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Geopolítica

Feres Sabino *
feressabino.com.br

Se o problema da paz e da guerra ocupa minha preocupação desde jovem, inesquecível o temor daquelas noites indormidas, quando assomava a provável guerra nuclear, por acidente. O exemplo era daquele rádio lidado de um carro de polícia, passando por uma base militar, e acionando o sistema de um míssil que começou a deslizar na sua rampa. O relato era do livro “As causas da Terceira Guerra Mundial’, do sociólogo americano Charles Wright Mills. Era o tempo daquele filme pacifista “Dr. Fantástico”, dirigido por Stanley Kubrich e com Peter Sellers (1925/1980), um dos maiores comediantes britânicos,, fazendo três personagens.

Atualmente, a geopolítica trazida pela tecnologia da informação, através de entrevistas com assessores militares, inclusive norte-americanos, cientistas e professores universitários do mundo todo, jornalistas independentes, e toda gama da inteligência crítica, coloca – essa tecnologia — a possibilidade de uma terceira guerra mundial muito mais real do que aquela de um míssil deslizando numa rampa, por acaso.

A geopolítica revela atualmente não só a dança fúnebre da grande potência, que se recusa a perder sua posição de gigante unipolar, para uma realidade que a superou, diante do surgimento de novas potencias econômicas e militares, colocando a disputa num terreno perigoso sempre mais propicio a deflagração do que será uma hecatombe.

Nesse horizonte até a gramática nada pode fazer com o arquivamento – quiçá provisório- da palavra PAZ, da palavra racional através do diálogo. Exceção e justiça seja feita ao governo do Brasil, incansável em repeti-la tanto que o Presidente Lula é convidado para todos os encontros de Chefes de Estados, como se eles quisessem reaprender com ele o vocabulário da razão o esperanto da humanidade.

Outro aprendizado que resulta da audiência da geopolítica é a introdução da política nacional na política internacional, com seus jogos de interesse econômicos e militares da potências hegemônica na área de sua influência, em razão espacialmente de nossas riquezas minerais. Se ontem era mais petróleo, agora é petróleo e são as terras raras.

Outro aprendizado é sobre as guerras atuais.

A versão dos entrevistados  revela a deficiência, quiçá orquestrada, da verdade verdadeira, seja em relação aos motivos da guerra, seja em relação à sua continuação.

Desponta fortemente no palco da consciência mundial as razões da sublevação popular que arrasta atualmente os países da Europa nesses últimos dias, contra as políticas de seus medíocres governos, submissos e entregues à ganância norte americana, produzida por uma divida de 37 trilhões, que converteu “aquele modo de vida”, que pretendia mudar até a cultura de outros povos em praticantes vorazes da pirataria internacional.

A Europa alevanta-se contra a mediocridade de seus governantes, contra o empobrecimento crescente ampliado com perda de competitividade, máxime da Alemanha, com o pagamento15vezes mais elevado do gás fornecido pelos norte-americanos após a destruição programada do gasoduto do gás russo. E mais, a Europa dizendo-se estar preparando para a guerra contra a Rússia, quando ela não tem interesse algum sobre o nada que a Europa oferece, salvo problemas e problemas acumulados.

A Europa gasta milhões para armar-se, a Europa mandou milhões de dólares para o sumidouro da Ucrânia, enquanto a sua população e os respectivos programas sociais estão à míngua.

A geopolítica é essa tela que nos liga a esse mundo da mediocridade e da violência e da barbárie.

* Procurador-geral do Estado no governo de André Franco Montoro e membro da Academia Ribeirãopretana de Letras

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