Aguinaldo Rodrigues da Silva *
Encerradas as eleições presidenciais, começa uma nova etapa da vida nacional: a hora de transformar promessas em ações concretas. Durante a campanha, os eleitores ouviram compromissos com o crescimento econômico, a geração de empregos, a melhoria dos serviços públicos e a redução das desigualdades. Mas permanece uma questão fundamental: quem pagará a conta dessas promessas?
Historicamente, o setor empresarial ocupa uma posição central no desenvolvimento do País. É a iniciativa privada que investe, empreende, gera empregos, movimenta a economia e assume riscos diariamente. Entretanto, quando as despesas públicas aumentam e o equilíbrio das contas se torna um desafio, surgem preocupações legítimas sobre a possibilidade de novos impostos, elevação da carga tributária e aumento dos custos que recaem sobre quem produz.
Para o empresário, especialmente o pequeno e o médio empreendedor, não basta acompanhar os discursos oficiais. É preciso observar as decisões que afetam diretamente a atividade econômica: a política tributária, os juros, o crédito, os encargos trabalhistas, a burocracia e a segurança jurídica necessária para investir e crescer. Não é razoável que cada nova promessa se transforme, automaticamente, em mais um encargo para quem trabalha, produz e sustenta parte significativa da arrecadação nacional.
Isso não significa ignorar as necessidades sociais ou a importância dos investimentos públicos. Significa defender que os compromissos assumidos sejam acompanhados de planejamento, prioridades bem definidas e fontes de financiamento sustentáveis.
O empresário não pode ser visto apenas como fonte de arrecadação, mas como parceiro indispensável do desenvolvimento nacional. Cobrar impostos é uma atribuição do Estado; garantir que esses recursos sejam bem aplicados é um dever dos governantes.
Terminada a disputa eleitoral, cabe à sociedade acompanhar, fiscalizar e cobrar resultados. Afinal, promessas feitas em campanha não podem ser tratadas como compromissos sem consequências para as contas públicas, nem seus custos podem ser transferidos indiscriminadamente àqueles que produzem a riqueza do País.
Passada a campanha eleitoral, começa o momento em que o discurso político precisa dar lugar às decisões econômicas. E é justamente nessa hora que o empresário deve redobrar sua atenção. O empresário brasileiro conhece bem essa realidade. Além de enfrentar a concorrência, administrar custos, buscar crédito, investir em tecnologia e manter empregos, precisa conviver com uma carga tributária expressiva, burocracia e incertezas que dificultam o planejamento dos negócios.
O que não se pode admitir é que o setor produtivo seja tratado prioritariamente como fonte de arrecadação, enquanto suas dificuldades para produzir, investir e gerar empregos ficam em segundo plano. Porque, no final, quando a conta pública não fecha, seus reflexos chegam às empresas, aos trabalhadores e aos consumidores. E é justamente por isso que o empresariado não pode permanecer distante das decisões que definem os rumos econômicos do Brasil.
* Presidente Sindtur e Oturp

