Tribuna Ribeirão
Economia

Agosto registra deflação de 0,40%

Deflação foi puxada pela queda nos preços de energia elétrica (-6,25%), passagem aérea (-13,30%), combustíveis (-1,43%) e alimentos (-0,57%)

IPCA-15 acumula aumento de 4,24% em doze meses e 3,09% no ano de 2026; deflação de agosto é a taxa mais baixa desde a queda de 0,73% de 2023

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 – prévia da inflação oficial no país – desacelerou de alta de 0,06% em julho para queda de 0,40% em agosto, 0,46 ponto percentual inferior, após avançar 0,41% em junho, 0,62% em maio, 0,89% em abril, 0,44% em março, 0,84% em fevereiro e 0,20% em janeiro. Está 0,26 p.p. abaixo da deflação de 0,14% do sétimo mês do ano passado.

A taxa quebrou uma sequência de onze meses seguidos de inflação no país. Fechou agosto de 2024 em alta de 0,19%. A deflação de agosto foi puxada pela queda nos preços da energia elétrica (-6,25%), da passagem aérea (-13,30%), dos combustíveis (-1,43%), do tomate (-27,38%), da batata-inglesa (-25,14%), da cenoura (-17,05%) e do café moído (-2,31%).

É o índice mais baixo desde a deflação de 0,73% de agosto de 2022. Ou seja, 0,33 p.p. a mais em 2026, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, dia 26. Com o resultado, a taxa em doze meses caiu de 4,52% até julho para 4,24% até agosto, redução de 0,28 ponto percentual.

Depois de três meses, voltou a ficar 0,26 p.p. abaixo do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BC), de 4,50%. O centro é de 3,00%. Em relação aos 4,95% do mesmo período de 2025, o corte chega a 0,71 p.p. Era de 4,50% até janeiro, 4,10% até fevereiro, 3,90% até março, 4,37% até abril, 4,64% até maio e 4,80% até junho.

No acumulado em oito meses de 2026, avança 3,09%, contra 3,51% até julho. Está 0,42 p.p. abaixo e é 0,19 p.p. inferior aos 3,26% do mesmo período do ano passado. Era de 3,45% até junho, de 3,02% até maio, de 2,39% até abril, de 1,49% até março e de 1,04% até fevereiro, segundo a divulgação do IBGE.

Grupos – Cinco dos nove grupos analisados registraram queda em agosto, com destaque para Habitação (de alta de 0,97% em julho para deflação de 1,41%, impacto negativo de 0,22 ponto percentual.), Transportes (de 0,11% para queda de 1,00%, contribuição de -0,20 p.p.) e Alimentação e bebidas (saiu de retração de 0,66% para baixa de 0,57%, impacto de -0,12 p.p. para o IPCA-15).

Vestuário saiu de queda de 0,33% em julho para recuo de 0,20% em agosto, impacto negativo de 0,01 p.p. sobre o IPCA-15. Educação passou de -0,04% para alta de 0,46%, contribuição de 0,03 p.p. Comunicação ficou estável, com para deflação de 0,02%, sem impacto.

A alimentação fora do domicílio saiu de 0,55% em julho para 0,42% em agosto

Saúde e cuidados pessoais registrou inflação de 0,40%, ante 0,28% no mês anterior, impacto de 0,05 p.p.. Artigos de residência recuou de alta de 0,19% para 0,04%, sem contribuição. O grupo Despesas pessoais disparou de 0,08% para 0,66%, impacto de 0,07 ponto percentual).

Alimentação –
O grupo Alimentação e bebidas apresentou variação de -0,57% em agosto, com a redução de 0,97% na alimentação no domicílio (queda de 1,14% ante ulho), destacando-se os recuos do tomate (-27,38%), da batata-inglesa (-25,14%), da cenoura (-17,05%) e do café moído (-2,31%). No lado das altas, destacam-se o leite longa vida (3,41%) e as frutas (3,11%).

A alimentação fora do domicílio saiu de 0,55% em julho para 0,42% em agosto. O lanche (0,75%) registrou variação superior à registrada no mês anterior (0,30%), enquanto a refeição desacelerou de 0,66% em julho para 0,25% em agosto.

Habitação – A deflação de 1,41% no grupo Habitação veio da contribuição de -0,26 p.p. da energia elétrica residencial, principal impacto negativo no índice geral, que recuou 6,25%, em decorrência da incorporação do Bônus de Itaipu, creditado nas faturas emitidas no mês de agosto. Havia registrado altra de 3,03% em julho. Em agosto, continua em vigor a bandeira tarifária amarela, que adiciona R$ 1,885 na conta de luz a cada 100 quilowatts/hora (Kwh)  consumidos.

Saúde – No grupo Saúde e cuidados pessoais (alta de 0,40%), sobressaem os artigos de higiene pessoal (desacelerou de alta de 0,51% em julho para 0,47% em agosto) e o plano de saúde, cuja variação de 0,42% (mesma taxa do mês anterior) reflete a incorporação do reajuste autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Para os planos contratados após a lei nº 9.656/98, o percentual é de até 5,11%, com vigência a partir de maio de 2026 e cujo ciclo se encerra em abril de 2027. Para os planos contratados antes da lei nº 9.656/98, os percentuais autorizados foram de 5,52% e 6,20%, a depender do plano.

Transportes –
O grupo Transportes registrou deflação de 1,00% em agosto, com os recuos da passagem aérea (passou de alta de 11,70% em julho para deflação de 3,30%) e dos combustíveis (queda de 1,43% ante retração de 0,90% no mês anterior). Foram registradas quedas no etanol (-3,63%, após baixa de 2,50%), na gasolina (-1,23%, após retração de 0,68%) e no óleo diesel (-0,71% depois de cair 1,32% em julho), enquanto o gás veicular aumentou 1,42% após -0,97%.

Outros – No grupo Despesas pessoais (0,66%), o resultado foi influenciado principalmente pelo reajuste no preço do cigarro (5,56%), a partir de 1° de agosto. Educação variou 0,46% em agosto, com a incorporação de reajustes nos cursos regulares (0,52%), principalmente por conta dos subitens ensino fundamental (0,58%) e ensino superior (0,49%). A alta dos cursos diversos (0,36%) foi influenciada pelos cursos de idiomas (0,92%).

IPCA cheio – O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) terminou julho em alta de 0,07%. O acumulado em doze meses estava em 4,44% até o mês passado. A taxa acumulada pela inflação em sete meses era de 3,44%.

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