Tribuna Ribeirão
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A Colômbia e sua literatura (89): Ignacio Piedrahíta Arroyave

Rosemary Conceição dos Santos*

 

De acordo com pesquisadores, Ignacio Piedrahíta Arroyave (Medellín, 1973) é geólogo, romancista, ensaísta e poeta. Publicou *La llamaría del basilisco * (1999), * Mediastintas* (coautor, 2002), * Un mar * (2006), *Al oído de la cordillera * (2011), * El velo que cubre la piedra * (2018), * Grávido río * (2019) e * La verdad de los ríos * (2020). Seu romance *Un mar* foi finalista do Prêmio Nacional de Romances Inéditos do Ministério da Cultura em 2005 e ganhou a Quinta Bolsa de Escrita Criativa de Medellín no mesmo ano. É ou foi colaborador da * Revista Universidad de Antioquia *, do jornal *Universo Centro* e do suplemento * Generación* de *El Colombiano *. Seus contos e crônicas também foram publicados em outras revistas, antologias e jornais nacionais e internacionais. Em suas próprias palavras: “Vivo nos arredores da cidade”. Estudei geologia por amor à paisagem natural. Interessa-me compreender a vida humana em relação ao subsolo pedregoso que a origina e a sustenta silenciosamente. Viagens e deslocamentos, tanto urbanos quanto rurais, são a matéria-prima da minha escrita. Essa é a essência do meu universo literário.

Al oído de la cordillera (Ao Ouvido da Cordilheira ), de Ignacio Piedrahíta, é considerada uma breve obra-prima da literatura de viagem contemporânea por conseguir fundir de maneira poética a sensibilidade literária com o conhecimento científico da geologia.  Narra a jornada do próprio autor ao longo da Cordilheira dos Andes, partindo de sua terra natal na Colômbia e descendo até a Argentina, chegando às proximidades da Terra do Fogo.Durante o percurso, o narrador atravessa e descreve paisagens magníficas e diversas do continente sul-americano, incluindo: o vulcão Tungurahua (Equador), as dunas de Ica (Peru), o espelho d’água do Lago Titicaca (Peru/Bolívia) e o imponente glaciar Perito Moreno (Argentina).

O grande diferencial do livro é a voz do narrador. Longe de ser apenas um relato turístico comum ou uma aventura cheia de excessos e excentricidades, o livro é uma meditação silenciosa e íntima diante da natureza. Piedrahíta utiliza seus conhecimentos em geologia como matéria-prima para a poesia: ele explica os processos milenares de formação das rochas, os movimentos tectônicos e as eras da Terra ao mesmo tempo em que usa essas imagens como metáforas para refletir sobre os sentimentos humanos, a solitude, a passagem do tempo e as grandes perguntas da alma.  Características da obra? aracterísticas da Obra? Narrativa de assombro: o autor mantém um olhar curioso e fascinado, como se estivesse redescobrindo o mundo (“um olhar bíblico ou batismal”).] Prosa íntima: É um livro que parece sussurrado ao leitor, convidando-o a caminhar ao lado do autor pelas referências gigantescas de rios, vales e montanhas. União de ciência e arte: Consegue ser profundo e instrutivo sobre a geografia e a geologia andina sem se tornar um manual técnico cansativo.

Profa. Universitária*

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