A Justiça de Ribeirão Preto aceitou denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e tornou Amanda Carla da Silva, de 22 anos, ré por homicídio qualificado – meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. A mulher é suspeita de assassinar a facadas o namorado Marcus Vinicius Gonçalves da Silva, de 32 anos, na madrugada de 7 de setembro, Condomínio Reserva Macaúba, na Zona Norte de Ribeirão Preto.
A defesa diz que entrará recurso pedindo a liberdade de Amanda Carla e contestando a decisão judicial, já que., segundo os advogados, ela não é uma pessoa perigosa e não oferece risco à sociedade. Porém, para a Polícia Civil e o MP há fortes indícios de que a mulher tenha cometido o crime.
A família de Marcus Vinicius diz que a vítima e Amanda Carla mantinham um relacionamento, contradizendo o que a suspeita havia declarado inicialmente, de que apenas dividiam apartamento para reduzir as despesas. Além disso, afirmam que a acusada fez uma “live” logo após o crime mostrando o corpo do o rapaz.
Marcus Vinicius foi encontrado morto dentro do apartamento. Apresentava ferimento na região do pescoço e havia duas facas próximas ao corpo. Amanda Carla foi localizada no corredor do prédio com vestígios de sangue nas roupas, nas mãos e no rosto.

Segundo o registro policial, ela apresentou versões diferentes sobre o que havia acontecido. Imagens de câmeras de segurança mostram a mulher com a faca em punho. Ela alega legítima defesa. Inicialmente, afirmou que havia discutido com Marcus Vinicius.
Ele teria avançado contra a mulher com uma faca. A suspeita disse que pegou outra arma branca e atingiu o companheiro. Ainda no local, porém, apresentou uma segunda versão, segundo a qual a vítima teria cometido suicídio.
Posteriormente, em interrogatório, voltou a afirmar que havia agido em legítima defesa. Segundo o relato apresentado à Polícia Civil, Marcus Vinicius teria avançado contra Amanda Carla com uma faca e, depois de uma nova tentativa de entrar no quarto, a mulher pegou uma faca que mantinha sob o travesseiro e desferiu golpes contra a vítima.
As câmeras de segurança do condomínio também registraram Amanda Carla no corredor antes e depois do crime. Em uma das imagens, ela aparece deixando o apartamento por volta de 0h30 com um objeto na mão esquerda, cujas características aparentavam ser compatíveis com uma faca.
Relacionamento – Segundo Ketlin Beatriz da Silva de Jesus, irmã da vítima, os dois mantinham um relacionamento e estavam namorando havia cerca de dois meses. Amanda Carla teria convidado Marcus Vinicius para morar com ela no apartamento.
A irmã também afirmou que a família conheceu Amanda Carla em 30 de agosto e que ela foi apresentada como namorada do irmão. Segundo o depoimento, os dois usavam aliança de compromisso.
Ketlin Beatriz também relatou à Polícia Civil que Marcus Vinicius havia enviado dinheiro para a conta dela e pedido que realizasse transferências para Amanda Carla para o pagamento de despesas da casa. “Ele pedia para eu estar fazendo Pix para ela, eu tenho isso tudo comprovado”, afirmou.
A irmã disse ainda que a família desconfia de uma possível questão financeira relacionada ao crime. Segundo ela, Marcus Vinicius tinha um processo trabalhista do qual esperava receber dinheiro. A hipótese, porém, ainda será investigada.
Live – Outro fato relatado pela família à Polícia Civil envolve uma suposta transmissão ao vivo feita por Amanda Carla em uma rede social após o crime. Segundo Ketlin Beatriz, ela não teve acesso à transmissão, mas recebeu imagens e capturas de tela que indicariam que uma live havia sido realizada pelo perfil usado pela suspeita, identificado como “Ravena”. De acordo com a irmã de Marcus Vinicius, as imagens mostram o corpo dele no chão do apartamento durante a transmissão.

