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São Paulo passa a ter mais idosos do que menores de 15 anos

Envelhecimento da população amplia a necessidade de planejamento nas áreas de saúde, mobilidade, assistência social e serviços de cuidado | Crédito: Alfredo Risk

O estado de São Paulo passou a ter mais pessoas com 60 anos ou mais do que crianças e adolescentes menores de 15 anos. Segundo dados referentes a 2025 do Painel População, da Fundação Seade, o índice de envelhecimento chegou a 101 — o equivalente a 101 idosos para cada 100 moradores de 0 a 14 anos.

O índice de envelhecimento paulista multiplicou-se por 8,7 desde 1950, quando havia 11,6 pessoas idosas para cada 100 crianças e adolescentes nessa faixa etária. A proporção chegou a 34,1 em 2000, subiu para 53,9 em 2010 e atingiu 82,3 em 2020. Em 2025, superou pela primeira vez a marca de 100.

São Paulo tem atualmente cerca de 8,4 milhões de moradores com 60 anos ou mais. A mudança resulta principalmente da redução do número de nascimentos e do aumento da longevidade. Com isso, a base da pirâmide etária, formada pela população mais jovem, estreitou-se, enquanto as faixas de maior idade ganharam participação.

Segundo Lucia Yazaki, pesquisadora da Fundação Seade, a taxa de fecundidade no estado está em aproximadamente 1,5 filho por mulher. No século passado, a média era de cerca de quatro filhos. O envelhecimento amplia a necessidade de planejamento em áreas como saúde, assistência social, previdência, moradia, mobilidade, lazer e serviços de cuidado.

Geração X começa a chegar aos 60 anos

A entrada dos primeiros integrantes da geração X no grupo com 60 anos ou mais ajuda a acelerar essa transformação. Em 2025, aproximadamente 549 mil paulistas tinham exatamente 60 anos e representavam 6,6% da população idosa do estado.

O contingente com 60 anos ou mais já se aproxima daquele formado pelos moradores de 45 a 59 anos, que reúne aproximadamente 9,2 milhões de pessoas. A dimensão desse grupo indica que o envelhecimento da população continuará avançando nos próximos anos.

O processo, entretanto, ocorre em ritmos diferentes pelo estado. Os menores índices de envelhecimento estão concentrados no sul paulista. Na região de Registro, por exemplo, são 93 pessoas idosas para cada 100 menores de 15 anos. No norte e no noroeste, municípios das regiões de Araçatuba e Presidente Prudente apresentam patamares próximos ou superiores a 120.

As diferenças são influenciadas pelos níveis locais de fecundidade, mortalidade e migração, além das condições socioeconômicas de cada região.

Ribeirão Preto acompanha envelhecimento populacional

Em Ribeirão Preto, dados municipais referentes a 2025 apontam a existência de 125.150 moradores com 60 anos ou mais, o equivalente a 17,1% da população estimada em 731.955 habitantes. O número inicialmente informado, de 121 mil pessoas, não era compatível com o percentual apresentado.

O município tem 122.156 crianças e adolescentes de 0 a 14 anos. Os números mostram que Ribeirão Preto também já possui uma população idosa ligeiramente maior do que o grupo com menos de 15 anos.

Idosos se sentem vulneráveis a golpes

No estado de São Paulo, 68% das pessoas com 60 anos ou mais afirmam sentir-se vulneráveis a golpes digitais. A média entre todos os participantes foi de 62%, enquanto a proporção entre os entrevistados de 18 a 29 anos ficou em 51% — diferença de 17 pontos percentuais.

Em Ribeirão Preto, dados municipais referentes a 2025 apontam a existência de 125.150 moradores com 60 anos ou mais, o equivalente a 17,1% da população | Crédito: Alfredo Risk

A pesquisa da Fundação Seade ouviu 14.450 moradores do estado entre julho e setembro de 2025. Os entrevistados foram divididos em quatro grupos: de 18 a 29 anos, de 30 a 44, de 45 a 59 e com 60 anos ou mais.

Entre as pessoas idosas, 82% disseram ter recebido tentativas de golpe por mensagens, e-mails ou ligações. A proporção ficou abaixo da média estadual, de 88%. O grupo de 45 a 59 anos registrou o maior percentual, de 92%.

Segundo Irineu Barreto, analista de pesquisas da Fundação Seade, a digitalização ampliou a exposição de todas as faixas etárias. Entre as pessoas idosas, existem vulnerabilidades específicas, especialmente nas fraudes que envolvem o uso indevido de dados pessoais.

Fraudes consumadas

Entre os participantes com 60 anos ou mais, 12% relataram a abertura de contas bancárias ou a contratação de empréstimos sem autorização. Foi a maior proporção registrada entre os grupos etários pesquisados.

No conjunto dos entrevistados, 40% afirmaram ter realizado alguma compra pela internet e descoberto que a loja ou o vendedor não existiam. Entre as pessoas com 60 anos ou mais, o percentual foi de 26%. O levantamento também identificou nesse grupo a maior proporção de pessoas que nunca haviam feito compras pela internet.

Um em cada quatro idosos permanece no mercado de trabalho

No segundo trimestre de 2026, 2,2 milhões dos 8,3 milhões de paulistas com 60 anos ou mais estavam na força de trabalho, segundo a Fundação Seade. O contingente corresponde a 26,5% dessa população e inclui tanto quem estava trabalhando quanto quem procurava uma ocupação. Entre os integrantes da força de trabalho, 97% estavam ocupados.

Entre o segundo trimestre de 2019 e o mesmo período de 2026, o número de pessoas idosas ocupadas aumentou 26%, com a entrada de mais 441 mil trabalhadores. O crescimento foi mais intenso entre as mulheres, de 31,3%, enquanto entre os homens chegou a 22,8%.

A participação diminui conforme a idade avança. Entre os homens de 60 a 69 anos, 53,4% integravam a força de trabalho; entre as mulheres dessa faixa etária, a proporção era de 28,8%. A partir dos 70 anos, os percentuais caíam para 17,4% entre os homens e 5,8% entre as mulheres. Os dados mostram que o envelhecimento populacional também exige atenção às condições de permanência, proteção e adaptação das pessoas idosas no trabalho.

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