teatro Major Julio Mario Santo Domingo. Uma de suas principais contribuições foi a criação de La Franja, um bloco de programação televisiva composto por 22 programas de diferentes gêneros e formatos, como documentários, séries animadas e vídeos informativos sobre arte e cultura, produzidos por cineastas independentes e universidades públicas de todo o país e transmitidos pelo canal Señal Colombia.
Seu trabalho de 40 anos em mídia impressa, radiofônica e televisiva na Colômbia o levou a publicar cinco livros: “Espérame en el cielo, capitán” (Espere por mim no céu, capitão), “Últimas Noticias de la Guerra” (Últimas notícias da guerra), “Hostage Nation”, “La vida no es fácil, papi” (A vida não é fácil, papai) e “Simón Trinidad, el hombre de hierro” (Simón Trinidad, o Homem de Ferro). Entre outros prêmios, ele recebeu o Prêmio Rei da Espanha (1997), o Prêmio Cemex de Novo Jornalismo (2003) e o Prêmio de Melhor Livro Colombiano da Fundação Livros e Letras (2005).
O jornalista, escritor e cineasta faleceu em 31 de agosto de 2024. Dedicou sua vida às letras, à cultura e à paz.
Professora Universitária*





