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A vida após o diagnóstico de câncer de mama

O autoexame ajuda a mulher a notar sinais que possam indicar alguma anormalidade e levar ao diagnóstico precoce | Reprodução

Por: Adalberto Luque

 

O câncer de mama é o tumor mais frequente entre as mulheres brasileiras, excluídos os cânceres de pele não melanoma. A campanha Outubro Rosa coloca em pauta os cuidados para evitar a doença, identificar os primeiros sinais e iniciar o tratamento o quanto antes.

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos por ano no Brasil entre 2026 e 2028, com risco de 71,57 ocorrências para cada 100 mil mulheres. No mundo, a doença também está entre os tipos de câncer mais diagnosticados na população feminina, com milhões de novos casos por ano.

Embora seja mais comum após os 50 anos, o câncer de mama também pode atingir mulheres mais jovens. Histórico familiar, alterações genéticas hereditárias, consumo de bebidas alcoólicas, sedentarismo e excesso de peso estão entre os fatores associados à doença. Manter o peso adequado, praticar atividades físicas, ter uma alimentação equilibrada e amamentar podem diminuir o risco, mas não impedem todos os casos.

A mamografia permite identificar alterações antes mesmo do aparecimento de sintomas. A recomendação nacional prevê o exame a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos. Nódulos na mama ou na axila, retração da pele ou do mamilo, mudanças no formato da mama e saída espontânea de secreção precisam ser avaliados por um profissional de saúde, independentemente da idade. E quando o profissional achar necessário, a mamografia também pode ser recomendada antes da faixa etária recomendada.

Secretaria de Saúde de RP destinou 1.000 vagas extras de mamografia mas, nas duas primeiras semanas da campanha, 15,8% das mulheres agendadas faltaram | Foto: Fernando Gonzaga/CCS

Quando há suspeita, exames complementares e biópsia podem confirmar o diagnóstico. A descoberta do tumor em estágio inicial aumenta as chances de tratamento curativo. Nos casos em que a doença se espalha para outros órgãos, o tratamento procura controlar sua evolução, prolongar a sobrevida e preservar a qualidade de vida.

A escolha do tratamento depende do estágio e das características do tumor. As opções incluem cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapias específicas. Em alguns casos, é possível retirar apenas parte da mama; em outros, a mastectomia, que consiste na retirada do tecido mamário, é indicada. A reconstrução pode ser feita na mesma cirurgia ou posteriormente, conforme a avaliação médica e a decisão da paciente.

Depois do tratamento, algumas mulheres precisam de fisioterapia para recuperar os movimentos e tratar limitações físicas. O acompanhamento psicológico também pode ajudar a lidar com mudanças na autoestima, na imagem corporal e na rotina.

Duas leis estabelecem prazos para o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A Lei nº 12.732/2012 determina que o primeiro tratamento comece em até 60 dias após a confirmação do câncer por laudo patológico, ou antes, quando houver necessidade médica. A Lei nº 13.896/2019 prevê até 30 dias para exames de confirmação diagnóstica quando houver suspeita fundamentada da doença.

Em Ribeirão Preto, dados da Secretaria Municipal da Saúde apontam 93 mortes por câncer de mama em 2025 e outras 65 entre 1º de janeiro e 5 de outubro de 2026. Neste Outubro Rosa, a Prefeitura anunciou mil vagas extras de mamografia, destinadas prioritariamente a mulheres de 50 a 69 anos. Contudo, a Secretaria Municipal da Saúde, registrou 15,8% de faltas nos dois primeiros sábados de mamografias extras da campanha Outubro Rosa. Dos 222 exames agendados para os dias 10 e 17 de outubro no Hospital Santa Lydia, 187 foram realizados e 35 mulheres não compareceram. Além de tirar a vaga de outras mulheres, essas pessoas podem estar deixando de receber um diagnóstico numa fase inicial, o que garante um tratamento com maiores chances de êxito.

Os cuidados não terminam com a campanha ou com o tratamento inicial. Consultas e exames de acompanhamento permitem avaliar a recuperação e identificar possíveis recorrências. A prevenção, o acesso aos exames e o início oportuno do tratamento podem fazer diferença no enfrentamento da doença. Vale o que diz uma das frases de destaque do Outubro Rosa: “O toque que você faz em si mesma pode ser o gesto que garantirá muitos outros abraços.”

Diagnóstico precoce salvou Simone

Diagnóstico precoce garantiu cura de Simone sem necessidade de quimioterapia | Arquivo Pessoal

A analista de licitação Simone Rodrigues descobriu um câncer de mama aos 45 anos, após identificar um nódulo durante o autoexame, depois do banho. O primeiro exame particular não apontou a doença, mas a persistência do caroço a levou a procurar a carreta do Hospital de Amor de Barretos, que estava na cidade durante a campanha Outubro Rosa.

Cerca de dez dias depois, ela foi chamada para novos exames e recebeu o diagnóstico. “No começo, receber o diagnóstico foi um choque muito grande”, relata Simone, ao lembrar do impacto da notícia. Ela passou por cirurgia e fez radioterapia, sem necessidade de quimioterapia. Como a descoberta ocorreu precocemente, o tratamento durou seis meses e ela recebeu a notícia da cura.

Desde 2019, mantém acompanhamento médico anual, com exames de rotina. A analista destaca o apoio da família, dos amigos e dos profissionais de saúde, além da fé e da determinação para enfrentar a doença.

Hoje, aos 52 anos, Simone compartilha sua experiência para alertar outras mulheres sobre a importância dos cuidados preventivos. “Mulheres, não deixem a saúde de vocês para depois”, recomenda. Ela também orienta a fazer o autoexame, conhecer o próprio corpo, manter os exames em dia e conversar com um profissional de saúde sobre a mamografia. “O diagnóstico precoce salva vidas; a minha foi salva por causa disso”, afirma.

Renata e seu “Amor que cura”

Formada em Farmácia, com duas pós-graduações na área e proprietária de uma rede de farmácias em Franca, Renata Milani vivia um momento feliz em sua vida. Mãe da pequena Helena, descobriu, no início de 2026, que estava grávida de seu segundo filho, Henrique.

Às vésperas do aniversário de um ano de Helena, Renata recebeu um diagnóstico que mudou sua vida. Em maio deste ano, foi detectado um câncer de mama.

Renata, mãe da pequena Helena, interrompeu quimioterapia e se prepara para o parto do segundo filho, Henrique | Arquivo Pessoal

Após consultas com um oncologista, definiu-se que o tratamento deveria começar depois de a gestação ultrapassar o primeiro trimestre, com o bebê ainda pequeno. Renata iniciou, então, as sessões de quimioterapia em 1º de julho.

Paralelamente, criou nas redes sociais o perfil Amor que cura (@renatamilani.amorquecura), para contar sua história e compartilhar a expectativa pela tão esperada vitória. Em toda essa trajetória, conta com o apoio do marido, Yuri.

Enfrentando a situação com fé, força e determinação, Renata segue firme e feliz com a gestação do segundo filho. Durante o tratamento, sofreu uma embolia pulmonar, pneumonia e um fungo e precisou ficar 12 dias internada, cinco dos quais na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Por conta disso, há pouco mais de uma semana, por orientação do oncologista, interrompeu a quimioterapia, ainda com oito sessões previstas.

Segundo Renata, o médico considerou melhor que ela descansasse e recuperasse o corpo e as forças para o parto que se aproxima. Henrique deve nascer no início de novembro, mas, como nenhum parto é uma ciência exata, não é possível prever se ele vai antecipar sua chegada para outubro.

“A gente superou essa fase difícil. O Henrique nasce. Está nas mãos de Deus a retomada das quimioterapias. Que ele venha forte e saudável”, pede.

Antes do nascimento do garotão e aproveitando a pausa nas sessões de quimioterapia, Renata fez um ensaio fotográfico. Nas redes sociais, contou que queria registrar o barrigão lindo e grandão, que ainda vai crescer muito.

“Espero que minha história seja exemplo de superação para outras mulheres, de luta e, com toda certeza, de cura. Fazer esse ensaio após essa fase que passamos é de comemorar e agradecer de joelhos. Henrique tá chegando!”

Camila percebeu nódulo no banho

A jornalista Camila Ribeiro, de 38 anos, descobriu um câncer de mama em julho deste ano, depois de perceber um nódulo enquanto tomava banho. Sem histórico de câncer de mama na família e abaixo da idade geralmente indicada para o início da mamografia de rastreamento, ela não imaginava que pudesse estar diante da doença. A descoberta mudou sua rotina e a maneira de enxergar a vida.

Camila havia passado por uma consulta ginecológica de rotina em abril. Na ocasião, fez os exames preventivos e foi examinada pelo médico, que não identificou alterações nas mamas. O retorno estava marcado para julho, quando ela ainda não sabia se deveria comentar sobre algo diferente que havia sentido ao tomar banho.

“Para mim, na minha cabeça, era uma coisa tipo: já devia estar aí, não deve ser nada, coisa da minha cabeça”, recorda. Mesmo sem acreditar que pudesse ser câncer, decidiu contar ao ginecologista durante a consulta de retorno. O médico solicitou uma ultrassonografia, realizada no dia seguinte.

O exame identificou um nódulo com classificação BI-RADS 5, categoria que indica alta suspeita de malignidade. A confirmação veio por meio de uma biópsia. Em 4 de agosto, Camila recebeu o resultado e, a partir dali, passou por outros exames para avaliar as características do tumor e preparar a cirurgia.

O procedimento foi realizado em 29 de agosto. Até chegar à operação, ela precisou lidar com o impacto do diagnóstico, a realização de novos exames e a incerteza sobre as próximas etapas do tratamento. Durante aproximadamente uma semana, chorava no trabalho e em casa enquanto tentava assimilar a notícia.

A jornalista Camila deixou de ter medo da queda de cabelo: “Se meu cabelo cair é resultado da minha cura” | Arquivo Pessoal

“Eu sabia que nada ia mudar. Eu podia estar feliz ou podia estar triste, e nada ia mudar. Eu estava com câncer e precisava cuidar de mim”, afirma.

Após a cirurgia, Camila passou a aguardar os resultados que vão definir o tratamento complementar. A radioterapia e a hormonioterapia, prevista para durar cinco anos, já foram indicadas pelo oncologista. A necessidade de quimioterapia, porém, depende de um exame genético chamado Oncotype, capaz de auxiliar na avaliação do benefício desse tratamento para o caso dela.

O plano de saúde negou inicialmente a autorização para o exame. Diante da recusa, Camila precisou recorrer à Justiça e conseguiu uma liminar favorável. O teste foi realizado, e ela aguarda o resultado para saber se precisará fazer quimioterapia. A espera aumenta a pressão, pois, caso o procedimento seja necessário, o tratamento deverá começar antes de completar 90 dias da cirurgia.

Um dos primeiros medos após o diagnóstico foi perder o cabelo. Com o passar do tempo, no entanto, ela começou a encarar essa possibilidade de outra maneira. “Se eu tiver que fazer quimioterapia e meu cabelo cair, está tudo bem. Porque o meu cabelo cair é resultado da minha cura”, diz.

A experiência também transformou sua percepção sobre os problemas cotidianos. Camila afirma que passou a dar menos importância às dificuldades que podem ser resolvidas e a valorizar ainda mais a saúde. A luta contra a doença, segundo ela, também deveria ser menos desgastante, sem que pacientes precisassem enfrentar obstáculos para ter acesso a exames necessários à definição do tratamento.

Ao compartilhar sua história, a jornalista deixa um recado às mulheres: conhecer o próprio corpo e prestar atenção às mudanças pode fazer diferença. Ela lembra de uma mensagem que recebeu em um brinde de Outubro Rosa e que nunca esqueceu: “Mulher, se toca”.

Foi ao perceber uma alteração por acaso que Camila iniciou a investigação que levou ao diagnóstico. Agora, enquanto aguarda a definição das próximas etapas do tratamento, espera que outras mulheres não ignorem sinais diferentes e procurem avaliação médica. “Que as mulheres se cuidem, se toquem, se conheçam e que a gente tenha cada vez mais curas e mulheres mais fortes”, conclui.

O apoio do Rema

O diagnóstico de câncer de mama e as consequências do tratamento podem exigir das mulheres um processo de recuperação que vai além dos cuidados médicos. Foi para atender a essas necessidades que surgiu, em maio de 1989, o Núcleo de Ensino, Pesquisa e Assistência na Reabilitação de Mastectomizadas (REMA), ligado à Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EERP-USP). Desde então, o serviço oferece acompanhamento a mulheres que enfrentaram a doença, com atenção às dificuldades físicas, emocionais e sociais que podem surgir ao longo da recuperação.

A professora doutora Marislei está à frente do REMA, a casa de acolhimento às mulheres que enfrentam e vencem o câncer de mama | Foto: Alfredo Risk

A criação do núcleo foi uma iniciativa das professoras Marli Villela Mamede, Ana Maria de Almeida e Maria José Clapis, da área de saúde da mulher da EERP-USP. A proposta nasceu da percepção de que muitas pacientes, após a alta hospitalar, precisavam de suporte para enfrentar as mudanças provocadas pela doença e pelo tratamento. A reabilitação passou, assim, a considerar não apenas a recuperação física, mas também a autoestima, a autonomia e a retomada da vida cotidiana.

Desde 2018, o REMA é coordenado pela professora doutora Marislei Sanches Panobianco, que conheceu o trabalho ainda nos anos 1990, quando ingressou como aluna de pós-graduação. Ao longo de quase quatro décadas, o núcleo ampliou sua atuação e consolidou um modelo de atendimento que reúne assistência multiprofissional, atividades educativas e ações de integração social.

“Hoje, recebemos, em média, 90 novos casos por ano e realizamos aproximadamente 40 atendimentos por dia, três vezes por semana, ultrapassando 5 mil atendimentos anuais. Ao todo, 1.888 mulheres já passaram pelo REMA desde sua criação, em 1989”, explica Marislei.

A assistência envolve profissionais de enfermagem, fisioterapia e psicologia, além da participação de estudantes de graduação e pós-graduação. O trabalho também abrange ensino e pesquisa, contribuindo para a formação de profissionais e a produção de conhecimento sobre a reabilitação de mulheres que tiveram câncer de mama. O núcleo ainda promove ações voltadas à prevenção e à detecção de cânceres ginecológicos e mamários.

Para Marislei, o acolhimento é parte fundamental desse processo. A equipe precisa estar preparada para ouvir as pacientes, compreender suas dúvidas e reconhecer as dificuldades que cada uma enfrenta. As consequências da doença variam de acordo com a experiência individual e podem envolver limitações físicas, efeitos adversos do tratamento, insegurança e dificuldades para retomar a convivência social.

O medo também está presente desde a descoberta do câncer. A associação da doença à morte, a possibilidade de perda da mama e as incertezas sobre o tratamento e o futuro estão entre as preocupações das pacientes. Nesse contexto, a orientação profissional e o contato com outras mulheres que passaram por experiências semelhantes ajudam a enfrentar as angústias e a compreender as possibilidades de recuperação.

“A proposta do REMA é oferecer uma assistência humanizada, que respeite as necessidades de cada mulher e contribua para a reconstrução da confiança e da qualidade de vida”, afirma a coordenadora do núcleo. A troca de experiências entre as participantes também permite compartilhar dificuldades, conquistas e estratégias para lidar com as mudanças provocadas pela doença.

Desfile celebra trajetórias de superação

Uma das iniciativas que expressam esse trabalho é o Desfile Rosa, realizado anualmente durante o Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama e, mais recentemente, do câncer do colo do útero. Em sua 11ª edição, o evento ocorreu em 15 de outubro de 2026, no Centro de Convenções de Ribeirão Preto, e reuniu aproximadamente 400 pessoas. A programação contou com a participação de mulheres atendidas pelo REMA, familiares, integrantes da comunidade acadêmica e convidados.

Criado em 2014 por iniciativa de integrantes do núcleo, o desfile se tornou uma oportunidade para dar visibilidade às histórias de quem enfrentou o câncer de mama e mostrar que a trajetória dessas mulheres não se resume ao diagnóstico e ao tratamento. Na passarela, elas assumem o protagonismo de suas experiências, compartilhando conquistas e desafios vividos durante a recuperação.

O Desfile Rosa, em sua 11ª edição, resgata a autoestima das mulheres e reforça a certeza de que só com luta se chega à vitória | Divulgação

A programação também incluiu atividades culturais, apresentação de um coral formado por integrantes do REMA e relatos das participantes. Textos construídos a partir das experiências das próprias mulheres fazem parte da proposta, que valoriza suas histórias e as diferentes maneiras de reconstruir a vida depois da doença.

Na abertura do evento, Marislei ressaltou a importância da trajetória construída pelo núcleo desde sua fundação e reconheceu a contribuição das professoras que idealizaram o serviço, dos profissionais, estudantes, colaboradores e voluntários que mantêm o trabalho. Também destacou o papel das mulheres atendidas, cujas experiências ajudam a orientar e fortalecer a atuação da equipe.

“Nesses anos todos, compartilhamos com as mulheres momentos de dor, sofrimento, dúvidas, angústias e lágrimas. Mas, felizmente, também compartilhamos muitos momentos de alegria e superação. É isso que também construímos no REMA: momentos de vida”, afirma.

A coordenadora ressaltou que a história do REMA reúne momentos de sofrimento, dúvidas e dificuldades, mas também conquistas e alegrias que ganham significado especial para quem vivenciou o câncer de mama. O acompanhamento envolve diferentes dimensões da vida e depende do compromisso coletivo de quem participa do serviço.

Ao agradecer às mulheres que integram o núcleo, Marislei destacou a coragem, a esperança e a capacidade de enfrentar as adversidades demonstradas por elas ao longo do tratamento e da reabilitação. “A celebração não significa ignorar as dificuldades enfrentadas, mas reconhecer o caminho percorrido e valorizar as conquistas alcançadas”, aponta.

“O Desfile Rosa também dá visibilidade ao trabalho de reabilitação desenvolvido pelo REMA e às experiências das mulheres que enfrentaram o câncer de mama. Ao ocupar a passarela, elas compartilham suas trajetórias e mostram a importância do acolhimento e do acompanhamento após o tratamento”, conclui.

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