Neste domingo, milhões de brasileiros voltarão às urnas para escolher o presidente da República. Mais do que cumprir uma obrigação prevista em lei, votar significa exercer um direito conquistado ao longo de uma história marcada por restrições, exclusões e períodos autoritários. A participação popular não foi concedida espontaneamente: resultou de mobilizações sociais e da luta de gerações para que diferentes parcelas da população pudessem interferir nos rumos do país.
Durante muito tempo, mulheres, pessoas sem renda, analfabetos e outros grupos permaneceram afastados das decisões políticas. O voto secreto, o sufrágio feminino, a ampliação do eleitorado e a retomada das eleições diretas mostram que a democracia brasileira foi construída gradualmente. Por isso, transformar o dia da eleição em simples formalidade significa ignorar o valor histórico desse direito.
Escolher um candidato exige mais do que simpatia, identificação ideológica ou reação a mensagens divulgadas nas redes sociais. Cabe ao eleitor comparar propostas, examinar a trajetória dos concorrentes e avaliar a capacidade de cada um para governar. A polarização não pode substituir o debate nem converter adversários em inimigos. Quando prevalecem a desinformação, o medo e a intolerância, perde-se a possibilidade de uma escolha consciente.
O voto também não representa uma autorização sem limites. Depois da eleição, a sociedade deve acompanhar decisões, fiscalizar gastos, cobrar o cumprimento de compromissos e reagir diante de abusos. A cidadania não se encerra diante da urna eletrônica: continua nos conselhos, nas associações, nos movimentos sociais, na imprensa livre e em todas as formas legítimas de participação pública.
Comparecer às urnas é reconhecer que nenhuma democracia sobrevive apenas pelas instituições. Ela depende de cidadãos dispostos a participar e a respeitar o resultado legítimo das eleições. Votar com liberdade e consciência é honrar uma conquista histórica e assumir responsabilidade pelo futuro coletivo.

