Rodrigo Gasparini Franco *
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A semana começou triste com a perda de uma pessoa muito querida que lutou bravamente contra a leucemia mieloide aguda. Meu primo, Marcelo Gasparini, compartilhava diariamente em suas redes sociais parte de sua rotina médica e demonstrava uma fé e esperança que contagiaram centenas de pessoas. Desse testemunho diário de coragem e entrega brotou uma mobilização comovente, unindo fãs, amigos e familiares em uma vigília de afeto e preces. Em Ribeirão, talvez nunca se tenha visto uma corrente de orações tão vasta e fervorosa, desenhada no compasso de corações que pulsavam juntos pela sua recuperação.
Essa onda de comoção não era obra do acaso, mas o eco do amor imenso que Marcelo semeava a cada passo, com seu carisma solar, seu sorriso largo e aquela aura radiante que iluminava qualquer ambiente. A força da corrente criada ao seu redor revelou o quanto ele era querido e o espaço que ocupava na vida de tantos amigos e admiradores. Talvez tenham sido essa sua energia e presença de palco que o transformaram em um palestrante motivacional de sucesso. E como você sempre dizia: “DIAS MELHORES VIRÃO!” Quer mais sabedoria do que a contida nessa frase? É exatamente o mito da caixa de Pandora repaginado em suas singelas, mas poderosas palavras.
Esse dom de inspirar e espalhar encanto sempre esteve entranhado na sua história, entrelaçando-se às memórias mais doces da nossa infância. Guardo no olhar da alma uma fotografia do meu aniversário de um ano, sob o tema do circo, onde você e o Maurício surgem leves e risonhos, brincando com as outras crianças no picadeiro de uma festa inesquecível. Com o passar dos anos, essa cumplicidade artística e fraterna ganhou novos palcos, levando-me à lembrança inesquecível da vez em que vocês lançaram o álbum de estreia, “Almas Gêmeas”, no Clube de Regatas.
O primeiro sucesso veio logo com “Sentimento Safenado”, mas era outra melodia daquele mesmo álbum que guardava a chave do infinito. Em “Bem-te-vi”, uma canção singela, mas carregada de uma poesia pura e tocante, as vozes de vocês se fundiam em perfeita harmonia ao sussurrar: “voa livre por entre os jasmins”. Agora, primo, o horizonte se abriu por inteiro e você está verdadeiramente livre para voar por todos os cantos, espalhando sua energia contagiante, leve e perfumada, pelo mundo afora.
Sua partida nos deixa a certeza de que a sua existência foi uma obra de arte vivida sem rascunhos ou hesitações. Cito Sêneca para ilustrar um pouquinho de sua vida. Em cartas a Lucílio, o filósofo estoico Sêneca, citando Epicuro, diz: “Uma das muitas misérias da ignorância é a de sempre começar a viver”. Você nunca teve um recomeço de vida, sempre viveu a vida da forma que deve ser vivida: presente, pleno, transbordando afeto e encarando a tempestade com o peito aberto e a alma serena.
Ficam as lembranças preciosas, os risos compartilhados e uma história luminosa que o tempo não ousará apagar. A Juliana e o Bruno estão aqui para continuar seu legado neste plano terreno, mantendo acesa a chama de sua generosidade e de seu amor. Obrigado pela nossa amizade. Descanse em paz, primo!
* Advogado e consultor empresarial de Ribeirão Preto, mestre em Direito Internacional e Europeu pela Erasmus Universiteit (Holanda) e especialista em Direito Asiático pela Universidade Jiao Tong (Xangai)

