Ao menos 160 pessoas morrem em inundações no Nepal e no Tibete e 844 estão desaparecidas, entre elas 384 turistas
Pelo menos 160 pessoas morreram nesta quarta-feira, 26 de agosto, em inundações no Nepal e no Tibete, depois que uma avalanche devastadora atingiu uma região na fronteira. As imagens divulgadas pela polícia nepalês mostram um rio transbordando e arrastando várias casas em seu percurso no distrito de Rasuwa, que foi um dos mais afetados.
“Até o momento, 157 mortes foram confirmadas”, declarou o porta-voz da polícia do Nepal, Abi Narayan Kafle. Ele acrescentou que 28 policiais também estão desaparecidos. As operações de resgate continuam na região. São 157 mortos em sete localidades nepalesas diferentes.
O número de desaparecidos está em 579 no país. Do lado do Tibete, são três mortos e 265 desaparecidos, totalizando 844. Mais de 380 turistas, em sua maioria estrangeiros ficaram incomunicáveis e são considerados desaaparecidos, após a grande inundação atingir a região de fronteira com o Tibete,.
A inundação atingiu Syabrubesi, ponto de partida da popular rota de “trekking” de Langtang, assim como outras áreas usadas por viajantes na peregrinação hindu até Kailash Mansarovar.
O Exército do país, situado na cordilheira do Himalaia, anunciou a mobilização de 14 helicópteros e equipes de resgate para apoiar os trabalhos. “As inundações são grandes e podem ter afetado muitas áreas habitadas”, declarou Kafle à AFP. Os danos ainda estão sendo avaliados, acrescentou.
“Um registro preliminar, compilado a partir de informações de empresas de turismo e viagens, identificou 384 viajantes – incluindo 291 estrangeiros e 93 nepaleses – relatados como desaparecidos nas áreas afetadas”, informou o Conselho de Turismo do Nepal, acrescentando que as autoridades trabalhavam para verificar o paradeiro dessas pessoas.
As autoridades informaram que os turistas estrangeiros são de países como a Índia, os Estados Unidos, o Reino Unido e a Malásia. O primeiro-ministro Balendra Shah anunciou que convocou uma reunião urgente da agência responsável pela gestão de desastres.
“O trabalho já começou para adotar as medidas necessárias, em coordenação com as equipes médicas, de buscas e da Cruz Vermelha”, escreveu o governante em sua conta na rede social X.
A inundação pode ter sido provocada por uma avalanche de gelo “que caiu no rio Lhende, mas a causa exata ainda será determinada”, declarou Qianggong Zhang, cientista do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha (ICIMOD), com sede em Katmandu.
No vizinho Tibete, do lado chinês da fronteira, um deslizamento de terra procedente do Nepal deixou “muitas vítimas e desaparecidos no Porto Gyirong”, informou o canal público chinês CCTV.
A agência estatal Xinhua acrescentou que o presidente Xi Jinping ordenou “mobilizar todos os recursos” para as operações de resgate, mas não divulgou um balanço de mortos ou feridos.
Xi afirmou que “a tarefa mais urgente é fazer todo o possível para encontrar e resgatar os desaparecidos”, assim como “atender rapidamente os feridos e reduzir ao mínimo o número de vítimas”, segundo a CCTV. (Com agências internacionais).

