Rui Flávio Chúfalo Guião *
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Os brasões têm muitos anos de história. Os nobres europeus usavam-nos para identificar suas propriedades e, nas guerras, para indicar a origem dos batalhões. Nos combates festivos, o brasão mostrava quem estava dentro das armaduras, portando suas longas lanças voltadas para atingir e derrubar os adversários.
A Igreja Católica, dominante da Idade Média, incentivava seus membros a criarem brasões mostrando a origem dos clérigos. Até hoje, bispos, arcebispos, cardeais e o Papa criam os seus, tão logo assumem os cargos.
Mas, antes do surgimento dos brasões, usavam-se selos para autenticar os documentos. Derretia-se a cera, geralmente de cor vermelha e impunha-se o sinete do emitente. É comum, nos museus, ver papeis assinados com este sistema.
Portugal sempre teve heráldica expressiva, que foi trazida para o Brasil, no processo de colonização da nova terra. Fixa-se no brasão de armas de D. Afonso Henrique, primeiro rei português a primazia do seu uso.
Durante longos anos, as armas portuguesas eram usadas nos documentos emitidos no Brasil e nas representações oficiais. Foi somente em 1815, com a elevação de nosso país à condição de Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, que tivemos nosso primeiro brasão.
Proclamada a Independência, o Imperador mandou criar novo brasão para o novo país, bem como regulamentou o uso dos símbolos nacionais.
A primeira cidade brasileira a ter brasão próprio foi Salvador, dado a ela pelo rei D. João III, em 1549, quando a escolheu para ser sede do Governo-Geral do Brasil.
Ribeirão Preto tem uma história interessante sobre seu brasão. Fundada em 1856, dependente de São Simão, somente em 1871 foi reconhecida como município, mas apenas em 1942, durante o mandato do Prefeito José de Magalhães, cogitou de confeccionar o seu brasão, que foi finalmente aprovado pela lei n. 95, de 20/06/1949.
Seu projeto é de Guilherme de Almeida, o grande poeta paulista e o modelo definitivo desenhado por José Walsh Rodrigues, grande estudioso da heráldica e criador da maioria dos brasões municipais brasileiros, inclusive o do estado de São Paulo.
No listel, vê-se a inscrição “BandeirantiumAger”, Terra dos Bandeirantes, reconhecendo a cidade como pouso dos paulistas no caminho para as minas gerais, bem como expressando sua vocação de pioneira em conquistar novas terras, novos povos e novas tecnologias.
Ramos de café circundam o escudo português em prata, com uma águia indicando sua vocação de sempre voar alto. E encimado pela coroa mural, privativa dos municípios. Um sinuoso rio indica não somente o ribeirão que lhe deu o nome, mas os vários cursos de água que percorrem nosso município.
Em outubro de 1952, a cidade estava em festa, recebendo os 17os. Jogos Abertos do Interior. Nossa urbe não tinha bandeira que pudesse ser usada nos desfiles e eventos. O Prefeito Alfredo Condeixa Filho institui então concurso público para sua criação. Entretanto, ninguém participou e coube ao funcionário público Pedro José Salles Júnior apresentar algumas ideais, dentre elas a que foi escolhida como nossa bandeira.
Interessante notar que nossa primeira bandeira tinha fundo azul e lista branca, depois houve inversão das cores. Hoje, ela tem fundo branco, com lista azul portando o brasão da cidade.
Os símbolos municipais acima citados, bem como o Hino de Ribeirão Preto, música de Diva Tarlá de Carvalho e letra do acadêmico Saulo Ramos, foram atualizados e oficializados em 1991, durante o mandato do Prefeito Welson Gasparini.
* Advogado, empresário, presidente do Conselho do Grupo Santa Emília, secretário-geral da Academia Ribeirãopretana de Letras

